Como Trump domou os falcões anti-China e se aproximou de Xi

Ao canal de televisão canadiano CBC, Tu Xinquan, especialista de Economia em Pequim, considera, ainda assim, que não haverá “espaço para coordenação” e que a competição marcará o futuro da inteligência artificial. “Os EUA colocaram muito peso na IA. É uma aposta total”, define o analista. A rivalidade tem impactos imediatos: os Estados Unidos estão a impedir a exportação dos chips mais avançados para o mercado chinês, ao passo que a China tem reforçado o seu domínio sobre os minerais de terras-raras — sendo responsável por 61% da extração global anual.
As terras-raras são indiscutivelmente uma vantagem para a China, o que faz com que os principais líderes das grandes tecnológicas reconheçam a importância estratégica do país no futuro. Em abril de 2025, em plena guerra comercial, Elon Musk advertiu que a escassez daqueles minerais podia provocar atrasos significativos na produção dos robôs da Tesla. Dito isto, os magnatas norte-americanos têm todo o interesse em preservar a estabilidade nas relações com o regime chinês.
A segunda administração Trump tem mantido uma relação bastante próxima com os empresários e líderes das grandes tecnológicas, que viajaram também para a China em abril de 2026. Elon Musk apoiou fortemente a eleição do atual Presidente há dois anos. Apesar da zanga que tiveram no passado, reataram a aliança e são atualmente próximos. Líderes como o fundador da Tesla podem estar, assim, a sussurrar ao ouvido do chefe de Estado sobre Pequim — e a convencê-lo de forma mais eficaz do que diplomatas como Marco Rubio.
Ainda esta quarta-feira, Elon Musk aceitou ser entrevistado pela televisão estatal chinesa. O dono da Tesla — a empresa automóvel que tem uma fábrica em Xangai — teceu fortes elogios a Xi Jinping. “Sob a sua liderança, a China alcançou enormes progressos no seu desenvolvimento”, destacou. Frisou que a prosperidade do país “aumentou enormemente” durante a liderança do atual Presidente, acrescentando que o dirigente chinês é “muito sábio e com visão de futuro”.
Tesla CEO Elon Musk praised Chinese President Xi Jinping as a "great leader" during an interview with China Media Group(CMG) on Wednesday.
"Under his tenure, China has prospered immensely," Musk said, citing progress seen from new buildings and infrastructure constructed in the… pic.twitter.com/kXrbbX8wKU
— CGTN Europe (@CGTNEurope) September 23, 2026
Enquanto empresário, Elon Musk sabe falar a mesma língua que Donald Trump, o homem que dizia “amar a China” quando vendia a investidores chineses apartamentos de luxo em Nova Iorque. Temas como a independência de Taiwan, as disputas no Mar do Sul da China e as questões dos Direitos Humanos no país — temas que habitualmente geram forte tensão entre Pequim e Washington — ficam remetidos para segundo plano em favor dos potenciais lucros económicos.
Para a China, o mais importante ainda é Taiwan
Do lado chinês, estas ligações aos magnatas norte-americanos são uma forma eficaz de exercer pressão sobre o poder político em Washington. Atraído por bons negócios, os grandes empresários são mais fáceis de persuadir do que os congressistas e senadores. No entanto, o poder político — tanto republicanos como democratas — e a própria opinião pública norte-americana continuam desconfiados em relação às intenções de Pequim.
No Congresso, existe um apoio bipartidário considerável em relação à manutenção da aliança com Taiwan. Em julho deste ano, os congressistas aprovaram a venda de um pacote de armas estimado em 14 mil milhões de dólares (cerca de 12 mil milhões de euros) à ilha. Donald Trump ainda não o aprovou e já assinalou que talvez não o faça. Aliás, os Estados Unidos têm suspendido a entrega de alguns equipamentos militares ao território.
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