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Wednesday, October 7, 2026

A vida de Alberto Sampaio (o de Viseu)

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Olá, seja muito bem-vindo. Esta é a história das histórias, eu sou o João Paulo Sacadura e continuamos a ouvir o Jorge Adolfo Marques, que no resto da semana vai nos falar de várias personalidades aqui da região centro, de Viseu, nomeadamente o Alberto Sampaio, o de Viseu. Vamos saber mais sobre este grande vulto. Olá, Jorge. Bem-vindo.

Olá. Pois é, João.

Grande nome.

Exatamente.

O resto da semana vais dedicar a evocar grandes nomes, grandes personalidades. Muito bem.

Quando falámos na nossa última conversa sobre a Mata do Fontelo, falámos de um grande bispo de Viseu, o D. Miguel da Silva, que foi uma figura extraordinária. E às vezes é importante também, nas comunidades, termos referências de personalidades que marcaram a história mais antiga ou a história mais recente. Ora vamos agora conversar um pouco sobre uma série de personalidades e vamos começar, neste programa, com Alberto Sampaio, não o Alberto Sampaio de Guimarães, o historiador.

Pois, era isso que eu ia dizer, porque a gente lembra-se logo do Museu Alberto Sampaio. Não é esse, é o de Viseu.

Não é esse, é o de Viseu. Alberto Sampaio de Viseu, tipógrafo, enquanto que o de Guimarães era historiador e formado em Direito. Agora, o nosso Alberto Sampaio, aquele de Viseu, nasceu em 1874. Curiosamente, estes dois Albertos Sampaios são contemporâneos, porque o de Guimarães nasce em 1841 e morreu em 1908, e o de Viseu nasce em 1874, mas também faleceu um pouco mais cedo, em 1903. Aliás, faleceu bastante jovem.

Muito novo. Sim.

Mas são contemporâneos. O Alberto António Sampaio nasceu em 1874. Ele era filho de uma senhora, Felicidade Maria dos Anjos, que era solteira, portanto não há a nomeação no seu registo de batismo, não há a nomeação do nome do pai. Ela vivia na cidade, morava na Rua Direita. A Rua Direita era a rua principal da cidade. Já falámos aqui nisso.

O cargo máximo.

Exatamente. E era neto de José de Figueiredo Lamego e de Maria do Carmo. Ele foi batizado poucos dias depois, pouco mais de duas semanas depois, no dia 20 de agosto de 74, na Sé de Viseu. E o seu padrinho foi uma figura importante aqui da cidade, um senhor que era proprietário, casado, José Xavier de Sousa Lobão, uma figura importante aqui da comunidade urbana de Viseu dessa altura. Morava também numa das entradas da cidade, em Cimo de Vila. Cimo de Vila, continuando a rua para o interior da cidade, entramos na Rua Direita. Até o topônimo indica uma zona da época romana. Cimo de Vila. E a madrinha do nosso Alberto Sampaio, foi Nossa Senhora do Altar Mora, na Sé. Portanto, é curioso. Ele cresceu em Viseu, foi tipógrafo e exerceu a sua profissão na Tipografia Central, na zona também do que hoje é o centro histórico, ali nas escadinhas da Sé. Era um homem inteligente, era um homem com boa oratória e foi um grande defensor das ideias socialistas e republicanas, então. Temos que ter em consideração que estamos ali nos últimos anos da monarquia, já uma vez falámos aqui nisso, e num período em que o ideal republicano e o ideal socialista e anarquista estão com uma grande dinâmica. Aliás, que vão levar, no caso português, à revolução republicana em 1910. Portanto, ele defende as ideias socialistas. De acordo com algumas descrições dele nos jornais da época, dizia-se que a tez era pálida, era delgado, era um sonhador e passou a vida a escrever e pregando às multidões. Portanto, era um orador, era um homem das multidões, tinha o amor pela humanidade. Ele sonhava levantar das ruínas esta sociedade egoísta, esta, a da época, e criar uma nova sociedade com igualdade, fraternidade. Portanto, esses ideais que estão no cardápio de todos esses movimentos que defendiam os mais pobres, os operários, toda uma massa de gente. Ele pertenceu à maçonaria, foi jornalista, fundou em 1898 um semanário republicano e socialista, aliás, intitulado mesmo de socialista, intitulado "A Voz da Oficina". É um jornal muito interessante, porque não é a voz da fábrica. Repare-se, em Viseu, a indústria é uma indústria muito artesanal. Há algumas fabriquetas Na época, a oficina tinha mais expressão do que a fábrica, por isso é que é a Voz da Oficina.

