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Wednesday, October 7, 2026

Austrália abre inquérito sobre dados de óculos inteligentes

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A Austrália abriu uma investigação sobre a recolha e armazenamento de dados pessoais provenientes de óculos inteligentes de baixo custo, informou esta quarta-feira a autoridade de proteção de dados do país.

A investigação tem como alvo a empresa Shenzhen Qingcheng, sediada na China, cuja aplicação HeyCyan permite o funcionamento dos óculos Anko. Estes óculos inteligentes são vendidos a 89 dólares australianos (55 euros) em toda a Austrália.

O Comissário Australiano para a Informação (OAIC) indicou ter enviado, no mês passado, pedidos a várias empresas envolvidas no fabrico destes óculos — incluindo a Meta, a Kmart, a Google e a Shenzhen Qingcheng — sobre a forma como recolhem e armazenam os dados.

“Na ausência de resposta da Shenzhen Qingcheng aos pedidos preliminares da OAIC, não tenho garantias de que a empresa proteja os dados pessoais dos australianos, tal como exigido pela Lei da Privacidade”, declarou a comissária para a proteção da privacidade, Carly Kind.

Este silêncio “suscita preocupações quanto às práticas, procedimentos e sistemas da entidade para proteger as informações pessoais que detém”, acrescentou.

A comissária apelou ainda à cautela por parte dos comerciantes. “Tendo em conta os riscos específicos que a OAIC identificou relativamente à aplicação HeyCyan, convido os retalhistas em causa a ponderarem se é adequado continuar a comercializar estes dispositivos”, disse.

Os óculos inteligentes podem tirar fotografias, gravar vídeos, fazer chamadas, traduzir textos ou ainda interagir com robôs conversacionais que utilizam inteligência artificial (IA).

Em vários países, surgiram vozes contra as violações da privacidade possibilitadas por estes dispositivos, nomeadamente com vídeos de mulheres filmadas e publicados online sem o consentimento das mesmas.

O Governo norueguês declarou, em outubro, que pretendia suspender a utilização destes óculos em determinados espaços públicos.

Em França, o grupo de defesa das crianças e-Enfance indicou, em setembro, ter recebido vinte denúncias de mulheres filmadas sem consentimento, na maioria dos casos com óculos Meta.

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