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Saturday, October 31, 2026

O que podia ser um início não deixou de soar a despedida

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Ia ser apenas uma conferência de imprensa. Mais uma conferência de imprensa. Para falar sobre o quê? O encontro do dia seguinte, os pontos fortes e a explorar do adversário, o momento da equipa, um resumo do que mudou nas situações clínicas que impedissem ou não alguns jogadores de marcar presença nos eleitos. Durante vários meses, isto era uma conferência de imprensa de Rui Borges enquanto treinador do Sporting. Agora, na antecâmara da deslocação a Rio Maior para defrontar o Casa Pia, houve de tudo um pouco – tudo menos isso. “Se calhar se tivéssemos perdido em Lens e vencido o LASK Linz, já estava tudo bem. É a forma como olhamos para as coisas, as expectativas que nós próprios criamos…”, disse mesmo o treinador a certa altura, entre o disparar de questões sobre uma possível saída do comando técnico dos leões. Poderia ser assim? Provavelmente não. Mas, mais do que a antevisão de um encontro, houve uma radiografia da época.

Sporting vence Casa Pia em Rio Maior com golos de Pedro Lima e Geny Catamo e volta aos triunfos na Liga

“A equipa está motivada para dar uma resposta diferente. Sabemos o clube que representamos e a exigência que é jogar no Sporting, de querer ganhar sempre. Sabemos das dificuldades, temos tentado abstrair-nos ao máximo do ruído dos resultados negativos. É saber conviver com isso, focar no trabalho e tentar fazer o nosso melhor e focar no adversário. Se sou um treinador a prazo? A prazo os treinadores estão sempre, desde que estou no Sporting que estou sempre a prazo. Estou focado naquilo que controlo, que é o jogo”, frisou. “Não vou dizer o teor das conversas com o presidente, como é óbvio. Falamos do dia a dia, da equipa. O ruído? Bola, zero. Passa-me ao lado. Podem acreditar, não me preocupa absolutamente nada. Não cheguei aqui de paraquedas. Não era o melhor, não sou o pior quando os resultados são negativos”, reforçou.

A opção pelo guarda-redes titular depois da grande exibição de Rui Silva, a construção do meio-campo com um Pedro Lima que se mostrou na Taça da Liga com um bis ou as opções no eixo central recuado passaram ao lado de uma conversa quase monotemática que tinha como tema único a posição de Rui Borges no clube e a capacidade de dar a volta aos maus resultados – com o técnico a colocar-se sempre do lado da solução e nunca na parte do problema. “Sei bem em que clube estamos. Sabemos a estratégia, o olhar para o futuro do clube. Foi sempre tudo feito em concordância, todos juntos. Se é preciso tempo? Podia estar a dizer que precisávamos mas no futebol não há tempo. O treinador está a prazo desde o primeiro dia, há uns que dizem que as malas estão sempre prontas. Não me vou justificar com isso, temos que evoluir e crescer o mais rápido possível. Vieram muitos jogadores novos para uma equipa que luta por tudo, os comportamentos eram totalmente diferentes, são jovens… Mas tenho de arranjar soluções, é isso que quero”, assegurou.

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“Tem tudo a ver com a paciência ou não, o crescimento ou não dos jogadores. É óbvio que queríamos estar mais à frente nesse processo mas, até por um ou outro resultado negativo, acabámos por não ter a melhor confiança para dar consistência. Resta-nos continuar a trabalhar, extrair o melhor de cada um deles e fazer entender melhor o que cada um tem de fazer. Não me agarro à questão do tempo, tínhamos de fazer mais e melhor em alguns jogos e não fomos capazes. Por isso, o meu foco está em melhorar. Agora o Sporting parece que sofre um golo, ganha mas é o fim do mundo na mesma, se calhar os outros clubes têm mais ações defensivas. Tudo depende da forma como olhamos para as coisas, mesmo com o Sporting a ganhar parece que é o fim do mundo e não é assim tanto como parece”, voltou a lamentar em relação às “perceções”.

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Entre o verdadeiro inquérito que foi acontecendo, houve também um momento mais emotivo que entroncou em muito do que Rui Borges há muito tempo tem lamentado: considerar que nunca foi reconhecido como deveria ser. “Contestação? Fico igual, exatamente igual. De coração. Claro que ficamos um pouco tristes aqui ou ali, não sou nenhum robô, mas percebo. Desde o primeiro dia em que disse ‘Quero ser treinador’… Nunca fui um grande jogador, se calhar podia ter sido melhor, mas fui sempre líder, capitão. Percebi sempre que não queria ser adjunto, que queria ser treinador principal, e sabia que ia estar exposto a muita coisa. Vou ser o mais honesto possível, só há uma coisa que me magoa: quem sofre não sou eu. É o meu filho, a minha mulher, os meus pais, a minha irmã. Tem havido muita falta de respeito pelo Rui Borges desde que cheguei, magoa-me. O meu filho foi enxovalhado no último jogo dele por ser filho de quem é. E isso não admito. O resto, o ruído… Por vocês, já tinha sido despedido há uns anos e fui campeão nacional”, atirou.

