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Wednesday, October 21, 2026

Amigo de Flávio tenta impedir postagens de Richarlison sobre ilha em Angra

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O advogado solicitou à Justiça a chamada tutela inibitória, para que Richarlison "abstenha-se de publicar, repostar, compartilhar ou de qualquer forma divulgar novos conteúdos" em que "afirme ou insinue que o imóvel de Ilha Comprida foi 'tomado' do réu [Richarlison] ou que ele foi vítima de espoliação ou golpe a ele relacionado".

Tomaz pede uma pena de multa mínima de R$ 50 mil por post, mais R$ 50 mil por dia mantido no ar, além de R$ 200 mil de indenização por danos morais. Na ação, o advogado diz que o caso "guarda similitude estrutural com o fenômeno contemporâneo de disseminação de desinformação analisado no âmbito do STF", o inquérito das fake news.

Ao indeferir o pedido de urgência, o juiz do caso indicou ainda que o foco dos conteúdos questionados é "a vinculação do nome do Senador Flávio Bolsonaro à disputa pelo imóvel". Para o magistrado, isso leva ao questionamento se o processo visa "a defesa de interesse de terceiro", o que é vedado pelo Código de Processo Civil.

Procurado, Willer Tomaz disse que "a ação ajuizada em julho não pretende impedir Richarlison de se manifestar. O objetivo é que ele deixe de divulgar informações falsas sobre o imóvel de Angra dos Reis, que o jogador continuou repetindo mesmo depois de notificado".

Richarlison disse que não tinha conhecimento sobre o processo, até ser procurado pelo UOL.

Flávio nega envolvimento com o caso da ilha de Angra. Diz que foi arrolado apenas como testemunha pela empresa de Richarlison.

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A tutela inibitória volta-se, por definição, a condutas futuras: (...) a publicação, republicação, compartilhamento ou comentário, em qualquer rede social e em qualquer formato, de conteúdo que afirme ou insinue que o imóvel de Ilha Comprida foi "tomado" do Réu [Richarlison] ou que ele foi vítima de espoliação ou golpe a ele relacionado.
Willer Tomaz, em ação no Tribunal de Justiça do Distrito Federal e Territórios

A tutela dirigida a conteúdo futuro e indeterminado, formulada de modo a alcançar toda e qualquer manifestação de sentido equivalente, em qualquer rede social e sob qualquer formato, aproxima-se perigosamente da restrição prévia à manifestação do pensamento, vedada pelo art. 220, caput e § 2.º, da Constituição Federal.

A ordem constitucional consagra a plena proteção à liberdade de expressão pelo binômio liberdade com responsabilidade, admitindo a análise e a responsabilização posteriores [...] mas repelindo a censura prévia.
Giordano Resende Costa, juiz do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e Territórios

Os comentários de Richarlison

Um dos comentários de Richarlison questionados por Willer Tomaz foi feito em um post de uma advogada, em 1º de julho. "Realmente gastei em torno de 10 milhões lá. E simplesmente me tomaram. E estou até hoje sem receber a minha grana!!!", escreveu o jogador.

O comentário teve menos de 8 mil curtidas. Tomaz acionou, extrajudicialmente, a advogada autora do post. Ela apagou o conteúdo e se retratou.

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Outro comentário de Richarlison que foi questionado por Tomaz é um emoji de olhos em um post do deputado federal Marcelo Freixo (PT-RJ), que versava sobre outro caso envolvendo o advogado.

O processo judicial segue em andamento. Em setembro, Tomaz juntou novos documentos ao caso, com novas manifestações de Richarlison sobre a ilha. Também em setembro, a Justiça tentou notificar o jogador, mas não conseguiu.

Imagem feita por drone da casa na ilha de Angra, publicada no Instagram de Flávio Bolsonaro
Imagem feita por drone da casa na ilha de Angra, publicada no Instagram de Flávio Bolsonaro Imagem: Reprodução

No último domingo, Richarlison postou diretamente em sua conta no Instagram um vídeo de três minutos com sua versão sobre o caso. Nesta segunda-feira, a publicação se aproximava de 30 milhões de visualizações.

