Defesa de pai de Vorcaro cita indefinição de caso Master no STF e pede fim de prisão
A defesa de Henrique Vorcaro, pai de Daniel Vorcaro, citou a indefinição da sessão do STF (Supremo Tribunal Federal) que decidiria se o ministro Alexandre de Moraes deveria ser investigado pelo seu suposto envolvimento no caso Master e os questionamentos sobre a relatoria do presidente da corte, Edson Fachin, para pedir mais uma vez pela sua soltura.
Na peça, enviada nesta quarta-feira (16) ao gabinete de Fachin, os advogados Eugênio Pacelli e Frederico Horta afirmam que Henrique está preso há mais de 90 dias, sem nova fundamentação que embasasse a sua detenção.
A defesa também afirma que recursos anteriores ingressados na corte contra a sua prisão preventiva sequer foram apreciados ou pautados para análise.
Além disso, argumentou um novo agravo, feito há mais de 30 dias, em que alegam que o caso deveria ser julgado pelo colegiado da corte, não teve movimentação por parte do então relator, o ministro André Mendonça, apesar de já contar com manifestação da PGR (Procuradoria-Geral da República).
Os advogados ainda ressaltaram que Henrique "padece de doença com grande capacidade de risco à vida", uma diverticulite recorrente, "conforme pedido e demonstração em petição da defesa".
Também pediram que o processo seja enviado à Segunda Turma do tribunal para apreciação e alegaram que "merece destaque o fato de que ali não se discute nenhuma conduta praticada por pessoa com foro privativo na corte".
"A matéria diz respeito à tal Turma, que seria arregimentada por Daniel Vorcaro, para fins ilícitos. Nenhum político, nenhum ministro, nenhuma autoridade, enfim, é mencionada naqueles fatos", acrescentou, dizendo que não há "qualquer grau de conexidade" sobre os fatos apontados contra Henrique com as "anunciadas relações de Daniel".
O empresário está preso na Penitenciária Nelson Hungria, em Contagem (a 21 quilômetros de Belo Horizonte), desde 14 de maio, após ser alvo da sexta fase da Operação Compliance Zero da Polícia Federal.
A PF afirma que ele seria o mandante do grupo conhecido como A Turma, que teria sido montado pelo dono do Master para ameaçar adversários com intimidações, coações e obtenção de informações sigilosas vazadas da PGR (Procuradoria-Geral da República) e da PF.
O pai do ex-banqueiro também teria sido o responsável por pagamentos e pedidos serviços a um outro grupo, Os Meninos, que reuniria hackers para tirar do ar reportagens contra o Master e contratar a publicação de conteúdo positivo para Vorcaro.
Em carta endereçada a Mendonça em junho, Henrique afirmou ter sido detido "por um total e absoluto equívoco" e negou ilegalidades. Ele admitiu que conhecia Luiz Phillipi Mourão, apelidado de Sicário, mas rejeitou qualquer tipo de operação irregular com ele.
Henrique, que tem 64 anos, também disse ter um pai de 94 anos que sustenta há mais de 30 anos, além de mulher e netos, segundo ele, desolados com a prisão, "além de uma filha que está arrasada cuidando dos três filhos pequenos sozinha e uma esposa que, em 45 anos, nunca ficou mais de cinco dias sem ele".
Folha Mercado
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