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Sunday, October 25, 2026

A história discreta de Simona Barbieri, fundadora da Twinset

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Na altura, o nome não era Twin Set: a marca chamava-se Frivola. “As lojas gostavam muito das peças, mas achavam que a marca não era adequada para o tipo de produto. Os clientes deram-nos este feedback e, por isso, começámos a pensar num novo nome”, recorda. “Twin Set nasceu por vários motivos: porque fazíamos coordenados em malharia e porque éramos em dois — eu e o meu marido. Éramos um casal e, desse conjunto de coisas, nasceu a Twin Set, que posteriormente se tornou ‘Twin Set – Simona Barbieri’.”

A mudança no nome também ditou uma certa mudança no estilo. Barbieri confessa que na juventude era “rebelde”. “Precisava de expressar tudo o que gostava e, por isso, era muito mais rebelde, livre, aberta e curiosa. Mudei com o passar dos anos, o mundo dos negócios moldou-me”, assume, sobre o estilo mais clássico e intemporal das peças da marca italiana.

A marca foi adquirida pelo fundo norte-americano Carlyle em 2012, por um valor estimado entre os 250 e os 300 milhões de euros. Em 2015, quando a marca fez 237 milhões de euros anuais, a empresa aumentou a sua participação inicial de 72% para 90%. Foi nesta altura que a Twinset mudou mais uma vez, perdendo o nome da sua fundadora e juntando o Twin com o Set; e a estratégia passou a incluir a abertura de lojas internacionais. Em 2017 a Carlyle assumiu 100% da marca, comprando os 10% restantes de Barbieri.

O acordo incluía uma cláusula de não concorrência, o que obrigou Simona Barbieri a manter-se fora do mundo da moda por cinco anos. Mas a designer foi incapaz de ficar totalmente afastada deste universo. “Não o podia abandonar, até porque é isso que eu sei fazer e o que quero fazer. Tive a oportunidade de ensinar os jovens no curso de pós-graduação Creative Knitwear Design Master (CKD) na Accademia Costume & Moda. Foi difícil porque eu não me sentia muito preparada para ensinar, mas isso ajudou-me muitíssimo a continuar a pesquisar e estudar junto com os jovens”, conta a criadora italiana, que na impossibilidade de criar novas coleções, passou a fazer peças para as amigas: os tradicionais coordenados estilo pijama.

“Mesmo quando trabalhava, de vez em quando eu vestia as minhas amigas e montava looks para elas. Eu não conseguia parar — parar para mim era o fim. No período em que estive parada sem poder trabalhar, criei um escritório com o meu arquivo de todas as peças de pesquisa do período da Twin Set. Eu tinha as minhas máquinas de costura, mesa de corte, rolos de tecido, máquinas de tricô e fazia coisas que não podia deixar de fazer. Durante cinco anos, criei peças, fiz muitos presentes de Natal e looks para os meus amigos. As minhas amigas ficaram muito felizes nessa época”, ri-se.

Terminado o período de não concorrência, Barbieri regressou à moda, através da empresa familiar fundada pelo marido, a Abraham Industries. No portfólio do grupo estão hoje quatro marcas italianas de moda high end, todas ligadas às malhas: a Liviana Conti, uma marca de malhas fundada por Liviana Troffei no início dos anos 1980; a Semicouture, marca criada pela designer Erika Cavallini em 2009; a marca homónima da criadora de moda, destinada a peças de luxo e alfaiataria; e a Circus Hotel, um estilo mais contemporâneo, fundada por Gaya Zattini. “Na empresa familiar atual onde trabalho, todos são jovens; eu diria que sou a mais velha lá. Por isso, trabalhar com os jovens é fundamental para mim. Cada marca tem uma equipa de projetos que se coordena, proporcionando sempre essa troca e confronto com os mais novos”, assume Barbieri, sobre a nova fase.

Já a Twinset passou para as mãos do Grupo Borletti e da Quadrivio & Pambianco, por meio do veículo de private equity Made in Italy Fund II, em maio de 2025, por um valor de cerca de 200 milhões de euros. Os planos para a marca incluem a expansão para mercados-chave como a Espanha, França e Europa de Leste e o investimento nos canais online. Para concretizar estes objetivos, em dezembro foi anunciado o novo CEO: Gabriele Maggio, que já esteve na direção da Elisabetta Franchi, depois de experiências como CEO da Stella McCartney, diretor-geral da Moschino, e outras funções de responsabilidade na Gucci, Bottega Veneta, Giorgio Armani e Prada.

Em julho, Simona Barbieri viu as coleções dos criadores portugueses que apresentam no Portugal Fashion — das novidades do Bloom às peças mais estruturadas e clássicas de Miguel Vieira. No radar ficaram nomes mais ligados às malhas — o jovem Veehana ou a defensora do trabalho manual Susana Bettencourt. “Também passei por essa fase dos jovens, em que criava coisas realmente estranhas e particulares. No entanto, acredito que a aproximação com o mundo do trabalho é muito importante para começar a criar peças direcionadas para quem realmente vai usá-las. Isso é algo que os jovens, assim como eu fiz, aprenderão pouco a pouco, trabalhando”, garante a criadora de moda italiana com mais de quatro décadas de experiência — e que foi capaz de criar uma marca comercialmente forte para chegar ao mundo todo. “O meu conselho é continuar a estudar, continuar a ser curioso e tentar trabalhar e entrar em empresas para ganhar experiência, porque a experiência em empresas é fundamental antes de pensar em fazer as coisas sozinho. Isso dá tempo para entender como se expressar em uma coleção real.”

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