7h. Porto. Manifestantes denunciam violência policial
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Começa agora o Jornal das 7, edição da jornalista Carla Jorge Carvalho e começamos com a TAP. O governo afirma que procura um consenso para privatizar a totalidade da companhia aérea e avisa que seria um erro histórico não avançar com a venda a 100%.
O Ministro das Infraestruturas fala de uma obrigação moral para fazer todos os esforços necessários para se chegar à segunda fase do processo, com a mira no PS. Miguel Pinto Luz avisa que quem bloquear o processo está a desperdiçar uma oportunidade para o país e para os portugueses. E do lado do governo, promete humildade.
Nós temos que encontrar esse consenso. Temos que apelar ao Partido Socialista. Temos que apelar a maiorias na Assembleia da República que permitam isso com humildade. Este governo não é um governo maioritário, é um governo de maioria, mas relativa. E, portanto, nós precisamos desses consensos. Como conseguimos construir o consenso para os 49,9%. Mas agora temos tangível em cima da mesa uma proposta. Uma proposta de sermos o segundo maior acionista do quarto maior operador do mundo e devolver aos portugueses 3,2 mil milhões de euros. Repare, um partido político que se coloque fora desta possibilidade está a perder a oportunidade de poder devolver aos portugueses os 3,2 mil milhões de euros, de ser acionista do grupo maior e de fazer da TAP, de facto, uma grande companhia.
Miguel Pinto Luz, em entrevista à TVI, CNN Portugal. Isto no dia em que a Lufthansa foi anunciada pelo governo como a vencedora do processo de privatização parcial da TAP. O ministro das Infraestruturas rejeita ainda qualquer carga ideológica no processo de venda e defende que a companhia aérea será melhor gerida por privados.
O drama da urgência da privatização da TAP prende-se com a incapacidade do Estado poder injetar, enquanto acionista, capital na empresa. E, portanto, ela tem que ser privada. Essa é a dimensão que eu quero alertar os portugueses. Nós não temos qualquer tipo de deriva ideológica e obrigatoriedade ideológica que temos que privatizar a TAP. A TAP é melhor gerida por privados, sim, nós acreditamos convictamente que sim. Temos que garantir todos os interesses estratégicos para o país, mas fazemo-lo também com a consciência de que a TAP não está imune a crises futuras.
O ministro das Infraestruturas, em entrevista à TVI, CNN Portugal, Miguel Pinto Luz, garante que a Lufthansa acredita no Estado português e na TAP e sublinha que é a primeira vez que o grupo alemão aceita um país como acionista.
E no mesmo sentido, o ministro das Finanças avisa que seria um erro histórico não avançar com a privatização total da TAP.
Aqui a entrevista foi na RTP. Joaquim Miranda Sarmento sublinha que o Estado português pode tornar-se no segundo maior acionista da companhia aérea alemã.
Há a possibilidade apresentada pela própria Lufthansa, e a Air France também o fez, de uma segunda fase em que o Estado português se tornaria o segundo maior acionista da Lufthansa, com 5%. Seria um erro histórico para o país se isso não acontecer. E eu estou convencido que o país percebe o extraordinário valor que foi criado, a grande oportunidade. A aviação é muito importante em Portugal. Esta é uma oportunidade extraordinária que o país não pode perder.
Declarações do Ministro das Finanças na entrevista à RTP no dia em que avançou a privatização parcial da TAP.
A compra da TAP é também o tema da história do dia de hoje, onde a grande repórter do Observador, Ana Suspiro, explica o que levou o governo a escolher a empresa alemã.
As propostas da Lufthansa e da Air France KLM eram semelhantes, tanto do ponto de vista técnico como estratégico. Ana Suspiro explica que a parte financeira fez a diferença. Vamos ouvir essa explicação.
Havia ali algumas diferenças, não só pela empresa alemã oferecer mais, mas pelo facto da proposta também ser considerada mais sólida. Ou seja, havia ali na oferta agora pela venda desta primeira tranche, que se vende uma minoria. Uma das condições da Air France KLM estava condicionada, ou seja, havia um aumento da oferta em função de resultados que a TAP viesse a obter. Enquanto que da Lufthansa estava fechado, era aquele valor. E depois há um outro cenário que também pesou na decisão do governo, que é o que acontece se o Estado vender a maioria do capital da TAP. Portanto, pediu às duas empresas: "Digam-me como é que vocês pretendem chegar aos 100% da TAP". E no caso da Lufthansa, a proposta foi bastante generosa, digamos assim, ou pelo menos foi muito bem vista pelo Estado português.
As explicações da grande repórter do Observador, Ana Suspiro, na história do dia de hoje.
