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Tuesday, September 29, 2026

Sotam fala à RS sobre ‘Fiquei o Tempo que Precisei’: ‘Queria falar sobre um lado que pouco se fala’

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Em entrevista, o rapper paulistano explica como o segundo capítulo de sua “caixinha amarela” mergulha nos lados difíceis de um relacionamento

Kadu Soares (@kadusoares__)

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Sotam
Sotam no ensaio fotográfico da EP 'Fiquei o Tempo que Precisei' (Foto: Divulgação)

Em 10 de setembro, Sotam lançou a EP Fiquei o Tempo que Precisei, segundo capítulo de um universo iniciado com Fique o Tempo que Precisar (2025). Com cinco faixas — “Epitáfio de um ex apaixonado”, com Murica; “Indecisão”, com Matheus Muniz; “O Ato de Nascer de Novo”, com Yngrid; “Melhor de Mim”, com Carla Sol; e “Céu Laranja”, novamente com Matheus Muniz —, o projeto ganhou um vídeo em plano-sequência que percorre as músicas sem cortes e mantém a estética amarela do primeiro EP. Em entrevista à Rolling Stone Brasil, o rapper paulistano, nome artístico de Thomaz Matos, falou sobre as diferenças entre os dois capítulos, o que “Foi Assim” lhe ensinou sobre fazer rap e seus próximos passos.

A mudança no título — do imperativo “Fique” para o passado “Fiquei” — vai além da estética. Para Sotam, ela marca uma virada temática. Se a primeira EP explorava o que ele chama de “mar de rosas” de um relacionamento, a admiração, a saudade, a sexta em que o casal se reencontra e o domingo em que se despede, o segundo aborda um território pouco cantado.

“Senti que precisava falar sobre uma relação que é real e de que nem tudo são flores. Esse projeto fala sobre um final, um recomeço, sobre perdoar e ser perdoado, sobre o quanto você precisa melhorar pessoalmente para também melhorar em um relacionamento. Queria passear por esse lado de uma relação que pouco se fala”, disse.

A faixa de abertura, “Epitáfio de um ex apaixonado”, surgiu de um encontro espontâneo com Murica no estúdio. Sotam queria compor sobre um término em que ainda houvesse amor, e Murica sugeriu o uso de colagens de texto. Foi então que Sotam se lembrou de um poema de Gabiisteca, que havia ouvido poucos dias antes. “A música fala sobre como teria sido a morte do ‘último’ romântico do mundo após ele deixar de acreditar no amor por conta de uma perda — e daí o projeto segue”, contou.

Presente em duas faixas, Matheus Muniz é mais do que um colaborador, já que também participa do processo criativo. “Das cinco faixas, três eu iniciei dentro de casa com o Rob, o Muniz, a Carla Sol, o Jok3r, o Pulim, a Yngrid e o Phyre. O que mais me deixa feliz é poder trabalhar com meus amigos”, disse. Já Carla Sol, que participa de “Melhor de Mim”, é “minha irmã”, segundo Sotam — alguém que “sempre traz um lado que eu ainda não enxerguei em algo”.

Sobre o vídeo em plano-sequência, Sotam explica que “o clipe é um convite para você entrar dentro do projeto e tirar um tempo para ouvir as músicas. Uma pessoa entrando naquele universo, se fazendo presente nele enquanto as músicas tocam, e no final saindo para seguir sua vida normalmente”, explicou.

A capa, com malas e caixas espalhadas, mantém o amarelo do primeiro EP e reforça a continuidade visual entre os projetos.

E foi justamente esse universo de sentimentos que inspirou o hit que veio antes de tudo isso: “Foi Assim”, que permaneceu por mais de 200 dias no Top 200 do Spotify e chegou ao 21º lugar no Viral de Portugal. A música nasceu de uma inspiração inesperada: “Escrevi aquela música para uma pessoa que eu ainda iria conhecer. Todos os detalhes eram coisas que eu ainda não tinha vivido, mas tinha muita vontade de viver. Foi uma espécie de prática da lei da atração”, explica.

Em relação ao futuro, Sotam não descarta um terceiro capítulo, mas também não faz promessas. “Tenho outros projetos em mente, mas pode ser que em um futuro possamos voltar a mexer nessa caixinha amarela”, disse. Enquanto isso, a Bloco dos Apaixonados Tour — que já passou por São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais e agora segue para a Europa — leva o universo do EP a palcos cada vez maiores. “Poder olhar no olho dessas pessoas e saber que elas também já sentiram algo que eu já senti ou sinto é algo inexplicável. Eles me ensinam que o sentimento não tem CEP ou localidade”, concluiu.

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Kadu Soares (@kadusoares__)

Kadu Soares é formado em Jornalismo pela Faculdade Cásper Líbero, possui um perfil no TikTok e um blog no Substack, onde faz reviews de projetos musicais.

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