Qual a aparência dos fantasmas? Estudo com 2 mil relatos revela padrão assustador
As figuras sombrias e sem rosto se tornaram as aparições mais frequentes em relatos de supostos encontros com fantasmas. A mudança foi identificada em uma análise de 2 mil histórias publicadas na internet, realizada pela historiadora e investigadora paranormal MJ Wayland.
O levantamento, publicado no site da pesquisadora, comparou histórias registradas entre 1994 e 2012 com relatos publicados entre 2024 e 2026. Os resultados apontam uma mudança nas descrições de experiências consideradas sobrenaturais.
Enquanto os registros antigos mencionavam figuras humanas e parentes falecidos, os mais recentes apresentam principalmente silhuetas escuras, sem características reconhecíveis.
A análise utilizou inteligência artificial para classificar os relatos segundo 29 critérios, incluindo aparência das figuras, local das experiências e reações das testemunhas. Parte da classificação foi revisada pela equipe.
As histórias foram coletadas na internet e não representam uma amostra da população em geral. O levantamento também não comprova a existência de fantasmas.
Quais são os tipos de fantasmas mais relatados?
Entre os 324 relatos recentes que descreviam a aparência de uma figura, 50% mencionavam silhuetas sombrias, sem detalhes visíveis. Nos registros mais antigos, essa proporção era de 29%.
Considerando todos os relatos analisados, as figuras sombrias apareceram em 14% das histórias recentes, mais que o dobro dos 6% registrados anteriormente.
As aparições eram geralmente descritas como sombras com formato humano, mas sem rosto, roupas ou características reconhecíveis.
Entre os relatos que descreviam o rosto das figuras, 51% mencionavam faces ocultas ou sem traços definidos, contra 31% nos registros antigos.
Aparições de parentes falecidos ficaram menos frequentes
Nos mil relatos mais antigos, 238 descreviam a aparência de uma figura. Grande parte mencionava formas humanas sólidas, semelhantes a pessoas reais.
As figuras com aparência de pessoas vivas representavam 47% dessas descrições, proporção que caiu para 35% nos relatos recentes. Também eram comuns aparições brancas, brilhantes ou translúcidas. A participação dessas descrições diminuiu de 24% para 15%.
Os relatos de encontros com parentes falecidos também recuaram. Passaram de 9% para 6% entre os dois períodos analisados.
Outra mudança ocorreu nas experiências compartilhadas. A proporção de relatos com outra testemunha presente caiu de 34% para 23%.
Apesar dessas diferenças, o medo permaneceu frequente: 57% dos participantes relataram sentir medo nos dois períodos.
Paralisia do sono pode explicar os relatos de fantasmas?
Uma das explicações consideradas para os avistamentos de figuras sombrias é a paralisia do sono.
O fenômeno ocorre quando uma pessoa desperta, mas permanece temporariamente incapaz de se mover ou falar. Durante esses episódios, podem surgir sensações intensas de medo, pressão sobre o corpo e alucinações visuais. Algumas pessoas relatam enxergar figuras escuras ou sentir a presença de alguém no ambiente.
Wayland reconhece que a paralisia do sono pode explicar parte dessas experiências. Entretanto, argumenta que o fenômeno não esclarece sozinho o aumento das descrições de sombras.
Entre os participantes que afirmaram estar completamente acordados, 13% dos relatos recentes mencionavam figuras sombrias, contra 5% nos registros antigos.
Por que os relatos de fantasmas mudaram?
Para Wayland, a transformação pode estar relacionada à maneira como as pessoas interpretam experiências que não conseguem explicar.
A pesquisadora considera que histórias de terror, programas de rádio e conteúdos publicados na internet podem influenciar as imagens utilizadas para descrever supostas aparições.
A explicação, entretanto, é apresentada como uma hipótese, e não como uma conclusão comprovada pelo levantamento.
A análise também identificou diferenças entre relatos antigos e lembranças recentes de experiências ocorridas antes de 2010. Para Wayland, isso sugere que a mudança pode estar na linguagem utilizada para descrever os acontecimentos.
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