E este é um tema em destaque a esta hora no site do Observador e vai estar em análise no Explicador de hoje, com uma entrevista a Hugo Espírito Santo, secretário de Estado das Infraestruturas. A organização dos protestos pela habitação no Porto acusa a polícia de agredir os manifestantes com brutalidade e violência extrema.
Agressões que terão acontecido esta madrugada na Praça Dom João I. Ao início da noite, os protestos continuavam, com um cordão humano constituído por cerca de 200 pessoas. Os manifestantes instalaram tendas na praça, em protesto contra os preços da habitação, sendo que o presidente da Câmara do Porto já tinha avisado que iria impedir a colocação de tendas nas ruas. O movimento garante que pelas 3:00 da manhã, depois já dos jornalistas terem saído do local, a polícia avançou, retirou os manifestantes da praça com violência extrema e desproporcional. Numa publicação nas redes sociais, o movimento dá conta de dois feridos graves, 35 feridos ligeiros e afirma que a polícia agrediu e atirou pessoas ao chão, incluindo um manifestante portador de deficiência. A Rádio Observador está a tentar contactar e confirmar estas informações junto da PSP e da Polícia Municipal do Porto. Ao início da noite, o repórter Miguel Pinheiro Correia dava já conta de um ambiente de alguma tensão.
O desafio à polícia já foi feito. Os manifestantes reuniram na Praça Dom João I e decidiram que vão voltar a montar tendas. Isto apenas poucos dias depois de as autoridades terem terminado o acampamento neste protesto contra os preços da habitação. A polícia não parou dessa vez o protesto. Os manifestantes continuaram desde segunda-feira até hoje, sem tendas, mas entretanto, esta tarde foi realizada uma grande manifestação com centenas de pessoas, seguida também de uma assembleia popular, onde ficou decidido isso mesmo, que vão continuar o protesto, neste caso, novamente, com tendas que já estão a ser montadas e desde esse anúncio, já podemos comprovar que foram montadas pelo menos 30 tendas, por isso deve prolongar-se este braço de ferro entre manifestantes, polícia e também a Câmara Municipal do Porto. Isto porque na segunda-feira, depois da retirada das tendas, a autarquia falou apenas num protesto ilegal, mas hoje as palavras do presidente da Câmara do Porto foram bem mais duras. Subiu o tom, o autarca disse que alguns dos manifestantes só querem causar distúrbios e até que estão mais preocupados com questões paralelas ao problema da habitação. A resposta destes manifestantes chegou nesta noite com esta grande mobilização. Criticam Pedro Duarte, dizem que quer tentar descredibilizar este movimento, que é justo e que irá continuar. E irá certamente continuar, como conseguimos comprovar pela mobilização que assistimos esta noite, vão sendo montadas cada vez mais tendas na Praça Dom João I, sob o olhar atento da polícia, que ainda não agiu, mas, porque os organizadores também confirmaram ao Observador que não têm uma autorização diferente daquela que também não tinham no fim de semana, quando a polícia atuou e retirou estas tendas. Por isso, a pergunta fica no ar. Sabemos que a polícia vai atuar, terá de retirar estas tendas. Agora resta saber quando.
Miguel Pinheiro Correia esteve a acompanhar os protestos contra os preços da habitação no Porto. Os manifestantes exigem medidas como a reversão da lei do arrendamento, o fim do despejo das pessoas sem habitação alternativa ou também tetos às rendas.
Olhamos agora para a atualidade internacional. O presidente ucraniano diz que se sente pessoalmente traído por Donald Trump, ao fim de quatro anos de guerra. Volodymyr Zelensky acusa o líder norte-americano de tomar o partido da Rússia.
A declarações na visita a Londres, Volodymyr Zelensky lembra o acordo entre Moscovo e Washington para a compra de diesel, anunciado este fim de semana, e também a falha na partilha de informações dos Estados Unidos sobre eventuais ataques russos para justificar a perda de confiança. O presidente ucraniano assume que está a perder um aliado. Ao mesmo tempo, num comício no Arizona, Donald Trump recusou classificar Vladimir Putin como ditador. O presidente dos Estados Unidos diz que está em negociações para acabar com a guerra e, por isso, explica, não pode ridicularizar o líder russo. Trump referiu-se ainda à Gronelândia e à Venezuela como os novos territórios da zona de influência norte-americana e voltou a afirmar que o Canadá vai acabar por tornar-se no 51º estado norte-americano.
Elon Musk também já veio esclarecer as falhas na partilha de informação para dizer que a responsabilidade final é do presidente dos Estados Unidos.
O dono da Starlink utilizou o X para explicar que qualquer falha de partilha de informações com a Ucrânia é dos Estados Unidos e não da empresa gerida por Musk. O empresário escreve que quaisquer limitações de velocidade ou utilização são decididas pelas Forças Armadas norte-americanas e, em última instância, pelo presidente dos Estados Unidos. Recorde-se que já na última madrugada, o chefe de Estado ucraniano se tinha queixado de ter deixado de ser informado pelos aliados dos ataques vindos de Moscovo.
