Passos: mais importante do que aquilo que disse é o que fez

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Este é o Bom, o Mau e o Vilão das manhãs 360. Olá, bom dia, Miguel Pinheiro.
Bom dia.
Bom dia. Miguel, o teu bom deu uma entrevista.
Pois deu. Passos Coelho deu uma entrevista ontem à Maria João Avilez, a primeira entrevista em televisão desde que deixou o poder. E ele é o bom, não tanto pelo que disse, mas pelo que fez. O que ele disse foi importante, claro. Passos repetiu agora de viva voz, em direto e ao vivo, que depois dos governos de António Costa, o eleitorado esperava uma mudança significativa e que, na sua opinião, essa mudança não existe. Pelo contrário, existe uma continuação da forma de governar de António Costa, agora através de Luís Montenegro. Insistiu que os partidos da direita deviam ter conseguido se entender depois das primeiras eleições lá atrás, em 2024, e voltou a afirmar que estamos a andar a uma velocidade demasiado lenta. Teve também uma boa frase de efeito, foi esta: ele disse: "Alguma coisa de errado se está a passar com Portugal". Já estou a imaginar os cartazes. Mas sobre as suas intenções, Passos Coelho também confessou novamente que se o PSD não vier a ser bem-sucedido, se não vier a entregar um resultado satisfatório, ele ponderará e tomará uma iniciativa. Mas lá está, mais importante do que aquilo que disse é aquilo que fez no passado. Passos deu conferências em universidades, apresentou livros, escreveu prefácios, até deu uma entrevista sobre o seu tempo de governo aqui na Rádio Observador, também à Maria João Avilez, mas ontem ele deu o salto pra uma televisão. Ou seja, cada vez está a falar pra mais pessoas, e eu diria que se ele quisesse voltar a ser primeiro-ministro, se quisesse, vamos lá ver se quer, mas se quisesse, o plano, obviamente, seria este, seria ir aos poucos, devagarinho, até ir chegando a mais e mais pessoas.
E é clarificador isto. Isto é, agora também não pode ser acusado de não se perceber quais são as intenções, isto ou aquilo. Tem as ideias dele e diz se for necessário eu é que estou, basicamente.
Sim, mais claro, só se fizesse um desenho.
Claro.
O teu mau é contra a descida do IRS.
Parece que sim. Mário Centeno, o ex-ministro das Finanças, que como toda a gente sabe, quer um dia ser primeiro-ministro, anda num frenesim de intervenções. Há dias deu uma entrevista à TSF e ao Jornal de Notícias e aí fez uma crítica dura à decisão do governo de descer o IRS. Ele disse isto: "Faz sentido reduzirem os impostos a quem ganha mais do que 10 mil € por mês? É que a grande parte da despesa fiscal que está a ser aprovada no Parlamento favorece essas pessoas", fim de citação. Ora, há aqui várias coisas interessantes. Primeira: não sei de onde é que ele agora de repente tirou as pessoas que ganham 10 mil € por mês. Claro, há pessoas que ganham 10 mil € por mês, mas a redução do IRS favorece todas as pessoas que não ganham 10 mil € por mês. Segunda: as pessoas que ganham 10 mil € por mês estão muito pra lá, sequer da fronteira pra entrada no último escalão de IRS, o mais alto. Anda à volta essa fronteira nos 7 mil €, portanto, tão muito pra lá. Terceiro: as pessoas que ganham 10 mil € têm uma taxa marginal de IRS de 48%. É essa a taxa marginal pra este escalão lá de cima. Portanto, se calhar, Mário Centeno acha que é pouco. Talvez ache que a taxa marginal podia subir, sei lá, pra 50%, 60%.
70.
70. Talvez as pessoas que ganham 10 mil €, em vez de lhes ser aplicada a progressividade do imposto, podiam pagar tudo, todo o seu rendimento nestes 60, 70%, pra assim finalmente termos justiça social e termos um país moderno. Não sei. Olha, aqui é o contrário. Mário Centeno podia ser mais claro.
Nas suas intenções.
Passos Coelho é muito claro. Mário Centeno podia explicar-nos então o que ele quer fazer a estes malvados que ganham 10 mil € brutos por mês. O que é que ele quer fazer? Qual é o plano dele, já agora?
É que logo a seguir, depois toda a gente lamenta a saída de pessoas qualificadas que vão trabalhar pra fora e o talento que está a fugir, não é só mão de obra não qualificada. Enfim, decidam-se.
Certo. É isso. Portanto, era interessante perceber estes pecaminosos que recebem 10 mil € brutos por mês, o que seria deles com um governo de Mário Centeno.
Portanto, o teu mau é contra a descida do IRS, já o teu vilão é contra a descida do IRC.
Claro, Maria João, mas pra quê andarmos aqui a baixar impostos? Então, José Luís Carneiro falou sobre o tema este fim de semana, depois da Comissão Nacional do PS, que foi no sábado, o líder socialista explicou que apesar de viabilizar o orçamento, ele é contra muita coisa que lá está. Tudo bem, mas depois explicou que o partido é especificamente contra a descida do IRC. Sendo que eu até acho que esta descida que está a acontecer este ano ainda está englobada naquelas conversas que houve com o Pedro Nuno Santos, eu até acho que o Pedro Nuno Santos, penso eu Não sei, agora não quero estar aqui a mentir. Tinha a ideia que esta descida de um ponto percentual por ano, neste segundo ano, foi falada na altura. Mas enfim, aqui o ponto é: estamos a falar de uma descida de IRC de um ponto percentual. Não é uma descida de 10 pontos, é de um ponto percentual. E José Luís Carneiro está muito preocupado porque isto significa menos 300 milhões de euros de receita, ou seja, nada para o Estado. Isto não é nada, se olharmos para os valores que estão envolvidos com as contas do nosso Estado. Segundo o PS, o Estado não pode abdicar de 300 milhões a favor das empresas. E aliás, é pior. Segundo ele, o Estado está a fazer isto para beneficiar, eu vou citá-lo: "quem menos precisa". Para José Luís Carneiro, as empresas são quem menos precisa de uma redução de impostos, porque claro, para os socialistas, as empresas, sejam pequenas, médias, grandes, as empresas, qualquer empresa, todas as empresas são ricas, são todas exploradoras, são todas privilegiadas. Realmente, o PS não engana.
É verdade. Tão boas empresas, mas depois o país na produtividade e na capacidade para exportar, pelas ruas da amargura. É assim.
Enfim. Eu, por acaso, até agora tenho aqui a ideia, eu acho que Pedro Nuno Santos já era contra esta descida de IRS, de facto.
Era. Andaram ali os vestidos, era dois pontos, um ponto, era sei lá.
E ele também era. Tenho ideia. De qualquer forma, é assim que estamos.
Vamos ao resumo. O bom desta segunda-feira é Pedro Passos Coelho, o mau é Mário Centeno e o vilão é José Luís Carneiro. Foram as escolhas do Miguel Pinheiro nas manhãs de 360, que também pode ouvir daqui a pouco em podcast.
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