Análise: vitória no clássico pode significar nova virada de chave no Náutico na Série B

Com 41 pontos, o Náutico já está praticamente livre do risco de rebaixamento, levando em consideração que a equipe precisa somar apenas mais quatro pontos nos oito jogos restantes (ou até menos).
Mas com a troca de comando, com a demissão de Hélio e Guilherme dos Anjos e a chegada de Bruno Pivetti, o que poderia ser algo apenas protocolar, fruto do desgaste entre comissão e elenco, pode se tornar motivação. Uma "virada de chave", como afirmou Paulo Sérgio, após o clássico.

Coletiva de Bruno Pivetti após vitória do Náutico sobre o Sport
Até porque, o fator motivacional foi a principal mudança apresentada pelo Náutico no clássico. Com apenas um treino, seria impossível para Bruno Pivetti mudar radicalmente a forma de jogar da equipe.
As três alterações promovidas na equipe foram todas de simples aplicação, com Ryan assumindo a lateral-esquerda e deslocando Igor Fernandes para a zaga, função já exercida outras vezes na temporada. Na frente, Derik voltou a ser acionado como homem de referência. Também nenhuma invenção. As substituições durante o jogo também foram corretas.
No esquema tático, a transformaçã mais importante foi o posicionamento de Jean Carlos, mais próximo à área adversária e sem tanto compromisso na recomposição. Coincidência ou não, assim, o camisa 10 foi o melhor em campo, com um gol e participação nos outros dois.
Jogadores do Náutico comemoram vitória sobre o Sport, pela Série B — Foto: Rafael Vieira/AGIF
Mas a mudança mais visível do Náutico no clássico, sem dúvida, foi a de postura. De um time completamente apático e sem força após a derrota por 3 a 0 para o Cuiabá, que pôs um ponto final no trabalho de Hélio e Guilherme dos Anjos, para um time ligado do primeiro ao último minuto, aplicado defensivamente, com imposição, acreditando em cada lance e deixando tudo dentro do gramado.
E ciente do clima conturbado que o Náutico vivia internamente com Hélio e Guilherme dos Anjos, é impossível não fazer essa associação à chegada de Pivetti.
Treinador que, não por acaso, voltou a relacionar jogadores até então escanteados, como o próprio Paulo Sérgio, que voltou a atuar após quase quatro meses. E se não vive sua melhor fase técnica, é inegável que o camisa nove exerce uma liderança dentro do elenco.

"Vida que segue feliz", diz Paulo Sérgio, após voltar a jogar pelo Náutico
O próximo jogo do Náutico é outra pedreira. Em tese, ainda mais difícil que o clássico. Contra o Fortaleza, sexta-feira, no Castelão.
Resta saber qual será a postura do time em campo. Algo que talvez conte tanto quanto o resultado.
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