EUA certificam novo avião da Boeing após três anos de atraso

A reguladora da aviação civil dos Estados Unidos da América, FAA, aprovou o 737 MAX 10, o maior avião da fabricante aeronáutica Boeing, para o transporte de passageiros, pondo fim a três anos de atraso.
A certificação, anunciada na terça-feira, permite que a empresa norte-americana comece a entregar a aeronave, apresentada há quase uma década, a companhias aéreas, tanto nos Estados Unidos da América (EUA) como no estrangeiro.
“É impressionante pensar que demorámos quase 10 anos a chegar até aqui. Provavelmente, todos nós tínhamos um pouco menos de cabelos brancos há 10 anos”, disse o secretário dos Transportes, durante uma visita a uma fábrica da Boeing em Everett, perto de Seattle.
Sean Duffy afirmou na terça-feira que a certificação ocorreu após “extensas revisões de segurança”, incluindo milhares de horas de voos de teste, e classificou o feito como uma grande vitória para a indústria aeronáutica norte-americana.
Para as companhias aéreas, o 737 MAX 10, de maior dimensão, permite transportar mais passageiros num só voo, o que pode reduzir o custo por lugar.
Para os passageiros, isto poderá significar, no futuro, uma maior oferta de lugares em rotas populares, embora o impacto nas tarifas dependa da forma como as companhias aéreas irão utilizar estas aeronaves e do nível de concorrência que irão enfrentar.
A presidente da Boeing, Stephanie Pope, declarou durante a visita de Duffy que a certificação “abre caminho para a entrega de uma aeronave que estabelecerá um novo padrão na aviação comercial”.
Segundo a Boeing, o 737 MAX 10 terá capacidade, numa configuração típica, para 185 a 210 passageiros, em comparação com 175 a 195 no MAX 9 e 160 a 180 no MAX 8.
“Hoje [terça-feira] é um dia muito, muito especial. Coroa anos de trabalho árduo e dedicação de muitas pessoas”, disse Pope. “É mais um marco importante na nossa recuperação e abre as portas para o nosso crescimento futuro”, acrescentou.
A Boeing espera iniciar as entregas em 2027.
O 737 MAX 10 foi apresentado no Salão Aeronáutico de Paris, em 2017, com o objetivo de ajudar a Boeing a competir com a rival Airbus. No entanto, os obstáculos técnicos e regulamentares atrasaram repetidamente a certificação.
Mais de 30 clientes em todo o mundo encomendaram 1.555 unidades do 737 MAX 10 que ainda não foram entregues, montante que representa mais de 30% da carteira total de encomendas da família 737 MAX.
Esta família, a mais vendida da Boeing, com cerca de 4.400 encomendas, num total de cerca de 6.800 em todos os modelos comerciais, é também aquela que tem gerado mais problemas desde a sua apresentação, em agosto de 2011.
O mais grave foi revelado durante os acidentes da Lion Air, em outubro de 2018, e da Ethiopian Airlines, em março de 2019, que causaram um total de 346 mortos. O software antiperda de sustentação MCAS dos dois 737 MAX 8, entregues alguns meses antes, apresentava um defeito de conceção.
Toda a frota mundial de 737 MAX ficou imobilizada no solo durante pelo menos 20 meses.
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