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“Tudo tem a ver com arranjar equilíbrios. Principalmente nesta fase, com algum desconforto e desconfiança, haver mais equilíbrio. Temos tido algumas dificuldades contra blocos baixos porque a nossa equipa não é comparável ao Sporting anterior. No ano passado a equipa era madura, com jogadores feitos, de qualidade, que se conheciam de olhos fechados. Este ano a equipa é diferente, tem características diferentes. Podem ser daqui a dois ou três anos diferentes? Podem. Nesta fase, é uma equipa mais de jogo de corredores. Temos de melhorar as chegadas à área e tirar partido de tudo isso. O jogo interior vai existir sempre mas não vai ser tanto como antes. Não é essa a questão. Esta fase tem muito mais a ver com o conhecimento e como podemos extrair ao máximo o individual de cada um, dentro de um sistema adaptável”, rematou, numa nova análise agora mais tática às principais virtudes e problemas de um conjunto que apresenta dez caras novas.

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Porquê refletir tanto sobre uma só conferência? Porque havia essa ideia clara de que Rui Borges podia estar numa das últimas conferências, tendo em conta todo o ambiente que se vai vivendo em Alvalade. Ao mesmo tempo, porque este era também aquele momento em que se vê a forma de reagir de um grupo e de todos os jogadores, que após os triunfos com personalidade em Braga e em Lens acabaram por “colapsar” em dois jogos que ninguém esperava deixando a margem de erro no Campeonato tendo em conta a desvantagem de nove pontos para o FC Porto e de cinco para o Benfica. Houve reação. Não tanto como se podia esperar, mais do que suficiente para o regresso às vitórias. E aquilo que podia ser o início de algo, com Pedro Lima a voltar a mostrar que tem características que podem acrescentar muito ao meio-campo do Sporting (quando expirou em termos físicos, esse setor sentiu a falta), não deixou de soar a despedida – venha ou não a acontecer.

DESTAQUES SPORTING⭐️
[ Casa Pia 0-2 Sporting ]

???? IVÁN FRESNEDA ???????? – Somou um bis de assistências e já leva 4 na Liga, um progresso grande para um lateral que chegou "miúdo" ao Sporting e apenas com rotinas defensivas

???? PEDRO LIMA ???????? – Outra vez em alta, e deixou os adeptos a… pic.twitter.com/gg2EI1bDtn

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????️ Fresneda está em modo assistente!

Com quatro assistências em 2026/27, o lateral do Sporting já estabeleceu o melhor registo da carreira, superando as duas da época passada!

???? E vem de dois jogos consecutivos a assistir, com direito a dose dupla frente ao Académico e ao Casa… pic.twitter.com/HuuecnwEfh

— Playmaker (@playmaker_PT) October 30, 2026

Ficha de jogo

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Casa Pia-Sporting, 0-2

10.ª jornada da Primeira Liga

Estádio Municipal de Rio Maior

Árbitro: Miguel Fonseca (AF Porto)

Casa Pia: Patrick Sequeira; André Geraldes, Khaly, David Sousa (Jatta, 85′), Pedro Rosas; Seba Pérez, Ofori (Gabi Pereira, 64′); Mohamed Salah (Livolant, 46′), João Rego, Pauwels (Abdu Dafé, 74′) e Henrique Araújo (Cassiano, 85′)

Suplentes não utilizados: Ivan Mandic, Kevin Prieto, João Goulart, Felipe Silva, Selvi Clua, JP e Evans Maurin

Treinador: Filipe Coelho

Sporting: Kaique Pereira; Iván Fresneda, Eduardo Quaresma, Gonçalo Inácio, Maxi Araújo; Altimira, Pedro Lima (João Simões, 76′), Silas Andersen (Doumbia, 62′); Luís Guilherme (Geny Catamo, 62′), Irankunda (Flávio Gonçalves, 62′) e Luis Suárez (Ioannidis, 86′)

Suplentes não utilizados: Rui Silva, Vagiannidis, Ibrahima Ba, Eduardo Felicíssimo, Moncef Zekri, Jesse Derry e Rafael Nel

Treinador: Rui Borges

Golos: Pedro Lima (13′) e Geny Catamo (90+4′)

Ação disciplinar: cartão amarelo a David Sousa (9′), Khaly (20′), Silas Andersen (29′) e Maxi Araújo (90+3′)

Entre todas as previsíveis alterações na equipa inicial, à luz da última partida de terça-feira com o Marítimo em Alvalade para a Taça da Liga, Rui Borges decidiu mexer um pouco mais nas opções: fez regressar a defesa tipo com Eduardo Quaresma em vez de Ibrahima Ba, mudou o meio-campo apostando em Silas Andersen e Pedro Lima com Altimira e voltou a apostar em Luis Guilherme, Irankunda e Luis Suárez na frente diante de um Casa Pia em crescimento, com outros argumentos em termos de organização defensiva e mais capacidade de controlar as partidas como não acontecia nas jornadas iniciais. Foi isso que imperou nos minutos iniciais, entre uma falta não assinalada sobre Pedro Lima à entrada da área apesar de ter ficado com a bota rasgada e alguns passes curtos errados que emperravam toda a dinâmica em ataque organizado dos leões. Contudo, ficava um sinal importante: o Sporting queria agarrar no jogo e mostrava confiança para isso.

[Clique nas imagens para ver os melhores momentos do Casa Pia-Sporting em vídeo]

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