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Wednesday, October 14, 2026

Um ano sem raptos reforça confiança em Moçambique

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Os empresários moçambicanos afirmaram esta quarta-feira que o marco de um ano sem raptos consumados no país, após mais de uma década, é um sinal de reforço da segurança e de confiança para os investidores.

Em comunicado, a Confederação das Associações Económicas de Moçambique (CTA) assume tratar-se de “um sinal encorajador para o reforço da segurança, da confiança dos cidadãos e da estabilidade necessária ao desenvolvimento da atividade económica” no país.

A organização patronal defende que “a segurança de pessoas e bens constitui um dos pilares fundamentais para a melhoria do ambiente de negócios”, acrescentando que “um clima de estabilidade e previsibilidade contribui para reforçar a confiança dos investidores, estimular a iniciativa empresarial, promover a expansão das empresas nacionais e tornar Moçambique mais atrativo ao investimento privado, nacional e estrangeiro”.

Segundo a CTA, o fenómeno dos raptos teve, ao longo dos anos, “consequências preocupantes para o tecido empresarial”, ao afetar a confiança dos agentes económicos, condicionar decisões de investimento e criar “um ambiente de insegurança para empresários, trabalhadores e respetivas famílias”.

“Por isso, os progressos agora assinalados merecem ser reconhecidos e encorajados”, sublinhou a confederação.

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A CTA enaltece igualmente “os esforços desenvolvidos pelas autoridades competentes” e defendeu a continuidade e o reforço das ações de prevenção e combate aos raptos, incluindo “o trabalho de investigação criminal, a responsabilização dos autores e o desmantelamento das redes envolvidas neste tipo de crime”.

Para a organização empresarial, “a consolidação destes resultados exige uma abordagem contínua e coordenada entre as instituições do Estado, o setor privado e a sociedade”, assente “no fortalecimento das instituições, na eficácia da justiça e na cooperação no combate à criminalidade”.

A confederação reafirma a disponibilidade para colaborar com as autoridades na promoção de “um ambiente de negócios seguro, estável e favorável ao investimento, à criação de emprego e ao crescimento sustentável e inclusivo”.

O último caso conhecido ocorreu em 07 de outubro de 2025, no centro de Maputo, quando um empresário português foi raptado por homens armados e encapuzados.

A vítima foi libertada em 10 de março de 2026 e, segundo o Presidente moçambicano, Daniel Chapo, era o último refém ainda mantido em cativeiro no país.

Os raptos para obtenção de resgates tornaram-se recorrentes em Moçambique a partir de 2010, tendo como principais alvos empresários, gestores e familiares.

Dados anteriormente divulgados por associações empresariais apontam para cerca de 150 empresários vítimas destes crimes ao longo de 12 anos, enquanto a CTA indicou, em 2024, que cerca de uma centena de investidores abandonaram o país devido à insegurança associada ao fenómeno.

Em 08 de outubro, o Presidente moçambicano, Daniel Chapo, anunciou que o país tinha completado um ano sem registo de novos raptos, considerando que o resultado reforçava a confiança dos investidores e demonstrava progressos no combate ao crime organizado.

O diretor-geral do Serviço Nacional de Investigação Criminal (Sernic), Ilídio José Miguel, advertiu na terça-feira que os resultados alcançados não devem conduzir ao relaxamento das medidas de vigilância.

O responsável garantiu que as autoridades vão continuar a perseguir todos os envolvidos nos crimes, incluindo os alegados mandantes.

Segundo Ilídio José Miguel, vários suspeitos identificados como executores dos raptos já se encontram detidos, enquanto prosseguem diligências para localizar outros envolvidos e os que permanecem em fuga.

Dados anteriores do Sernic referem a detenção de cerca de 300 pessoas envolvidas em casos de rapto desde o surgimento deste tipo de criminalidade no país.

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