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Sunday, October 11, 2026

O meu filho já experimentou álcool. E agora?

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Alguns estudos referem que o consumo de álcool durante a adolescência está associado a alterações no desenvolvimento e funcionamento cerebral, mas esse não é o único problema: quanto mais cedo começa o consumo, maior é o risco de desenvolver problemas relacionados com o álcool no futuro. Por outro lado, o consumo de álcool também representa um risco no imediato: diminui a capacidade de avaliar riscos, aumenta a desinibição e afeta a coordenação, pelo que está associado a um aumento de acidentes, quedas, violência e relações sexuais desprotegidas ou não consentidas.

Uma primeira experiência, contudo, não significa necessariamente que exista um problema. O consumo problemático, de acordo com Rita de Oliveira, envolve outros sinais, “nomeadamente, um início muito precoce, episódios de embriaguez, beber sozinho, beber para lidar com as emoções ou consumos que começam a ter reflexo na escola, no sono ou na vida diária”.

Os pais não podem impedir o adolescente de beber, mas há atitudes que podem reduzir o risco de consumo, entre elas estão “uma relação próxima e de confiança, comunicação frequente, regras claras relativamente ao álcool e uma supervisão adequada à idade”, explica a psicóloga. A comunicação sobre o tema deve ser franca, para que o adolescente saiba qual é a posição dos pais relativamente ao álcool e quais são as regras.

Idealmente, estas conversas devem acontecer antes de surgir o primeiro episódio de consumo e manter-se ao longo da adolescência. “Falar antes de existir consumo permite que os pais transmitam expectativas e limites e que o adolescente tenha oportunidade de colocar as dúvidas que possam existir”, diz Rita de Oliveira. Quanto à forma, a especialista considera que, habitualmente, conversas curtas e naturais, por exemplo, a propósito de uma notícia ou de uma situação concreta com um amigo, funcionam melhor do que uma conversa formal marcada para o efeito.

Se os pais perceberem que o adolescente bebeu, tenham ou não existido conversas prévias sobre o tema, Rita de Oliveira deixa algumas ideias:

  • A primeira prioridade é a segurança do adolescente: se estiver alcoolizado, esse não é o momento para ter uma conversa. É preciso garantir que está bem e falar no dia seguinte, com calma;
  • Importa compreender o que bebeu, em que quantidade, com quem e em que contexto. Esta informação ajuda os pais a distinguir uma experiência pontual de um padrão que merece atenção;
  • São de evitar os extremos: por um lado, as ameaças, a humilhação ou o castigo, que podem levar o adolescente a esconder os consumos e tornar menos provável que recorra aos pais numa situação de risco. Por outro, a banalização: minimizar o episódio transmite a mensagem de que não há motivo para alarme.
  • O que tende a funcionar melhor é combinar apoio, quando necessário, com regras e expectativas claras e assertivas. A mensagem deve ser firme e não se esgota numa conversa única.

Rita de Oliveira é psicóloga clínica e de saúde e trabalha com adultos e adolescentes.

Mental é uma secção do Observador dedicada exclusivamente a temas relacionados com a Saúde Mental. Resulta de uma parceria com o Hospital da Luz e tem a colaboração do Colégio de Psiquiatria da Ordem dos Médicos e da Ordem dos Psicólogos Portugueses. É um conteúdo editorial completamente independente.

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