Horário de inverno: uma hora a mais faz bem à saúde?

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Começa agora mais um Tratado da Saúde da Rádio Observador, com o doutor João Marques Santos, médico de família da CUF. Fala, doutor, bom dia.
Olá, bom dia, Maria João.
Este fim de semana mudamos para o horário de inverno e vamos ganhar uma hora na cama. Doutor João, isto é um presente para a saúde ou traz problemas?
Na verdade, são boas notícias.
Esta doutora é Deus.
Sim. Principalmente se compararmos com a mudança de primavera. Esta hora que ganhamos vai facilitar muito a adaptação do nosso corpo. É uma transição que é suave, mas existe aqui uns pequenos detalhes.
Mas se ganhamos uma hora na cama, por que tanta gente se queixa de cansaço ali nos primeiros dias?
O nosso relógio biológico, entre aspas, não deixa de protestar. Ele é guiado pela luz do sol e quando mudamos esta hora há um pequeno desencontro com o que existia antes. É normal se sentir alguma falta de atenção, uma ligeira alteração no humor, sobretudo nos primeiros dois, três dias, mas depois nada de grave e que vai acabar por passar.
E a nível de saúde?
Há riscos que existem, sobretudo até na primavera, como falei há pouco, mas neste caso perdemos uma hora e aqui no caso do outono o impacto é um pouquinho mais reduzido. Há até alguns estudos que mostram que há uma ligeira descida dos acidentes de trabalho, por exemplo, e dos episódios cardíacos logo a seguir a esta mudança, o que é curioso. Nosso corpo vai lidar muito bem com este horário de inverno.
Ou seja, este horário é, no fundo, mais natural para o nosso corpo do que o de verão. É isso?
Sim. Eu pessoalmente prefiro o horário de verão, mas na verdade o horário de inverno é mais natural. O nosso organismo funciona muito melhor no horário de inverno, até por isso é chamado o horário padrão. Temos muitos especialistas e associações de sono a defender que este deveria ser o horário fixo durante todo o ano, evitando estas trocas sazonais.
E como é que podemos aproveitar esta mudança sem sofrer com esse cansaço inicial que falou há pouco?
O nosso maior aliado é sempre a luz solar pela manhã, sobretudo nos primeiros dias, abrir logo as persianas ao acordar.
Não sei o que é isso. Acordo às quatro da manhã, não sei qual o horário foi.
Exatamente. É mais complexo. Mas no caminho ou ao chegar, pode sempre abrir a persiana ou dar um passeio a pé para apanhar um pouquinho de luz logo de manhã. Esta luz matinal vai ativar o cérebro e vai lhe explicar que o dia começou e vai acertar o nosso relógio biológico interno mais rapidamente. Convém também manter horários de sono regulares e ajustar as nossas vidas diárias a esta nova realidade.
Ou seja, no dia a dia, há mais alguma recomendação prática?
Sim, o habitual. Evitar o café ou álcool, sobretudo ao final da tarde, fazer jantares mais leves vai ajudar a não fragmentar o sono, por exemplo. E como passa a escurecer um pouquinho mais cedo, recomenda-se ter alguma atenção redobrada, sobretudo nos primeiros dois, três dias, quando vamos a conduzir, só para compensar algum cansaço que possa existir. Em resumo, o horário de inverno é amigo da nossa saúde e a luz matinal é uma grande aliada, sobretudo nos primeiros dois, três dias, pode haver aqui um pouquinho mais de cansaço no final do dia.
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