Avanço dos houthis ameaça rota crucial para Arábia Saudita

Os houthis passaram a controlar toda a costa do Mar Vermelho no Iémen com a conquista da ilha Perim, no Estreito de Bab al-Mandab, confirmou esta sexta-feira uma fonte do governo do Iémen reconhecido internacionalmente à AFP. Este avanço militar dos rebeldes pró-Irão visa travar a Arábia Saudita, que tem encontrado no Mar Vermelho uma via alternativa ao Estreito de Ormuz para a exportação de petróleo por via marítima. E está a ser visto como uma séria ameaça ao mercado mundial de petróleo e produtos refinados já em forte pressão por causa do Estreito de Ormuz.
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Mapa do Estreito de Bab al-Mandab com a ilha de Perim assinalada a vermelho[/caption]
Os houthis conquistaram na madrugada desta sexta-feira as últimas cidades da costa do Mar Vermelho que ainda não controlavam, numa rápida ofensiva contra as forças do governo do Iémen reconhecido internacionalmente. Entretanto, avançaram para as ilhas do Estreito de Bab al-Mandeb, entre as quais Hanish e Perim. “A operação foi coroada de sucesso e bênção de Deus Todo-Poderoso”, afirmou Yahya Saree, porta-voz militar dos houthis, na rede social X.
Depois da conquista da ilha de Perim, o grupo pró-Irão anunciou que a navegação marítima pelo Estreito “é segura para todas as companhias, exceto os navios sauditas sobre os quais já foi anteriormente anunciado um bloqueio”. O grupo rebelde prometeu continuar a atacar alvos sauditas “até ao fim da agressão e ao levantamento do cerco sobre o povo” do Iémen.
A Arábia Saudita tem recorrido cada vez mais ao Mar Vermelho para exportar petróleo desde que o Irão começou a atacar navios no Estreito de Ormuz. Estima-se que cerca de 12% das mercadorias mundiais são normalmente transportadas através do Estreito de Bab al-Mandab, segundo o The Guardian.
O Estreito de Bab al-Mandab é um ponto de uma das rotas entre a Ásia e a Europa através do Mar Vermelho. A ilha de Perim, também conhecida como Mayun, situa-se no centro do ponto mais estreito do Estreito de Bab al-Mandab e, até porem fim ao seu envolvimento ativo na guerra do Médio Oriente em janeiro, os Emirados Árabes Unidos (aliados da Arábia Saudita) estavam a construir uma base aérea no local.
Se os houthis conseguirem controlar efetivamente o tráfego marítimo por Bab al-Mandab, uma grande porção do tráfego global de energia passaria a estar nas mãos de duas forças anti-Ocidente. Apesar da garantia dos houthis de que a navegação no Mar Vermelho se vai manter segura (exceto para os sauditas), existe o receio de que os preços do petróleo possam subir ainda mais.
Entretanto, no dia em que os houthis tomaram controlo da ilha de Perim, o petróleo negociava acima dos 100 dólares por barril. Uma das explicações será o recente encerramento de um oleoduto vital para a Arábia Saudita — que tem ajudado o maior exportador mundial de petróleo a contornar o bloqueio do Estreito de Ormuz — após um ataque com drones cuja origem será o Iraque, dizem as autoridades sauditas.
Os recentes avanços dos houthis na costa do Mar Vermelho terão mesmo levado o príncipe herdeiro da Arábia Saudita a pedir a Donald Trump para atacar os rebeldes do Iémen. A informação foi avançada por duas fontes norte-americanas à Axios, que dão conta que o príncipe Bin Salman ligou duas vezes a Trump durante o dia de quinta-feira. No entanto, terá recebido uma nega do Presidente norte-americano, segundo a mesma fonte.
Apesar do recente aumento da ofensiva militar dos houthis contra Riade, a administração Trump “não tem planos para intervir diretamente contra os houthis por enquanto”, refere a Axios. Porém, prometeu fornecer informações à Arábia Saudita sobre os houthis e “dados para a identificação de alvos”. Além disso, foi noticiado que o responsável máximo do Comando Central dos EUA, Brad Cooper, se encontrava na Arábia Saudita para realizar “reuniões e coordenação” sobre as conquistas dos houthis no Iémen, avançou uma fonte à Al Jazeera.
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