"Eu não quis vender a ilha para ele [Flávio Bolsonaro]. Como não quis, os caras pegaram na mão grande lá na Justiça. A gente estava resolvendo a papelada, e eles falaram que demorava meses ou até anos para resolver. Flávio Bolsonaro e o tal do Willer Tomaz foram lá e, em 24 horas, pegaram a posse da ilha."

No vídeo, o jogador pediu que a Polícia Federal investigue o caso. Também disse que, se recuperar o valor que diz ter perdido na ilha, pretende destinar uma parte a um hospital de Nova Venécia (ES), sua cidade natal.

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Entenda a disputa sobre a ilha de Angra

Richarlison afirma que gastou cerca de R$ 10 milhões na ilha e que perdeu o dinheiro. Ele teria comprado uma casa na ilha durante a pandemia, ao lado de Alencar da Silveira Júnior, que presidia o América-MG, e Renato Velasco, que já foi seu empresário.

Segundo Richarlison, Flávio Bolsonaro demonstrou interesse em comprar a ilha e chegou a filmá-la com um drone, postando as imagens nas redes sociais. Mas o jogador diz que não quis vender.

Então, segundo a versão do jogador, Flávio e Tomaz teriam se beneficiado de manobras judiciais, que deram a eles o direito de usufruir da ilha.

Já Tomaz afirma que sua empresa WT Administração de Imóveis adquiriu regularmente os direitos de ocupação da ilha, bem como uma casa localizada nela.

A disputa pelo imóvel tramitou na Justiça. Em 2023, a Sport 70 Intermediação de Negócios entrou com uma ação contra a WT, buscando obter o reconhecimento de direitos de ocupação sobre o imóvel e anular atos jurídicos que favoreceram a empresa de Tomaz.

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A Sport 70 tem como sócios Velasco —o ex-empresário de Richarlison— e uma empresa ligada a uma offshore na Ilha da Madeira.

O Tribunal de Justiça do Rio foi favorável à WT. O caso subiu para o STJ (Superior Tribunal de Justiça). Em maio de 2025, a corte manteve o entendimento.

No final de 2025, a Sport 70 abriu mão das reivindicações feitas na ação. Diante disso, o processo foi extinto. Naquela altura, Richarlison tinha rompido com Velasco. No vídeo de 17 de outubro, o jogador chamou o ex-empresário de "picareta".

Após a divulgação do vídeo por Richarlison, o coletivo de advogados "Derrubando Murros" enviou uma representação ao Ministério Público Federal (MPF) pedindo investigação sobre o processo que atribuiu o direito de ocupação da ilha para a empresa de Tomaz.

Segundo a representação, assinada por nomes como Miguel Reale Jr. —um dos autores do pedido de impeachment de Dilma Rousseff— e Conrado Hübner Mendes, há indícios de advocacia administrativa, ou seja, uso de algo público para benefício particular.

Leia a nota completa de Willer Tomaz

O advogado Willer Tomaz esclarece que a ação ajuizada em julho não pretende impedir Richarlison de se manifestar. O objetivo é que ele deixe de divulgar informações falsas sobre o imóvel de Angra dos Reis, que o jogador continuou repetindo mesmo depois de notificado.

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Richarlison nunca foi parte em processo algum relativo à ilha. A Sport 70, empresa ligada a ele e ao sócio Renato Velasco, perdeu em todas as instâncias, inclusive no STJ. Em 2025, renunciou em juízo e declarou nos próprios autos ter repassado R$ 2,6 milhões a posseiros sem título, e não à titular registrada da área. O negócio chegou a ser objeto de inquérito policial, arquivado por ausência de qualquer indício de crime.

Diante disso, Willer desafia o atleta a apresentar, em 72 horas, um único documento anterior a julho de 2022 que o vincule à propriedade: escritura pública, contrato de compra e venda registrado ou inscrição em seu nome na SPU. O documento deve vir acompanhado do comprovante dos R$ 10 milhões que diz ter pago. Se a comprovação for válida, Willer lhe transfere os direitos sobre o bem, sem cobrar nada.

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