Opinião: Lula, o presidente de mais de meio bilhão de votos
Mas, para Luiz Inácio, não existe desafio insuperável: nem a fome, nem a seca, nem o pau de arara, nem a perda do dedo, nem a dupla viuvez, nem ser furtado de enterrar um neto, nem as duas prisões injustas, nem o câncer. E foi ele quem nos permitiu vencer a besta fascista não uma, mas duas vezes. O homem dos feitos impossíveis, quebrou mais um, e virou uma derrota no primeiro turno, contra um adversário que já repartia ministérios.
Depois de perder três eleições seguidas, Lula venceu as quatro posteriores e gravou seu nome na história como o maior líder político de massas e popular de nossos pouco mais de 500 anos. E o mais longevo líder político da história da democracia liberal no planeta, liderando, há mais de cinco décadas, a luta majoritária dos oprimidos, dos invisíveis, dos indocumentados, dos filhos esquecidos desse pedacinho do globo.
Lula é a síntese de todos nós como povo brasileiro, como sociedade, como país, como nação. Carrega consigo as contradições e idiossincrasias do que somos. E talvez por isso desperte tamanha comoção, positiva e negativa, mas jamais indiferença.
Lula é nosso incômodo espelho, que sintetiza num só corpo o laço libidinal que traduz nosso inconsciente coletivo, com suas luzes e sombras. Nunca mais existirá outro político como ele. Como não existirá, na África do Sul, alguém do tamanho de Mandela. E, não por acaso, foi seu Nordeste que, uma vez mais, para espanto e desprezo dos detratores, o carregou à vitória.
Mérito também de Janones e dos milhares de jovens, com e sem mandato, que desbordaram os limites da campanha, superaram seus erros e impulsionaram, nas ruas e nas redes, essa vitória.
Parabéns, Luiz Inácio Lula da Silva. E muito, muito obrigado por nos lembrar de quem somos, por nos acreditar que é possível melhorar sempre, a não temer nada nem ninguém, a deter novamente o fascismo, não claudicar com a democracia e com o Estado de Direito e a não desistir nunca do nosso Brasil. Obrigado por novamente fazer o amor voltar a vencer o ódio.
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