Midterms nos EUA: 61,7 milhões de votos e US$ 11,9 bilhões em campanhas
RESUMO +
Os democratas conquistaram o controle do Congresso dos Estados Unidos nas eleições de meio de mandato de terça-feira, 3 de novembro. A votação foi marcada por mais de 61,7 milhões de votos antecipados, US$ 11,9 bilhões em gastos de campanha e apoio de 72% dos eleitores de 18 a 29 anos aos candidatos democratas, segundo dados de instituições e pesquisas eleitorais. O resultado deve ampliar o poder de fiscalização do Congresso e dificultar a agenda do presidente Donald Trump.
As eleições de meio de mandato dos Estados Unidos, realizadas na terça-feira, 3 de novembro, terminaram com a conquista democrata das duas casas do Congresso e uma série de vitórias em estados tradicionalmente republicanos. O resultado, que representa uma derrota para o presidente Donald Trump, foi acompanhado por números expressivos de participação eleitoral, gastos de campanha e mudanças no comportamento dos eleitores.
Mais de 61,7 milhões de americanos votaram antecipadamente, enquanto os gastos eleitorais chegaram a US$ 11,9 bilhões. Nas pesquisas de boca de urna, 72% dos eleitores de 18 a 29 anos declararam apoio aos democratas, contra 25% aos republicanos.
Os dados ajudam a explicar, segundo a AFP, a dimensão da vitória do Partido Democrata, que também conquistou governos estaduais e encerrou décadas sem eleger senadores em estados conservadores, como Kansas e Texas.
A partir de janeiro de 2027, quando os novos integrantes do Congresso assumirem seus cargos, os democratas poderão definir prioridades legislativas, ampliar investigações sobre o governo Trump e bloquear indicações presidenciais que dependam de aprovação do Senado.
61,7 milhões de votos antecipados nas eleições dos EUA
Mais de 61,7 milhões de cédulas foram enviadas antes do dia da eleição, segundo o Election Lab, da Universidade da Flórida.
O volume representa um recorde de participação antecipada nas eleições de meio de mandato americanas, embora a contagem total de votos ainda não tivesse sido concluída.
Nos Estados Unidos, os eleitores podem votar presencialmente no dia da eleição ou antecipadamente, inclusive pelo correio, conforme as regras de cada estado.
Historicamente, os democratas utilizam o voto pelo correio com mais frequência que os republicanos. Segundo a Rádio Pública Nacional (NPR), os dados de participação antecipada também apontaram presença expressiva de eleitores negros, jovens e outros grupos que costumam apoiar candidatos democratas.
O aumento da participação ocorreu em uma eleição na qual o partido conseguiu vencer disputas consideradas decisivas para o controle do Congresso.
US$ 11,9 bilhões em gastos de campanha
As eleições de 2026 movimentaram US$ 11,9 bilhões em gastos de campanha, segundo a OpenSecrets, organização apartidária que acompanha o financiamento político americano.
O valor supera os US$ 8,9 bilhões registrados nas eleições de meio de mandato de 2022, um aumento de aproximadamente 34%.
Parte dos recursos foi destinada à publicidade eleitoral e às ações de comitês de ação política, conhecidos como PACs, que podem arrecadar e gastar dinheiro para apoiar candidatos.
Os gastos externos liderados por grupos ligados ao empresário Elon Musk, aliado de Trump, beneficiaram os republicanos em cerca de US$ 360 milhões.
Apesar disso, os candidatos democratas conseguiram ampliar sua vantagem na arrecadação direta.
Segundo a OpenSecrets, os candidatos à Câmara dos Representantes e ao Senado gastaram US$ 3,7 bilhões de seus fundos de campanha, um valor sem precedentes. Os democratas desembolsaram US$ 800 milhões a mais que os republicanos.
No Texas, o democrata James Talarico arrecadou US$ 145 milhões para sua campanha ao Senado, contra US$ 22 milhões obtidos diretamente por seu adversário republicano, Ken Paxton.
Talarico venceu a disputa e se tornou o primeiro democrata eleito senador pelo Texas desde 1988.
72% dos jovens votaram nos democratas, aponta NBC News
Os eleitores mais jovens foram um dos grupos que mais apoiaram os democratas nas eleições de terça-feira.
Segundo pesquisas de boca de urna da NBC News, 72% dos eleitores de 18 a 29 anos votaram em candidatos democratas, enquanto 25% escolheram republicanos.
O resultado representa uma mudança em relação à eleição presidencial de 2024, quando o voto dos jovens ficou mais dividido entre Trump e a democrata Kamala Harris.
A diferença também apareceu entre os eleitores latinos, outro segmento importante do eleitorado americano.
De acordo com a NBC News, 62% dos eleitores latinos apoiaram os democratas, contra 35% que votaram nos republicanos.
Na eleição presidencial de 2024, Kamala Harris havia recebido 51% dos votos dos eleitores hispânicos, contra 48% de Trump, segundo levantamento do Pew Research Center citado no material eleitoral.
A mudança ocorreu após manifestações de insatisfação de parte desse eleitorado com as políticas do governo republicano.
Os percentuais são resultados de pesquisas de boca de urna e não equivalem à contagem oficial de todos os votos.
Vitórias democratas encerram períodos de 38 e 94 anos
A vitória democrata também foi marcada por resultados inéditos em estados historicamente favoráveis aos republicanos.
No Kansas, o democrata Adam Hamilton derrotou o republicano Roger Marshall e se tornou o primeiro candidato de seu partido eleito senador pelo estado desde 1932, encerrando um intervalo de 94 anos.
Hamilton é pastor de uma congregação metodista e havia sido registrado como republicano meses antes da disputa.
No Texas, James Talarico conquistou uma cadeira no Senado para os democratas pela primeira vez desde 1988, após 38 anos.
A derrota republicana no estado também atingiu o governo estadual. A democrata Gina Hinojosa venceu Greg Abbott, governador desde 2015, e se tornou a primeira mulher latina eleita para o cargo.
Na Carolina do Sul, a democrata Annie Andrews derrotou Darline Graham e encerrou um período de 28 anos sem vitórias de seu partido em eleições para o Senado.
As conquistas contribuíram para a mudança no equilíbrio de forças no Congresso, que estava sob controle republicano antes da votação.
KioskNews shows a cleaned-up reading view extracted from the publisher’s page — the original always lives on their site, not ours.