‘O público quer filmes que saiam do lugar comum’, diz Rafhael Barbosa, diretor de ‘Olhe Para Mim’

Após conquistar o júri do 15º Olhar de Cinema, fantasia queer passa pela 50ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, com sessões nos dias 21 e 26 de outubro
Henrique Nascimento (@hc_nascimento)
É difícil explicar Olhe Para Mim — e essa talvez seja a maior qualidade do longa dirigido pelo premiado Rafhael Barbosa (Cavalo). Após estrear nacionalmente no 15º Olhar de Cinema, de onde saiu com três prêmios da Mostra Competitiva Brasileira, a produção alagoana chega à 50ª edição da Mostra Internacional de Cinema de São Paulo apresentando uma viagem — literal e metafórica — de autodescoberta em uma história assustadoramente bela.
Mesclando diferentes gêneros cinematográficos, incluindo drama, suspense, fantasia, terror e road movie, Olhe Para Mim conta a história de Marcelo (vivido pelo estreante Ulisses Arthur), um jovem que, há dez anos, lida com o misterioso desaparecimento de sua mãe e as difíceis mudanças que o acontecimento resultou.
A sua única chance de escapar de sua prisão é se juntar a uma dupla de misteriosos viajantes — vividos por Rejane Faria (Marte Um) e Luciano Pedro Jr. (Cangaço Novo) — em uma jornada que logo os coloca na fronteira entre o mundo dos vivos e o dos mortos.
Em entrevista à Rolling Stone Brasil, Rafhael Barbosa celebrou o sucesso do filme, apesar de sua proposta ousada: “É um filme muito arriscado. A gente fez um filme que é provocador, apesar de haver uma intenção de tocar o público a partir do sensível e não necessariamente do racional. Então, é claro, havia uma insegurança de como o público ia receber”, declarou.
“E que bom que o filme está reverberando, está chegando nas pessoas, apesar de ele ser tão ousado, de ser tão provocador. Isso mostra que o público quer ser provocado, quer filmes que saiam do lugar comum. E eu fico muito feliz com isso”, completou o cineasta.
Na conversa, Barbosa destacou, principalmente, a sua habilidade de construir uma equipe forte para tocar os seus projetos, o que lhe rendeu o prêmio de Melhor Direção no Olhar de Cinema 2026: “Acho que a minha maior habilidade como diretor é a capacidade de, primeiro, montar uma equipe especial. Identificar talentos que têm o perfil daquele projeto, daquela história que eu quero contar. E, depois, de instigá-los a dar o melhor de si”, explicou.
“Nós estamos falando de um filme de Alagoas, de baixo orçamento, que ganhou o prêmio de Melhor Som, ganhou o prêmio de Melhor Direção de Arte. E isso só aconteceu porque a equipe inteira se engajou muito, com muita paixão. Foi um filme feito com muita paixão. No set, a gente se emocionava quase todos os dias, por saber o quão importante era aquilo que a gente estava fazendo. E as coisas que a gente estava lidando, os lugares para o quais estávamos indo, os signos que estávamos evocando. Então, eu fico muito feliz de ter esse dom, essa capacidade de agregar as pessoas em torno de um sonho. E fazer com que elas doem a alma para o filme”, completou Barbosa.
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Formado em Jornalismo pela Universidade São Judas, em São Paulo, Henrique Nascimento começou como estagiário na Veja São Paulo e passou por veículos como SBT, Exitoína, Yahoo! Brasil e UOL antes de se tornar coordenador do núcleo de cinema da Editora Perfil, que inclui CineBuzz, Rolling Stone Brasil e Contigo.
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