Entra hoje em vigor o tarifário fixo dos táxis que saem do aeroporto de Lisboa.
Passa a ser de 16 ou de 19 euros, consoante a zona, mas não há controle de acesso aos taxistas credenciados. A medida surge depois de sucessivas queixas de passageiros, sobretudo turistas, relacionadas com cobranças excessivas ou recusas de destino. A repórter Rita Lourenço está no Aeroporto Humberto Delgado. Bom dia, Rita. O que é que dizem os taxistas sobre esta nova medida?
Bom dia, Carla. Os taxistas com quem falámos estão contentes com esta medida, porém, ainda há muito por perceber. Alegam que as tarifas fora de Lisboa estão tabeladas também, porém, não sabem se entram também hoje em vigor ou não. Falámos com o taxista Rui Macedo, que trabalha aqui no aeroporto também já há bastante tempo, e ele explicou exatamente isso. Acha benéfico, porque tira um bocado da desconfiança aos taxistas, porém, ainda não sabem como é que tudo vai funcionar.
A gente só sabe que é dentro de Lisboa, fora de Lisboa ainda é uma incógnita. Portanto, o cliente vem pra Lisboa, depende da localização, já sabe o preço que vai pagar. Isso é ótimo, porque não há aquela desconfiança que tem havido há anos sobre o setor do táxi. Agora, aqui há aquelas questões. Agora imagina Sacavém ou Portela, que é fora do Conselho de Lisboa, é Loures. As pessoas vão pagar a tarifa Loures, Linda-a-Velha, Conselho de Oeiras, está dentro praticamente de Lisboa. Quanto é que vai pagar? 36 euros. Portanto, são pequenos pormenores que faltam definir. Mas eu acho muito bem que haja esta tabela.
O taxista Rui Macedo fala também em vantagens para os taxistas que façam percursos curtos, uma vez que o valor é fixo, o que vai fazer também, segundo ele acredita, que venham mais taxistas para a praça de táxis do aeroporto.
O aeroporto, os preços são fixos, mas na cidade os preços não são fixos. Portanto, isto agora ou das duas, uma: ou o aeroporto vai ficar lotado de táxis, ou então não sei como é que vai ser, porque o trajeto é muito curto, são dois minutos
Isto aqui o trajeto de dois minutos. Já somos bastantes. Com o preço fixo, se calhar, ainda vamos ser muito mais, porque uma praça que esteja na Gare do Oriente, vem da Gare do Oriente pro aeroporto, paga €7, €8. Do aeroporto pra Gare do Oriente é o dobro. Portanto, não sei como é que vai ser isso.
Os taxistas alegam também que pode haver confusão com novos taxistas a juntarem-se aos que já costumam aqui estar, mas neste momento o clima é de concordância, todos estão de acordo com as novas tarifas. Porém, ainda há muito por descobrir sobre como vai funcionar fora de Lisboa.
Reportagem da Rita Lourenço a ouvir taxistas esta manhã junto ao Aeroporto Humberto Delgado. Há novas regras, novas tarifas. Os taxistas estão de acordo, mas ainda têm algumas dúvidas sobre o novo tarifário fixo.
São agora 7h13. Que outras notícias estão a marcar esta manhã de quinta-feira, Carla?
Toma hoje posse o novo secretário-geral do Ministério da Administração Interna, o major-general Nuno Parreira da Silva sucede a Ricardo Carrilho, que foi afastado por Luís Neves. É uma substituição marcada pela polêmica. O agora ex-secretário-geral fala no ato de retaliação, acusa Luís Neves de pressões ilegítimas. O ministro da Administração Interna rejeita as acusações, justifica o afastamento de Ricardo Carrilho com uma quebra de confiança na sequência de vários episódios. Os líderes da União Europeia reúnem-se hoje em Bruxelas para debater novas medidas de forma a conter os preços da energia. As negociações do próximo orçamento comunitário e o apoio financeiro à Ucrânia também vão estar em cima da mesa. Luís Montenegro vai estar na reunião. O Futebol Clube do Porto perdeu com o Betis em Espanha, 3x2, na Liga dos Campeões. É a segunda derrota dos Dragões nesta edição da Champions. Hoje é a vez do Benfica entrar em campo para a Liga Europa. Vai receber o Celtic às 8 da noite. Um jogo com relato e comentários em direto na Rádio Observador. Antes disso, o Torreense vai receber os ingleses do Sunderland, também para a Liga Europa.
E é o ponto final no Jornal das 7, edição de Carla Jorge Carvalho.
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