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Friday, October 2, 2026

Com chapa de ex-governadores e apoio de Lula, Jerônimo busca manter o PT por 24 anos na Bahia

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Em 2022, Jerônimo Rodrigues entrou na disputa pelo Governo da Bahia como um candidato desconhecido, enfrentando ACM Neto, que deixou a Prefeitura de Salvador no ano anterior com índices de aprovação que o colocavam entre os gestores mais bem avaliados do país. Todas as pesquisas, exceto uma, apontavam vitória do ex-prefeito. Contrariando as estatísticas, Jerônimo venceu.

Quatro anos depois, a equação mudou. Jerônimo não é mais um desconhecido. É o governador, tem uma gestão para apresentar e será diretamente avaliado pelo eleitorado baiano. Aliado a isso, o gestor busca a reeleição para manter a hegemonia de 20 anos do PT à frente do governo da Bahia.

Sobre a avaliação da gestão, o governador tem pontuado bem nas pesquisas realizadas no estado. Segundo a pesquisa Quaest divulgada em 24 de setembro, o governo de Jerônimo Rodrigues tem 56% de aprovação e 35% de desaprovação. Quando perguntados se ele merece renovar o mandato, 52% dos entrevistados respondem que sim, enquanto 41% dizem que não.

Esses números, no entanto, não se convertem em vantagem na intenção de voto. Na mesma pesquisa, ACM Neto aparece com 42% contra 40% de Jerônimo — empate técnico dentro da margem de erro. Em uma simulação de segundo turno, Neto mantém a dianteira por 45% a 43%.

Apesar de aparecer atrás nas pesquisas, estrategistas do governador se mantêm confiantes na reeleição, destacam a aprovação nas sondagens e se ancoram em três pilares para garantir a vitória nas urnas: a entrega de obras e programas em todo o estado, a associação direta com o presidente Lula e a força da máquina partidária.

A nacionalização como trunfo

Lula visitou a Bahia oito vezes em 2026, duas delas já em período de campanha. A agenda mais recente foi uma caminhada entre Ondina e o Farol da Barra, em Salvador, no dia 29 de setembro, com a presença de Jerônimo, Rui Costa e Jaques Wagner. A associação com o presidente é vista como um “trunfo” para a coordenação de campanha do governador no embate contra ACM Neto.

Assim, a estratégia do PT é clara: transformar a eleição baiana em um plebiscito sobre Lula versus Bolsonaro. O cálculo se baseia em um dado objetivo — Lula venceu em 415 dos 417 municípios baianos em 2022. Se a eleição estadual for nacionalizada, Jerônimo herda a vantagem do presidente.

A pesquisa Genial/Quaest de abril já indicava essa lógica: 47% dos eleitores baianos preferiam um governador aliado de Lula, enquanto apenas 16% queriam alguém alinhado a Bolsonaro.

As entregas de Lula na Bahia também fortalecem o desejo de associação nacional da disputa da Bahia. Dentre os destaques estão a entrega da primeira unidade hospitalar no âmbito do novo PAC, a retomada da Fábrica de Fertilizantes Nitrogenados da Bahia (Fafen), além da entrega de mais de 380 residências do Minha Casa Minha Vida em Camaçari.

Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, durante ato de campanha em Salvador: o evento "Lula em Salvador: O Brasil Pronto Pra Mais", realizado no Circuito Ondina, Salvador - BA.

A máquina e a chapa fortificada

O poder de incumbência é outro pilar da campanha. Jerônimo conta com uma base aliada estimada em mais de 350 dos 417 prefeitos baianos, incluindo os 116 gestores do PSD, presidido no estado pelo senador Otto Alencar — a maior bancada municipal da Bahia.

Para o estrategista político Yuri Almeida, mestre em comunicação pela Universidade Federal da Bahia e fundador do Labcaos — instituto de Ciência de Dados e centro de pesquisa —, o domínio de siglas como PSD e outros partidos da base governista é um fator que impulsiona a candidatura de Jerônimo.

“O PT vem, eleição após eleição, consolidando não somente o governo do estado, mas também as prefeituras. Hoje a base aliada do PT é dominada pelos partidos da base, como PSD e Avante. Prova disso é que Jerônimo tem o apoio dos prefeitos na maioria das cidades”, diz Almeida.

