O que se sabe sobre a relação entre Flávio Bolsonaro e Willer Tomaz


O senador Flávio Bolsonaro (PL), candidato à Presidência da República, é investigado pela Polícia Federal em um inquérito que apura suspeitas de lavagem de dinheiro envolvendo sua relação com o advogado Willer Tomaz. Os vínculos entre os dois passam por uma conta bancária conjunta —o que ambos negam—, viagens de jatinho, um apartamento usado na campanha eleitoral e até uma batalha judicial com o jogador Richarlison por uma ilha em Angra dos Reis (RJ).
Flávio e Willer já admitiram publicamente a amizade e dizem que se conhecem há muitos anos, mas negam qualquer relação comercial ou irregularidades envolvendo recursos públicos. Veja o que se sabe sobre a relação entre os dois:
Bets e viagens de jatinho
A nova investigação, que tramita sob sigilo no Supremo Tribunal Federal, teve origem em movimentações financeiras do setor de apostas online (bets). A PF encontrou indícios de que Willer Tomaz controla a casa de apostas Rede Loto e, após autorização judicial, quebrou o sigilo telemático do advogado, obtendo acesso às mensagens e dados do celular dele. Nesta terça-feira (20), Flávio pediu acesso ao inquérito que embasou uma operação contra Tomaz por lavagem de dinheiro.
A análise do celular do advogado revelou que uma holding de apostas online de sua propriedade pagou ao menos três voos de jato executivo para Flávio Bolsonaro viajar entre Portugal e França em 2025. Outra cota desse mesmo jato pertencia à empresa Prime You, que teve como sócio o ex-banqueiro Daniel Vorcaro.
As viagens em conjunto eram frequentes: em janeiro do ano passado, Flávio, sua esposa, suas duas filhas e Willer Tomaz voaram juntos de Fort Lauderdale (EUA) para Brasília. Além disso, uma foto de março de 2025 registrou o senador e o advogado em um safári na África do Sul, acompanhados do empresário Carlos Alberto de Sá e do senador Weverton Rocha (PDT-MA).

Conta conjunta
Como revelou o UOL, emails obtidos pela PF indicam que Willer Tomaz dividia uma conta no banco Santander com Flávio Bolsonaro. Em uma das mensagens, o senador é apontado como "usuário master", credencial que, na prática, permite que mais de uma pessoa ou empresa administre a conta e movimente valores de forma conjunta.
Em nota, ambos negaram a existência dessa conta.
QG de Campanha em São Paulo
A relação entre os dois também envolve transações imobiliárias. No início de agosto de 2025, Flávio Bolsonaro utilizou um apartamento de Willer Tomaz na Vila Nova Conceição, em São Paulo, para reuniões estratégicas de campanha e gravações de propaganda eleitoral.
Poucos meses antes, esse mesmo imóvel pertencia a Fabiano Zettel, cunhado e operador de Daniel Vorcaro. Willer Tomaz comprou o apartamento por R$ 3,5 milhões — um valor R$ 2 milhões abaixo do que Zettel havia pago pelo imóvel apenas um ano antes.
Escândalo do INSS
Willer Tomaz também é investigado na Operação Sem Desconto por suspeita de lavar dinheiro desviado das aposentadorias do INSS para o senador Weverton Rocha. O caso se conecta indiretamente ao senador, que é sócio da Flávio Bolsonaro Sociedade Individual de Advocacia, localizada em Brasília e administrada por Letícia Caetano dos Reis, cujo irmão foi preso no caso INSS.
Alexandre Caetano dos Reis foi alvo da PF sob a acusação de prestar serviços de contabilidade para Antonio Carlos Camilo Antunes (o "Careca do INSS"), apontado como operador no mesmo esquema em que Tomaz está sob investigação.
Disputa com Richarlison
O nome do advogado também ganhou repercussão devido a uma disputa judicial com o atacante Richarlison por uma ilha em Angra dos Reis. O jogador afirma ter investido R$ 10 milhões no imóvel e relata ter recusado uma oferta de compra feita pelo próprio Flávio Bolsonaro.
Atualmente, o imóvel está sob posse da WT Administração de Imóveis (empresa de Willer Tomaz) por decisão da Justiça. Em vídeo recente, Richarlison acusou o senador de ficar com a propriedade sem desembolsar nada e pediu uma investigação da PF, afirmando que "tomaram na mão grande".
Tomaz pediu à Justiça do Distrito Federal que o jogador Richarlison seja impedido de divulgar conteúdos com sua versão sobre a disputa pela posse da ilha, como reveleou o UOL nesta quarta-feira (21). O caso segue em tramitação.
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