Associação de Odemira vai apoiar saúde mental dos homens

Uma nova associação foi criada no concelho de Odemira, distrito de Beja, para acompanhar os homens que não têm “com quem falar do que lhes pesa” e dar resposta aos problemas de saúde mental da comunidade masculina.
Apresentada publicamente no dia 5 deste mês, em Vila Nova de Milfontes, no concelho de Odemira, a associação O Homem Possível junta psicologia a “apoio entre pares e prática corporal para cuidar da saúde mental dos homens [e], com isso, das famílias e das comunidades à volta deles“, explicou esta quarta-feira à agência Lusa o seu fundador e diretor, João Vaz.
Segundo o também psicólogo, a associação “nasceu” na sequência dos mais de 10 anos que leva a trabalhar com homens, “em acompanhamento individual, em retiros, em grupos”, experiência que lhe permitiu confirmar que “os homens não estão partidos, estão desacompanhados”.
“Chegam tarde ao apoio, chegam sozinhos e, quando chegam, não encontram uma linguagem em que se reconheçam“, frisou João Vaz, que primeiro escreveu o livro “O Homem Possível” e, depois, percebeu “que as palavras não chegavam” e que “era preciso construir os sítios onde aquilo que o livro propõe pudesse acontecer”.
O passo seguinte acabou por ser a criação da associação em Vila Nova de Milfontes, no litoral alentejano, que tem três grandes objetivos: “Criar espaços regulares onde os homens possam falar com honestidade e ser ouvidos sem vergonha, formar homens para acompanharem outros homens, com supervisão, e chegar aos rapazes antes de os padrões se fixarem, através das escolas”.
Nesse âmbito, continuou João Vaz, a associação não se propõe a ser “um serviço de emergência” ou a substituir o Serviço Nacional de Saúde. Quer, sim, oferecer “aquilo que costuma faltar antes”.
Ou seja, indicou, “alguém que acompanha, um grupo que se encontra todos os meses e acesso a uma rede que sabe ouvir homens”.
Para tal, serão dinamizados três programas e três experiências, a começar pelo “Buddy Program”, que assenta em “encontros regulares, com supervisão mensal de um psicólogo e protocolos claros para encaminhar quem precisa de mais”.
A associação contará ainda com uma rede de profissionais de saúde, de psicólogos a médicos de família e urologistas, entre outros, de acesso gratuito, e irá promover o “Programa nas Escolas”, para rapazes dos 10 aos 18 anos e que incidirá na “literacia emocional, masculinidades saudáveis, consentimento e relação”, mediante “sessões práticas, nunca em palestras”.
[Dois meses após o desaparecimento, e já depois de o genro, Raymond Quendoz, lhes ter anunciado que ia divorciar-se dela, os Silva Pais recebem finalmente notícias da filha. Annie está bem. Recusa dar detalhes sobre o seu paradeiro mas há cada vez mais evidências de que fugiu do marido para se juntar à revolução cubana. E, se isso aconteceu, uma coisa é certa: Annie tem de ter tido a ajuda e o aval do próprio Fidel Castro. Resta apenas saber porquê. Já pode ouvir o segundo episódio de “Os Escândalos de uma Revolucionária”, o novo Podcast Plus do Observador. Está disponível no site do Observador, na Apple Podcasts, no Spotify e no Youtube.]
“O que se faz com um rapaz de 12 anos numa sala de aula custa uma fração do que se gasta com o mesmo homem aos 40. A prevenção nas escolas é o investimento com mais retorno que o concelho pode fazer nesta área”, explicou João Vaz.
Outra iniciativa da associação O Homem Possível serão os encontros mensais, estando ainda prevista a realização de retiros de quatro dias, “duas vezes por ano”, uma expedição ao Nepal, em 2027, e um festival de quatro dias no Alentejo, em junho do próximo ano.
Segundo João Vaz, o trabalho da associação começou em Vila Nova de Milfontes, mas quer crescer “para Odemira, para as freguesias do interior, para as escolas e para as empresas agrícolas onde trabalham milhares de homens, muitos deles longe da família e sem rede nenhuma”.
“A saúde mental dos homens do concelho cruza-se com o trabalho agrícola, com a imigração, com o isolamento das freguesias do interior e com a escola. Nenhuma instituição resolve isto sozinha”, assinalou João Vaz.
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