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Wednesday, October 21, 2026

Ibaneis pilotou operação BRB-Master, e Vorcaro fala em propina de R$ 80 mi

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As entregas ocorreram na casa de Vorcaro em Brasília, entre novembro de 2024 e agosto de 2025. Em dezembro de 2024, o motorista avisou ao banqueiro que Léo tinha ligado para buscar "todas as encomendas".

A defesa de Ibaneis afirmou que não vai falar sobre uma "delação que não foi aceita por não ter um fiapo de prova". Os fatos "demonstram a verdade daquilo que o governador diz desde o início: ele dava plena liberdade para o presidente do BRB fazer o que julgasse necessário", afirma o advogado do ex-govenardor, Antônio Carlos de Almeida Castro, o Kakay. Segundo ele, Ibaneis não tinha participação nas decisões do banco público.

Procurado, Valverde não respondeu.

O que diz a delação

Na sua proposta de delação premiada, Daniel Vorcaro disse que Ibaneis exigiu propina para concretizar o negócio logo depois do primeiro encontro entre os dois.

Segundo o relato, o acerto foi feito na casa de Vorcaro em Brasília em setembro de 2024, em uma conversa entre ele e Valverde. O acordo previa o pagamento de R$ 400 milhões após a fusão dos bancos.

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Metade do valor seria pago em dinheiro em espécie e metade num contrato fictício com um escritório de advocacia indicado pelo governador. Ibaneis também ficaria com 5% do novo banco, por meio de uma empresa de fachada, diz Vorcaro.

Em outubro de 2024, Valverde enviou a Vorcaro uma proposta, um documento de CNPJ e os dados bancários de uma empresa de que ele próprio é administrador, segundo a Receita Federal.

"Segue as empresas!", escreveu. No dia seguinte, ativou as mensagens temporárias na conversa.

O banqueiro afirma ter adiantado cerca de R$ 80 milhões em espécie, entregues em Brasília pelo seu motorista a Valverde. Vorcaro diz na proposta de delação que as provas dos repasses estavam em mensagens em seu celular.

O contrato com o escritório, segundo ele, nunca chegou a ser pago, porque o BC (Banco Central) vetou a operação em setembro de 2025.

Contatos em 2024

O contato entre o governador e Daniel Vorcaro começou em 18 de setembro de 2024, num almoço na casa de Vorcaro em Brasília. No dia seguinte, Ibaneis escreveu a Vorcaro pela primeira vez, agradecendo pelo "excelente almoço".

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O encontro foi organizado por Thiago Claudino, ex-assessor do presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB). Claudino mandou ao banqueiro a lista de quem iria ao almoço.

Além de Ibaneis, estavam lá o filho dele, Caio Rocha, o secretário de Economia do DF, Ney Ferraz, e William Guimarães, a quem Claudino se referiu como "sócio do gov". Também estava Leonardo Valverde, descrito como "braço direito do gov".

Uma semana depois, o governador voltou à casa de Vorcaro para um jantar com o mesmo grupo. Paulo Henrique Costa, então presidente do Banco de Brasília, compareceu também ao jantar, a convite do governador.

Costa e Vorcaro já se conheciam. Antônio Rueda, presidente do União Brasil, tinha intermediado um encontro entre eles em julho de 2024. Desde então, os executivos vinham trocando mensagens sobre o aumento de capital do BRB, do qual o Master planejava participar.

A ideia era que o Master ajudasse o BRB a se capitalizar e, em troca, fizesse negócios de venda de ativos para o banco, especialmente carteiras de crédito consignado. Essas operações começaram já no segundo semestre.

No dia do jantar com Vorcaro e Paulo Henrique, Ibaneis autorizou o BRB a seguir com um aumento de capital de R$ 500 milhões. Seria o primeiro passo, segundo o governador, para vender o banco público ao Master.

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Essa, ao menos, é a versão do encontro relatada por fontes ouvidas pelo UOL, que Vorcaro também reforça em sua tentativa de delação premiada.

Em outubro, o valor subiu para R$ 750 milhões, com aval do governador. Fundos ligados ao Master entraram no capital do BRB, e o banco público passou a comprar carteiras de crédito do Master, num total de R$ 9,5 bilhões até fevereiro de 2025.

O Master enfrentava uma crise de liquidez. No fim de 2024, o BC tentou uma solução de mercado, e o BTG Pactual ofereceu R$ 1 pelo banco, mas os bancos integrantes do FGC (Fundo Garantidor de Créditos) resistiam à ideia.

