Em eleição acirrada, Israel vai às urnas pela primeira vez desde os ataques do Hamas há 3 anos

Israel fez, nesta terça-feira (27), as primeiras eleições desde os atentados terroristas que mataram 1,2 mil pessoas três anos atrás. As pesquisas de boca de urna não indicam que nem o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu nem a oposição vão conseguir formar maioria.
O governo de Benjamin Netanyahu foi posto à prova nas urnas. É a primeira votação depois dos atentados terroristas de 7 de outubro de 2023, que desencadearam a guerra na Faixa de Gaza. Logo cedo, parentes das vítimas do maior massacre contra judeus desde o Holocausto pediram uma investigação sobre as falhas que permitiram o ataque.
O voto em Israel não é obrigatório. O eleitor não vota em um candidato, mas sim em uma lista de um partido ou coligação. O parlamento de Israel - o Knesset - fica em Jerusalém. São 120 cadeiras em disputa e um cenário muito dividido: nunca um partido conquistou sozinho a maioria absoluta das vagas. E, por isso, a formação de um governo depende das coalizões. É uma negociação tão acirrada, que até os partidos menores, que conseguem ultrapassar a cláusula de barreira, podem ser decisivos na escolha do novo governo.
Em eleição acirrada, Israel vai às urnas pela primeira vez desde os ataques do Hamas há 3 anos — Foto: Jornal Nacional/ Reprodução
Benjamin Netanyahu é o líder do Likud e tenta o sétimo mandato como primeiro-ministro. Em 2022, ele fechou acordos com partidos ultraortodoxos e de extrema-direita para conseguir governar. Uma família votou pela continuidade. A Agam disse que Netanyahu é o único que pode enfrentar os inimigos externos de Israel e destacou a aliança com o presidente americano, Donald Trump.
O principal adversário de Netanyahu é Gadi Eisenkot, ex-chefe das Forças Armadas de Israel, que perdeu um filho e dois sobrinhos na guerra de Gaza e é visto como um homem do povo. Um eleitor disse que Eisenkot é completamente diferente de Netanyahu: "Eu acredito nele. Ele é o homem que vai mudar o governo".
Vários temas sacodem a disputa, como o aumento do custo de vida; a independência do Poder Judiciário; a isenção dos judeus ortodoxos do alistamento militar; e, principalmente, a forma como os candidatos vão lidar com a segurança em meio aos confrontos históricos com o Irã e os grupos extremistas financiados pelo regime iraniano.
“As eleições israelenses, agora de 2026, elas representam as eleições mais importantes, pelo menos, das últimas décadas no país. Porque ela contrapõe o governo atual, cuja continuidade significaria uma perpetuação da situação bélica e de crise por mais alguns anos ou, talvez, a médio ou longo prazo, por muito mais tempo, contra uma possibilidade de tentativa de sair dessa situação, de resolver essas questões que foram inauguradas no 7 de outubro e de partir para um conserto dos problemas. É essa expressão que eles usam”, diz João Miragaya, mestre em História pela Universidade de Tel Aviv.
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