Vídeos com 'loirona de Flávio' foi gerada com IA e promove conteúdo adulto

Considerando os pacotes semanais, que custam R$ 14,90 e R$ 39,90, o faturamento bruto potencial da venda desses conteúdos poderiam variar de R$ 9,8 milhões a R$ 26,2 milhões por mês, caso todas as inscrições correspondessem a uma única modalidade e fossem mantidas durante as quatro semanas. Os valores são estimativas e não consideram taxas, cancelamentos ou a distribuição dos assinantes entre os planos.
A decodificação da chave Pix de cobrança (formato QR Code dinâmico/EMV) revelou que a conta recebedora dos valores pertence à empresa Sync Tecnologia Ltda., sediada em Brasília, com infraestrutura processada pela instituição Bass Pago. A empresa faz parte do mesmo grupo econômico da Sync Pay Ltda., fintech especializada em soluções de pagamentos e integrações com agentes de inteligência artificial.
Procurada pela equipe do Projeto Comprova, a Sync negou qualquer vínculo de seus sócios ou colaboradores com a criação da personagem "Julia Berlli Cortez" ou a gestão do perfil e do canal no Telegram. Em nota, a empresa esclareceu que atua unicamente como intermediadora e provedora de infraestrutura de liquidação financeira para seus clientes cadastrados. A companhia afirmou ainda que, após ser notificada pelo Comprova, abriu procedimento interno de análise da conta do usuário responsável pela cobrança e adotou as providências previstas em seus termos de uso e políticas de conformidade. Por força de sigilo contratual e da Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD), a empresa não divulgou a identidade do titular da conta.
Após o contato com a empresa Sync, as contas da "Julia" caíram tanto no Telegram quanto no Instagram.
Houve tentativa de contato com a equipe de Flávio Bolsonaro para se posicionar em relação à manipulação digital das imagens em eventos de sua campanha, mas o candidato não encaminhou resposta até o fechamento desta verificação.
Com qual objetivo os vídeos foram criados?
A estratégia observada no caso da "loirona do Flávio" combina a polarização política com a venda de conteúdo adulto. Ao inserir uma personagem hiper-realista em registros verídicos de comícios e caminhadas de figuras públicas de destaque, os criadores geram curiosidade e engajamento orgânico nas redes sociais.
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