Enquanto isso, a negociação com o BRB avançava. No Natal, Paulo Henrique escreveu a Vorcaro sobre o "novo caminho" que o banqueiro tinha sugerido, uma "narrativa melhor - de aquisição". Em vez de os dois bancos se fundirem, o BRB passaria a comprar o Master.

O governador foi convencido de que seria uma ideia melhor, e Vorcaro e Paulo Henrique tentaram colocar de pé a operação.

Em janeiro de 2025, Ibaneis pediu uma reunião com Vorcaro. Os dois se encontraram para jantar em Zurique, na Suíça, com Paulo Henrique e Valverde, em um evento do grupo Lide, e negociaram a possibilidade de comprar o Master.

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Em fevereiro, a direção do BRB formalizou o "Projeto Vértice", nome interno da compra do Master.

O negócio quase caiu no mesmo mês. Paulo Henrique contou a Vorcaro que o governador tinha ligado "querendo dar para trás" depois de ouvir que o BC via a operação com maus olhos.

Em março, segundo Paulo Henrique informa a Vorcaro, Ibaneis estava "impaciente com o prazo". No dia 20, o governador marcou um novo encontro com Vorcaro e Paulo Henrique. Oito dias depois, o BRB anunciou a compra de 58% do Master.

No dia do anúncio, Ibaneis ligou para Vorcaro. Em agosto, voltou a ligar três vezes na semana em que a CLDF (Câmara Legislativa do Distrito Federal) votou a operação. Ele também encaminhou ao banqueiro uma decisão liminar sobre o negócio e a edição do Diário Oficial com a lei aprovada.

Conversas com Paulo Henrique

Em outubro de 2024, o executivo contou a Vorcaro que Ibaneis "autorizou seguir com os R$ 750 milhões" do aumento de capital do banco público. No mesmo mês, disse que a "consolidação" dos dois bancos estaria pronta em três meses.

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Em fevereiro de 2025, quando o negócio quase caiu, Paulo Henrique agradeceu a "intervenção" de Vorcaro, e o banqueiro respondeu que tinham feito "uma aliança" e que "se for pra cair vamos cair juntos".

O plano era que Paulo Henrique comandasse o novo conglomerado. Segundo a PF, o executivo escolheu seis apartamentos de alto padrão, avaliados em R$ 146,6 milhões, que o Master comprou.

Ele iria morar em um deles. A PF aponta que as transações imobiliárias eram uma forma de propina para o ex-chefe do BRB.

A carteira da Tirreno

Os problemas apareceram um mês depois do anúncio da compra. Em abril de 2025, a equipe do BRB foi ao Master conferir as carteiras de consignado que tinha comprado e não conseguiu acesso aos dados das operações originadas por associações.

Segundo Paulo Henrique, o Master alegou que a LGPD (Lei Geral de Proteção de Dados) impedia a consulta. Em maio, o executivo avisou a Vorcaro que não faria novas compras sem os comprovantes de que os empréstimos estavam registrados na folha dos clientes.

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As carteiras tinham sido vendidas ao Master pela Tirreno, uma promotora de crédito. Segundo a PF, parte delas não existia, porque nenhum cliente havia tomado aqueles empréstimos.

"Precisamos demonstrar que essas carteiras existem, Daniel", escreveu Paulo Henrique em 30 de junho, quando o caso já estava no BC. Vorcaro respondeu que "nada que fizermos ou entregarmos vai nos tirar desse corner".

O BRB passou a trocar as carteiras da Tirreno por outros ativos do Master. Em setembro, ainda faltavam R$ 2,1 bilhões. "O que me chateia, Daniel, é que tudo isso decorre da Tirreno", escreveu o executivo. "Nós compramos aquelas carteiras de boa fé."

Tentativa de salvar o negócio

Ibaneis acompanhou essa fase de perto, segundo as mensagens. Em julho, Paulo Henrique relatou que o governador estava "sem paciência" com a demora do BC.

Depois que o BC vetou a operação, em setembro, o executivo contou a Vorcaro que Ibaneis não se opunha a um plano B, um acordo operacional entre os bancos no lugar da compra. O governador também concordou com um novo aumento de capital do BRB, com imóveis do DF.

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No fim de setembro, Paulo Henrique escreveu que "até o Gov" o estava cobrando por documentos do Master. Em novembro, o BC liquidou o banco, e Vorcaro foi preso.

Reportagem

Texto que relata acontecimentos, baseado em fatos e dados observados ou verificados diretamente pelo jornalista ou obtidos pelo acesso a fontes jornalísticas reconhecidas e confiáveis.

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