Análise: o Náutico precisa voltar a se respeitar; até isso acontecer, ninguém vai respeitar o Náutico

A humilhação se deve a tudo o que cercou a partida do ponto de vista institucional. Com jogadores usando as redes sociais praticamente todos os dias antes da partida (e até mesmo horas antes do jogo) para dar indireta à diretoria por conta dos salários atrasados. E mesmo assim, sem o mínimo de motivação, muitos foram escalados pelo técnico Bruno Pivetti. Quase a contragosto.
Atacante Derek, do Náutico, faz ironia nas redes sociais antes de jogo com o CRB — Foto: Reprodução
Não por acaso, o que se viu diante do CRB foi um time que entrou em campo para não jogar. Um descompromisso que ficava claro a cada cartão amarelo levado, que resultava em suspensão automática para a partida derradeira da Série B, quarta-feira, contra o Londrina, fora de casa, em mais um jogo para cumprir tabela.
Ou resumido no lance do terceiro gol da equipe alagoana, quando o goleiro Guruceaga defendeu o pênalti cobrado por Mikael, também o rebote, e mesmo assim a bola foi parar no fundo das redes, após finalização tranquila de Danielzinho dentro da área, sem ser pressionado por nenhum jogador do Náutico.
Danielzinho comemora gol do CRB contra o Náutico, nos Aflitos — Foto: Marlon Costa/AGIF
Assim, mesmo evitando o rebaixamento, o Náutico termina a Série B de forma melancólica. Com a sensação de um clube sem comando. Seja de dentro do vestiário, seja de dentro da diretoria.
Óbvio que é obrigação do clube pagar o que deve. E qualquer trabalhador tem o direito de cobrar o que lhe é devido. Mas a forma como essa relação deve acontecer não passa por desrespeitar a instituição. Seja por parte de quem paga, seja por parte de quem recebe.
Betão, zagueiro do Náutico, faz cobrança pública por salários atrasados — Foto: Instagram
Se não há mais clima ou motivação para entrar em campo, que a instituição seja poupada. Nessa relação, ninguém precisava mais passar por um desgaste. Nem atletas, nem a torcida.
Em coletiva de imprensa após a partida, o técnico Bruno Pivetti explicou a escalação com vários jogadores já sem perspectiva de futuro no clube para "preservar a competitividade do time". Uma falta de visão que vai para além das quatro linhas.
Afinal, em uma partida em que não tinha nada a perder, o Náutico conseguiu sair menor. Melhor seria colocar em campo quem tinha o mínimo a oferecer em termos de motivação. Nesse caso, garotos da base que olhariam um jogo de cumprimento de tabela como uma vitrine, e não como um fardo.

Entrevista completa do técnico do Náutico, Bruno Pivetti, após jogo com o CRB
E ao presidente Bruno Becker, fica uma última lição de um 2026 que não deixará saudades. Dita pelo alvirrubro Joaquim Costa, no X (antigo Twitter). O Náutico precisa voltar a se respeitar, porque até isso acontecer ninguém vai respeitar o Náutico.
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