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Wednesday, November 4, 2026

Homenagem ao famoso Capitão Leitão (António Amaral Leitão)

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Olá, seja muito bem-vindo. Esta é a História das Histórias. Bem-vindo. Eu sou o João Paulo Sacadura e em Viseu, o Jorge Adolfo Marques hoje vai nos fazer uma homenagem, que estava prometida desde ontem, homenagens ao Capitão Leitão, o António Amaral Leitão. Vamos saber quem foi este capitão do final de 800 e que morreu logo nos inícios do século XX. Bem-vindo, Jorge. Vamos a isso.

Olá, João. Ontem andamos pelas fontes, pela água, de um país que já não é o nosso, no sentido das vivências, apenas das memórias, mas hoje vamos fazer uma pequena e breve homenagem a uma figura importante da história nacional, diria eu, que foi o conhecido como Capitão Leitão, de seu nome completo António Amaral Leitão. Ele nasceu em 1845, aqui numa localidade próxima, uma freguesia próxima da cidade, que é Farminhão. E que fica aqui a poucos quilómetros da cidade, a uma dezena e pouco de distância. Ele era filho de José Lourenço Leitão e de Maria do Carmo. Ele aprendeu as letras na escola, nos primeiros anos de vida, e depois seguiu uma carreira militar. Ele ingressou aqui no Regimento de Infantaria 14, em Viseu, e foi promovido a capitão em 1888. Mas nessa data, ele foi para o Porto, para o Regimento de Infantaria 10. E isto vai mudar um bocadinho a vida dele. É essa mudança de regimento e de cidade que o vai conduzir a um momento histórico importante. Temos que ter em conta que em 1890 temos o ultimato inglês a Portugal. A propósito do mapa cor-de-rosa, até já um dia destes falámos aqui nessa questão.

E do dano que isso fez a Dom Carlos e à monarquia.

A emoção pública relativamente a essa humilhação que os ingleses fizeram a Portugal em 1890, vai criar um grande mal-estar social, político e há um movimento político, que são os republicanos, que estavam em crescimento, enquanto que a monarquia estava a esboroar-se, estava nos seus últimos anos.

Tretos finais, exato.

E isso vai conduzir a uma primeira tentativa de revolta republicana que vai ocorrer no dia 31 de janeiro, precisamente do ano seguinte ao ultimato, em 1891. E esse movimento, essa revolta, essa revolução, ou tentativa de revolução no Porto, vai ter uma série de republicanos que vão participar. Por exemplo, João Chagas, Sampaio Bruno. Mas o porquê o Capitão Leitão está aqui neste epicentro deste movimento? Primeiro, está no Porto, já tínhamos referido, mas depois porque as altas patentes militares não vão aderir. Não vão aderir e ele, como um dos mais graduados, vai ter algum protagonismo, protagonismo até importante nesta revolta falhada, importa dizer. De facto, aquilo foi uma revolta conduzida, sobretudo por sargentos e praças e alguns civis. Alves da Veiga, o Santos Cardoso, Miguel Verdial, portanto, algumas figuras importantes do republicanismo portuense. As tropas concentraram-se no Campo da Regeneração, depois subiram a Rua de Almada em direção à Praça Dom João IV. E aí proclamaram a República na janela da Câmara. Um pouco à semelhança do que aconteceu em outubro, mas de 1910, em Lisboa. Mas houve uma reação importante das tropas da situação. E houve tiros, houve conflito, houve bombardeamentos e morreram várias, entre civis e militares, houve uma série de mortes, 12 mortos. Provavelmente foi uma das revoluções, de um dos acontecimentos deste tipo mais mortíferos que ocorreu neste período mais contemporâneo. Mas aquilo foi ali na cidade do Porto. Depois, o que é que aconteceu? Eles foram detidos, foram todos presos, foram julgados, foram condenados e o capitão Leitão foi deportado para Angola. A colônia portuguesa de Angola acolheu-o como deportado. Mas curiosamente, ele fugiu da colônia. Quer dizer, fugiu, peripécias, fugiu pro Brasil. Já país independente. Perfeitamente autônomo. E ele foi pro Brasil, participou no Centro Republicano Português, no Rio de Janeiro, e acabou por regressar a Portugal no início do século XX, onde veio acabar por morrer, aqui na sua terra de Farminhão, em 1905. Curiosamente, há uma série de homenagens depois da sua morte que lhe são feitas ou há tentativas de as fazer, porque temos que ter em consideração que aquela falhou, o 1891, mas depois em 1910 implanta-se a República.