A chapa majoritária foi fortificada com o lançamento de dois ex-governadores ao Senado: Rui Costa e Jaques Wagner.

A presença de Wagner é particularmente simbólica: foi ele quem rompeu, em 2006, 16 anos de domínio do carlismo, e sua trajetória é frequentemente evocada como prova de que o PT pode vencer no interior mesmo contra estruturas políticas consolidadas. Rui Costa, por sua vez, deixou o governo com índices de aprovação que ajudaram a impulsionar a candidatura de Jerônimo em 2022.

Yuri Almeida destaca o peso eleitoral da chamada “chapa dos governadores”. “Você tem uma chapa competitiva com dois governadores que, em seus respectivos momentos, foram os mais votados da história. Wagner foi o senador mais votado da história da Bahia e Rui foi o governador mais votado da história da Bahia”, afirma.

As marcas da gestão

O governador construiu uma narrativa de gestão em torno de entregas concretas, especialmente no interior. As escolas de tempo integral são o carro-chefe. Em três anos, foram inauguradas 740 unidades, e Jerônimo promete universalizar o modelo.

“Quem tem mais dinheiro sempre pôde colocar o filho em uma banca, em um reforço escolar depois da aula. O filho de quem não tem essa condição ficava sem essa oportunidade. O Estado da Bahia está garantindo isso”, afirmou o governador à rádio Baiana FM, localizada em Salvador, no mês de junho deste ano.

As unidades contam com salas climatizadas, laboratórios de informática e ciência, biblioteca, restaurante estudantil ampliado, quadras poliesportivas, pistas de atletismo e até piscinas olímpicas. O investimento total na ampliação da rede estadual de educação chega a R$ 9,7 bilhões, com mais de 100 escolas em construção e cerca de 150 em obras de ampliação e modernização.

Consultada pela EXAME, a Secretaria de Educação do Estado da Bahia afirmou que, de 2023 a 2025, o governo investiu R$ 20,3 bilhões na Educação Básica e Superior.

Na capital, a inauguração da primeira estação do VLT de Salvador, modal almejado pela população do subúrbio da capital, e o início das obras da Ponte Salvador-Itaparica são apresentados como marcos de uma gestão que destravou projetos históricos. A ponte, prometida desde 2009 durante o governo Jaques Wagner, finalmente saiu do papel com a assinatura do contrato em julho.

Por fim, na Região Metropolitana de Salvador (RMS), houve a chegada da BYD na antiga fábrica da Ford no Polo Petroquímico de Camaçari. A unidade estava fechada desde janeiro de 2021 e deixou mais de 4 mil pessoas desempregadas. Agora, com a reabertura após a chegada da companhia chinesa, cerca de 5,5 mil empregos diretos já foram gerados.

As cobranças na segurança

Por outro lado, o calcanhar de Aquiles da gestão de Jerônimo Rodrigues envolve os índices de segurança pública. De acordo com o Anuário da Segurança Pública, a Bahia concentra cinco das dez cidades mais violentas do Brasil e lidera nacionalmente o número absoluto de mortes violentas intencionais. Eunápolis, no extremo sul, é a segunda cidade mais violenta do país. Porto Seguro, Simões Filho, Jequié e Juazeiro completam a lista.

O estado também lidera as taxas de mortes decorrentes de intervenção policial. Porto Seguro registrou a maior taxa do país, com 32,3 mortes por 100 mil habitantes, seguida por Eunápolis, com 29,7. Seis das dez cidades brasileiras com mais de 100 mil habitantes com as maiores taxas de letalidade policial estão na Bahia.

O governo estadual sustenta que o fortalecimento do policiamento orientado pela inteligência garantiu reduções consecutivas das mortes violentas em 2023, 2024 e 2025. Os dados da Secretaria de Segurança Pública apresentados à reportagem apontam queda de 13,1% nos Crimes Violentos Letais Intencionais no ano passado. Mas o tema segue como o principal problema apontado pelos eleitores e como o principal eixo de ataque da oposição.

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