O plano da Huawei para recuperar o tempo perdido no mercado de smartphones do Brasil
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A Huawei inaugura uma loja autorizada no Shopping Center Norte, em São Paulo, neste sábado, 3. Em entrevista exclusiva à EXAME, Diego Marcel, gerente de Relações Públicas da Huawei CBG no Brasil, explica como a presença física ajuda a apresentar os produtos a novos consumidores. Relógios e fones são portas de entrada para a marca, que retomou a oferta de smartphones no país em 2025.
A volta da Huawei ao mercado brasileiro de smartphones passa por colocar seus produtos nas mãos de quem ainda não decidiu comprá-los. Neste sábado, 3, a companhia inaugura uma loja autorizada no Shopping Center Norte, em São Paulo, pouco mais de um ano depois de abrir sua primeira pop-up no Shopping Cidade São Paulo, na Avenida Paulista.
A expansão física atende a uma dificuldade que a vitrine digital nem sempre resolve: convencer o consumidor a experimentar uma marca antes de trocar o aparelho que já usa. Em entrevista à EXAME, Diego Marcel, gerente de Relações Públicas da Huawei Consumer Business Group (CBG) no Brasil, afirma que pegar um smartphone ou um relógio na mão tem um papel importante nessa decisão.
“O canal digital funciona muito bem para lançamentos e para quem já conhece a marca. Mas, para quem tem o primeiro contato, ir à loja e pegar o smartphone ou o relógio na mão faz toda a diferença no processo de convencimento”, diz Marcel.
A unidade no Center Norte amplia uma estratégia que também inclui espaços em Magazine Luiza, Casas Bahia e Fast Shop. A companhia está presente em mais de 300 pontos físicos por meio dessas parcerias, além dos endereços dedicados à marca.
A saída dos celulares — e o caminho de volta
A Huawei precisa recuperar espaço em uma categoria da qual se afastou. Em 2019, as restrições impostas pelos Estados Unidos afetaram seu acesso a tecnologias americanas e ao licenciamento dos serviços do Google para novos smartphones. A perda atingiu o braço de aplicativos e serviços aos quais consumidores de aparelhos Android estavam acostumados.
Não era uma proibição de vender no Brasil, nem o impedimento de usar o código aberto do Android, mas as restrições levaram a companhia a rever sua estratégia.
A Huawei deixou de apostar no mercado brasileiro de celulares e concentrou esforços no desenvolvimento de soluções próprias. A empresa continuou no país com equipamentos de telecomunicações, relógios e fones de ouvido.
A volta dos celulares aconteceu em 2025, depois de cerca de cinco anos de afastamento dessa categoria. Marcel associa a retomada à capacidade de oferecer ferramentas próprias, como a loja de aplicativos AppGallery. O desafio, agora, é reapresentar a marca a consumidores que, nesse intervalo, compraram aparelhos de concorrentes.
“A gente tem que correr atrás desse tempo que a gente ficou aí fora”, diz Marcel. A presença nos shoppings faz parte dessa tentativa. Na primeira pop-up, o chamariz eram os dobráveis: quem entrava pela Avenida Paulista encontrava aparelhos como o Mate XT, cuja tela se abre em três partes. O formato servia para mostrar o portfólio e despertar a curiosidade de quem passava.
A loja do Center Norte dá continuidade a esse movimento. Para Marcel, o contato presencial ajuda a demonstrar o que a companhia oferece hoje, antes de pedir ao consumidor que troque de telefone.
O relógio pode chegar antes do celular
“A gente não precisa convencer a pessoa diretamente a comprar o smartphone”, diz Marcel.
Segundo ele, trocar de celular exige um processo de convencimento mais longo. Relógios e fones permitem iniciar a relação com a Huawei sem essa decisão: os dispositivos vestíveis podem ser conectados a smartphones Android e iPhones pelo aplicativo Huawei Saúde. A disponibilidade de funções, segundo a documentação da fabricante, varia conforme os aparelhos e a versão do aplicativo.
Essa frente ganhou novos produtos em 24 de setembro, em um evento no Auditório Ibirapuera Oscar Niemeyer, em São Paulo. A companhia apresentou a linha Watch GT 7, o Watch 6, o Watch D3 e o fone FreeBuds Neo. A autonomia está entre os argumentos de venda: a fabricante estima até 21 dias de bateria para o GT 7 de 46 milímetros e o GT 7 Pro, dependendo do uso.
A proposta é oferecer diferentes caminhos para conhecer a marca, com produtos de áudio, monitoramento de atividades e funções de saúde. Depois desse primeiro contato, a Huawei espera ter mais oportunidades de disputar a escolha do próximo telefone.
Marcel afirma que o Brasil também passou a receber mais produtos do catálogo global e com maior rapidez. Os smartphones são fabricados na China e importados, segundo ele. O executivo descreve uma expansão do reconhecimento da marca, mas não apresenta números de vendas que permitam medir seu alcance.
“Esse ano a gente já fez muito mais lançamentos”, diz Marcel, ao comparar o calendário de produtos com o de 2025. A expectativa é manter essa expansão. “No ano que vem a gente vai ter novos lançamentos”, afirma.
A recuperação já aparece nos números da China. Segundo dados preliminares da IDC, a Huawei liderou o mercado chinês de smartphones no segundo trimestre de 2026, com 22,6% dos aparelhos enviados aos canais de distribuição, ante 18,1% um ano antes. Suas remessas cresceram 19,4%, enquanto o mercado recuou 4,3%.
No Brasil, ainda não há, nos dados públicos consultados, uma comparação que permita medir quanto dessa recuperação já aconteceu. Marcel descreve uma expansão do reconhecimento da marca, mas não apresenta números de vendas ou participação de mercado. As lojas e as parcerias com varejistas mostram como a Huawei pretende recuperar terreno; o tamanho desse avanço permanece sem uma medida pública.
Por enquanto, o passo mais concreto dessa estratégia tem endereço: uma loja onde o consumidor pode conhecer o produto antes de decidir levá-lo para casa.
Perguntas frequentes
Onde fica a nova loja da Huawei?
A loja autorizada fica no Shopping Center Norte, em São Paulo, com inauguração prevista para 3 de outubro de 2026. É o segundo ponto dedicado à marca nessa etapa da expansão.
É preciso ter um celular Huawei para usar seus relógios?
Não. Os relógios podem ser conectados a smartphones Android e iPhones pelo aplicativo Huawei Saúde. As funções disponíveis variam conforme os aparelhos e a versão do aplicativo.
Como a Huawei amplia sua presença física no Brasil?
Além dos endereços dedicados à marca, a empresa ocupa espaços em varejistas. Segundo Diego Marcel, são mais de 300 pontos físicos em parcerias que incluem Magazine Luiza, Casas Bahia e Fast Shop.
A Huawei havia deixado completamente o Brasil?
Não. A retomada de 2025 se referia aos smartphones. A companhia continuou atuando no país em equipamentos de telecomunicações e em categorias como relógios e fones de ouvido.
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