Sim, claro.

Os republicanos, com a sua memória dos seus heróis, daqueles que tombaram a defender o ideal republicano.

Exatamente.

O Centro Federal Republicano da Beira Alta programou uma homenagem ao capitão Leitão para o dia 31 de janeiro de 1911, portanto, logo no ano a seguir à À revolução. Onde? Junto do túmulo dele em Farminhão, no cemitério de Farminhão, por ocasião do 20º aniversário da Revolta do Porto. Mas poucos dias antes, até a imprensa vizinhança noticiava que estariam presentes nessa cerimônia os líderes do Partido Republicano Português, do PRP, o governador civil do distrito, bem como João Pinheiro Chagas, aliás, que tinha participado também no Porto. Um dos implicados. E um comboio especial transportaria de Viseu a Farminhão todos aqueles que quisessem participar, e os jornais diziam, nesta romagem cívica ao herói republicano. E parte do valor dos bilhetes era destinado a um bolo que seria distribuído aos pobres de Farminhão. Portanto, faziam-se várias iniciativas numa só. Mas isto foi publicado até num jornal que nós já fizemos aqui menção, A Voz da Oficina, do Alberto Sampaio, do sérvio Alberto Sampaio, de Viseu. Bem, mas o que é que aconteceu? O mau tempo que se registou naqueles dias fez com que tudo fosse transferido para o Teatro Viriato. A homenagem foi feita no Teatro Viriato. Lá estiveram o doutor Ricardo Pais Gomes, que era o governador civil, e uma série de outras figuras, digamos, republicanas aqui da cidade. No encerrar dessa sessão no Teatro Viriato, o doutor Ricardo Pais Gomes terminou dizendo em vivas à República, que se repercutiu por toda a sala e foi entusiasticamente correspondido. Ainda não tinha passado um ano sobre a implantação da República. E, portanto, estava tudo ainda muito unido.

No estado de graça.

No estado de graça, tudo unido, como em todas as revoluções aliadas. Em 1947, importa dizer que saltamos aqui no tempo, já estamos no Estado Novo, houve também uma tentativa de cerimônia ao capitão Leitão, muito semelhante àquela de 1911, lá no cemitério, mas nessa ocasião organizado pelo Movimento de Unidade Democrática, conhecido por MUD, cuja sigla é o MUD, e que também tentou fazer lá uma homenagem, mas que foi proibida pelas autoridades. Aliás, porque era uma homenagem feita num contexto pré-eleitoral.

Não quiseram que se aproveitasse desse momento.

Não, portanto, era também uma cerimônia de homenagem a um velho republicano num contexto histórico completamente diferente. E essa tentativa foi proibida. É curioso, não a proibição, mas pretendiam os republicanos e democratas da ocasião colocar uma placa evocativa de homenagem no cemitério. Essa placa não foi colocada, mas acabou por ser colocada em 1978, isto é, depois do 25 de abril. Foi lá colocada essa placa que pretendiam colocar em 47 e foi colocada uma segunda placa a homenagear e a lembrar a proibição de 1947. Portanto, ali nas portas do cemitério estão duas placas, uma que era pra ser colocada em 47, uma que foi colocada em 78, ambas em contextos políticos muito específicos e a homenagear um homem que tinha morrido precisamente 70 anos antes e que tinha participado na primeira tentativa da revolta republicana. Portanto, está ali a história do século XX.

Exatamente. Muito bem. Olha, e eu tendo aqui perto de mim, em Oeiras, uma Rua Capitão Leitão, agora já sei quem é e não sabia.

É este.

Há muitas ruas Capitão Leitão, com certeza, por esse país fora. Esta homenagem a este republicano. Muito bem, estamos então conversados sobre esta homenagem. Amanhã temos duas personalidades que vamos homenagear também. Por hoje é tudo, então. Um grande abraço, Jorge. Até amanhã.

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