Ele fundou em que ano? Disseste 1800 e quê?

1898.

Incrível.

1898.

Faz lembrar a Voz do Operário também.

Doze anos antes da implantação da República.

Exatamente.

E é curioso que o jornal dele, que nós hoje guardamos esses exemplares, não só aqui, em alguns arquivos nacionais, mas aqui em Viseu também é guardado. Esse jornal é o primeiro jornal na cidade que proclama a República, em que nós temos a manchete, a capa, a implantação da República. É muito curioso. Mas é também curioso que publicam nesse jornal, nos anos do final da monarquia, muitas pessoas que estavam conotadas com a defesa dos ideais monárquicos. Portanto, não é um jornal que fechasse as portas aos monárquicos.

Dava voz também à oposição.

Dava voz. Portanto, liberdade de expressão ali bem expressa.

Há mais de 100 anos, incrível.

Olha, há um aspecto interessante é que ele escreveu uma obra, "O Libreto do Operário". Foi uma peça de teatro que foi levada à cena pela primeira vez no dia 1 de maio de 1903. Repara, no dia 1 de maio de 1903. Portanto, nas comemorações do 1 de maio. Para além de passeios, de festas, de vindas de operários e trabalhadores aqui da região, que vinham de comboio, no comboio da Linha do Dão, que nós já uma vez aqui falamos. Vinham esses trabalhadores aqui de uma série de fabriquetas aqui à volta da cidade e que vieram para essas comemorações, nomeadamente assistir à estreia dessa obra, "O Libreto do Operário".

Engraçado, era um homem dotado com as palavras, tinha jeito para orador, autor, autor de obras, extraordinário.

Claro. Um aspecto curioso e que até se liga de alguma maneira a mim, de forma muito afastada, é que um trisavô meu e o irmão dele foram atores nessa estreia.

Que engraçado.

Por quê? Porque eles pertenciam a um grupo de teatro amador do pai deles e que vão ser eles atores e, portanto, a comunicação social da época, os jornais, que havia uma série de jornais aqui na cidade, fazem eco dessa estreia, bastante elogiosos, diga-se de passagem. Mas a verdade é que o nosso Alberto Sampaio, apesar de toda essa fama, que foi um grande impulsionador do Instituto Liberal aqui em Viseu, vai morrer precocemente no dia 29 de março de 1904, vítima da doença dos intelectuais e dos artistas, que era a tuberculose. Morreu tuberculoso muito cedo. Ele tinha uma filha e faleceu. O seu funeral foi um funeral muito concorrido. E curioso é que em 1910, quando a cidade se expandiu para uma nova área aqui chamada a antiga Quinta de Massurim, a rua número um vai ser batizada de Avenida Alberto Sampaio. E passado uns anos, em 1916, o pintor Almeida e Silva pinta um dos medalhões da Câmara Municipal, que se encontram com as figuras ilustres da Beira, um deles é o Alberto Sampaio. Diga-se de passagem, que é o único que não é nem eclesiástico, nem de mérito, nem guerreiro, nem professor universitário, catedrático, portanto, é uma figura das massas.

Um intelectual que merece. Muito bem, uma grande homenagem aqui a este Alberto Sampaio. Não confunda com o de Guimarães, com o do Museu Alberto Sampaio, em Guimarães. Este é o Alberto António Sampaio, então este tipógrafo e orador, tinha certeza a magia das palavras, que era ali natural de Viseu. Muito obrigado, Jorge, por mais esta dica. Marcamos encontro amanhã, vais continuar a desfiar essas personalidades que vale a pena conhecer um pouquinho mais sobre elas. Até amanhã, Jorge. Muito obrigado.

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