Nova falha no Smart Sampa permite acesso a 17 mil câmeras conveniadas

"Se isso [o domínio] for comprometido, todas as câmeras, dependendo de como foi formado o sistema, estão comprometidas", diz. "É em coisas mínimas que um especialista da área de segurança percebe que o sistema foi criado por alguém que não tem experiência no mercado", completa.
A Folha de S.Paulo revelou que falhas no Smart Sampa, de fato, permitiam a usuários acessar câmeras de outros municípios, segundo documentos técnicos e relatos de especialistas. O UOL também teve acesso aos mesmos dados. Entre os registros está o acesso a uma câmera de leitura de placas em Campo Grande (MS) a partir de um login de São Paulo.
Os vazamentos e falhas do sistema não são de hoje. Penegui encontrou 15 credenciais de acesso ao Smart Sampa em bases de dados vazados, com registros de 2024, 2025 e 2026. Segundo o pesquisador, os dados foram capturados por um programa malicioso conhecido como infostealer, que rouba informações de dispositivos infectados. "Ele vai lá e rouba credenciais salvas no navegador", explica.
Responsável pela tecnologia do Smart Sampa, a Sentinelx foi criada um mês após a assinatura do contrato do programa, em 2023. O consórcio Smart City, originalmente formado por CLD, Flama Serviços, PK9 e Camerite, venceu a licitação com proposta de R$ 9,8 milhões mensais após a desclassificação de duas concorrentes —uma delas havia oferecido R$ 9,2 milhões. O contrato prevê R$ 588 milhões por cinco anos.
A Sentinelx entrou formalmente no consórcio em substituição à Camerite por meio de um aditivo assinado em dezembro de 2025. Desde aquele ano, tem entre seus sócios Jorge Marques Moura, também sócio da CLD, que assinou o documento como administrador do consórcio.
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