Maior prêmio ambiental do mundo, criado pelo príncipe William, revela finalistas de 2026
Nesta sexta-feira, 18, o Earthshot Prize divulgou os 15 finalistas de sua edição de 2026, os projetos que disputam aquele que hoje é considerado o mais influente reconhecimento ambiental do mundo, apelidado de "Oscar da sustentabilidade".
Selecionadas entre quase 7 mil indicações de 169 países, as iniciativas concorrem em cinco categorias, e os vencedores, um por eixo, serão conhecidos em 17 de novembro, em Mumbai, na primeira vez que a premiação desembarca na Índia. Cada um levará £1 milhão para ampliar seu trabalho.
Criado em 2020 pelo príncipe William e inspirado no discurso "Moonshot" com que John F. Kennedy desafiou os Estados Unidos a chegar à Lua ainda nos anos 1960, o prêmio nasceu com a ambição de reparar o planeta até 2030. Cinco anos depois, já passado o meio do caminho, um balanço ajuda a medir seu alcance.
Os 75 finalistas apoiados desde a fundação evitaram ou capturaram mais de 18 milhões de toneladas de CO2 equivalente e ajudaram a proteger ou restaurar 58 milhões de hectares de terra e 85 milhões de hectares de oceano e litoral.
Conheça os finalistas
Na categoria de proteção à natureza, entram a canadense Yellowstone to Yukon, à frente de uma das maiores colaborações de conservação da história, que reconecta uma extensa paisagem montanhosa entre Canadá e Estados Unidos para que a vida selvagem volte a se mover livremente.
Ao lado dela concorrem a australiana Indigenous Desert Alliance, que apoia 70 equipes de guardas na gestão do maior corredor de conservação liderado por povos originários do mundo, e o Butão, reino himalaio que fez da proteção ambiental cláusula constitucional e mostra como as florestas de uma nação pequena podem sustentar a segurança hídrica de toda uma região.
A argentina Satellites on Fire opera uma plataforma de detecção de incêndios florestais movida a inteligência artificial que rastreia focos em 21 países, e o faz mais rápido do que a Nasa, segundo a organização.
A indiana Mahindra Last Mile Mobility, uma das maiores fabricantes de triciclos do país, reformulou sua cadeia produtiva e hoje vende mais veículos elétricos de três rodas do que qualquer concorrente. Já a ugandense AirQo tenta fechar a lacuna de dados sobre poluição na África com uma rede de sensores de baixo custo e plataformas de dados abertos.
Nos oceanos, a norte-americana ZEMBA (Zero Emission Maritime Buyers Alliance) organiza a demanda de grandes compradores para forçar a descarbonização do transporte marítimo, enquanto o pequeno território de Niue, no Pacífico, protege sua área oceânica com um modelo de financiamento de longo prazo conduzido por lideranças indígenas.
A lista traz ainda a cidade de Barcelona, que investe 150 milhões de euros para transformar um dos litorais mais usados do continente em referência de adaptação ao clima, com 22 hectares de espaço público requalificado e hábitats marinhos recuperados na orla de Sant Martí.
O combate aos resíduos reúne a rede sul-coreana South Korea Zero Waste Movement Network, referência no enfrentamento ao desperdício de alimentos, a francesa PFAS-Free France, dedicada a eliminar os chamados químicos eternos, e a filipina Mother Earth Foundation, que dissemina modelos comunitários de lixo zero.
Na frente do clima concorrem a dinamarquesa Ørsted, uma das maiores desenvolvedoras de energia eólica offshore do planeta, a queniana Pula, que leva seguro agrícola a pequenos produtores com apoio de dados de satélite, e a indiana Mahila Housing Trust, que criou um modelo de resiliência ao calor liderado por mulheres, com telhados refletivos de baixo custo em assentamentos informais.
O ano em que o Brasil venceu
Em 5 de novembro de 2025, dias antes da COP30 em Belém, o Museu do Amanhã, no Rio de Janeiro, recebeu a cerimônia pela primeira vez na América Latina. A vendecora da edição passada foi a re.green o troféu na categoria de proteção e restauração da natureza.
Sediada no Rio de Janeiro, a empresa foi reconhecida por tornar financeiramente viável a recuperação da Mata Atlântica ao combinar inteligência artificial, drones e imagens de satélite com dados ecológicos e econômicos para identificar onde e como replantar.
Em Mumbai, a cerimônia de 2026 será apresentada por Karan Johar - um dos cineastas mais populares de Bollywood -, e há expectativa de que Kate, a princesa de Gales, acompanhe o marido, cuja última presença no evento foi em Boston, em 2022.
Em uma declaração publicada às vésperas do anúncio, William ligou a urgência do prêmio a um verão de incêndios no Reino Unido, que descreveu como mais um lembrete dos riscos de um planeta em aquecimento.
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