Jenni Mosello revela como fez música com Ney Matogrosso: ‘Nasceu de um delírio’

Artista conta à Rolling Stone Brasil como teve coragem de mandar mensagem para o ícone da música brasileira e fala sobre o novo álbum, BRava
Karla Sthefany
Jenni Mosello realizou um dos encontros mais importantes de sua carreira de um jeito pouco convencional: mandando uma mensagem para Ney Matogrosso. A parceria está em BRava, novo álbum da artista, que reúne 13 faixas e participações de nomes como Xenia França, Elana Dara, Dani Black e Marcelo Tofani.
“Nasceu de um delírio”, brinca Jenni ao lembrar como surgiu a colaboração. Uma das primeiras músicas compostas para o disco chamou a atenção de um amigo, que imediatamente sugeriu que ela a enviasse para Ney.
O problema era que Jenni nunca havia falado com o artista. Mesmo com o contato em mãos, ela passou dois meses sem coragem de mandar a mensagem. Até que decidiu arriscar.
“Eu acho que sou doida o suficiente sim. Acho que sou maluca sim. Quer saber? Vou mandar essa mensagem”, conta.
Jenni escreveu um longo texto para Ney, explicando sua admiração e dizendo que, se fazia música, era também porque ele havia feito música antes dela. Para sua surpresa, a resposta veio no mesmo dia.
“Ele respondeu assim: ‘Amei, vamos fazer’”, relembra.
Um encontro pela música
A gravação só aconteceu meses depois, por conta da agenda de Ney. A faixa foi registrada em 14 de maio, apenas 15 dias antes do lançamento de BRava, em 29 de maio.
Mais do que o resultado da parceria, Jenni destaca a forma como Ney recebeu sua música. Segundo ela, o artista não perguntou sobre números, gravadora ou alcance: apenas ouviu, gostou e quis fazer.
“Eu ainda tenho esperança. Ainda dá pra acreditar que eu posso fazer música pela música”, afirma.
A experiência também reforçou o tipo de artista que Jenni deseja ser. Para ela, o encontro representou um reconhecimento de sua trajetória e uma confirmação de que vale a pena continuar apostando na própria música.
‘Precisei ser um pouco brava’
BRava nasceu de um processo de maior exposição e autoconhecimento. Jenni conta que teve medo de colocar o álbum no mundo por ser mais íntimo e também diferente de trabalhos anteriores.
“Precisei ser um pouco brava pra conseguir chegar nesse lugar”, explica sobre o título do disco.
A artista também aborda sua relação com a própria brasilidade. Por ter crescido fora do país e ser do Sul, ela conta que demorou a entender que poderia falar sobre o Brasil a partir de sua própria experiência.
“Eu sou tão brasileira quanto e vou falar do meu Brasil do meu jeito. Mesmo que ele seja mais frio, mais azul e menos encalorado, continua sendo o meu Brasil”, afirma.
A autenticidade, aliás, tornou-se um dos pilares de sua trajetória. Depois de anos tentando corresponder às expectativas dos outros, Jenni diz que hoje ser fiel a si mesma é “inegociável e inevitável”.
Com BRava, ela celebra essa liberdade e uma trajetória construída desde sua participação no X Factor Brasil, em 2016, até as indicações ao Grammy como compositora. Agora, além de Ney, a artista mira novos caminhos musicais e revela vontade de experimentar gêneros como forró e samba de roda.
Confira a entrevista completa:
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Karla Sthefany é formada em jornalismo e já foi repórter em diversos sites de entretenimento, como o Observatório dos Famosos, Entretê Spin OFF e NerdWeek. Hoje atua como repórter na CARAS Brasil, na Contigo! e na Rolling Stone Brasil. Apaixonada por música, cinema e livros. Críticas ou sugestões: [email protected]
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