Castelo de Bode. Abastecimento de Setúbal tem benefícios

A associação ambientalista Quercus considerou esta sexta-feira que a solução em estudo para abastecimento de água no distrito de Setúbal a partir de Castelo de Bode e do rio Tejo apresenta vantagens ambientais e económicas significativas para os consumidores.
“Além de permitir uma maior robustez e flexibilidade dos sistemas de abastecimento existentes, acaba por ser a única alternativa eficiente do ponto de vista ambiental e económico, quando comparada com a construção de unidades de dessalinização, as quais implicam enormíssimos impactos ambientais, sobretudo ao nível da rejeição de efluentes de grande concentração salina”, referiu a associação ambientalista, em comunicado.
Na opinião da Quercus, a dessalinização implicaria investimentos muito elevados, associados à captação, tratamento e bombagem da água.
Para a associação, a solução poderá garantir “maior resiliência aos sistemas de abastecimento sem transferir para as famílias e para as empresas os elevados custos energéticos, financeiros e ambientais associados à dessalinização”.
No entanto, a Quercus considera que o estudo do Governo deve ser realizado com “rigor técnico e transparência”, destacando a avaliação das necessidades atuais e futuras de abastecimento, garantias de que são respeitados os caudais ecológicos e os objetivos de proteção dos ecossistemas.
Considera igualmente que deve ser feita uma avaliação dos efeitos das alterações climáticas sobre as disponibilidades hídricas, a comparação entre os custos ambientais, energéticos e económicos e a definição de medidas de eficiência hídrica para a região de Setúbal no âmbito da redução de perdas e reutilização de água.
O Governo quer ter dentro de quatro meses uma solução para a falta de água na denominada Margem Sul, partindo da Barragem de Castelo de Bode e/ou do rio Tejo.
Na quarta-feira, a ministra do Ambiente, Maria da Graça Carvalho, disse que a solução técnica será complementar ao uso de águas subterrâneas e acrescentou que, por despacho publicado, a Agência Portuguesa do Ambiente (APA) e o Grupo ÁdP (Águas de Portugal) foram incumbidos de apresentar um projeto no prazo de 120 dias.
Nos últimos meses, o distrito de Setúbal enfrentou várias situações relacionadas com o abastecimento de água, sendo Almada um dos concelhos mais atingidos.
O município de Almada esteve em situação de alerta desde o início de julho e até final de agosto devido a sucessivas falhas no abastecimento de água, com especial incidência na Costa da Caparica, que levaram à realização de vários protestos por parte da população.
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