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Monday, August 17, 2026

PCP: digitalização dos exames "está morta"

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O dirigente do PCP Jorge Pires afirmou esta segunda-feira que o processo de digitalização dos exames “está morto”, apesar da “retórica demagógica” do Governo, e anteviu que os problemas nas avaliações são um “folhetim que não está terminado”.

Numa conferência de imprensa na sede do partido, em Lisboa, o membro da comissão política do Comité Central do PCP Jorge Pires acusou o Governo de, no processo de digitalização dos exames nacionais, procurar “escamotear as suas responsabilidades políticas, entrando numa espiral de passa-culpas“, acusando “tudo e todos”.

“Desde a acusação de imprudência na marcação de férias pelas famílias, aos agrafos, passando pelos professores que têm demonstrado um elevado sentido de responsabilidade, apesar de todas as dificuldades que enfrentaram, culminando esta cruzada contra a comunidade educativa com a decisão de realizar um inquérito às escolas em tom de ameaça. Uma vergonha”, acrescentou.

Jorge Pires afirmou também que o objetivo do executivo é “procurar limpar uma imagem degradada e salvar um modelo de correção e classificação dos exames que está morto“, recorrendo a uma “retórica demagógica, roçando em muitos momentos a mentira como instrumento de manipulação pública”.

O membro do Comité Central do PCP considerou que este processo, que decorre num “quadro de significativas trapalhadas e indefinições”, parece “não ter fim” e “é um folhetim que não está terminado”, apontando para o anúncio do ministro da Educação, Fernando Alexandre, de adiar a reapreciação das provas da segunda fase para setembro e a realização da terceira fase de exames.

Acrescentou ainda que o facto de haver mais alunos a candidatarem-se ao ensino superior este ano não faz “esquecer tudo o que aconteceu”.

“Até porque o que o Governo se prepara não é apenas para manter este processo relativamente às classificações, é também avançar, dar mais um passo no sentido da digitalização dos exames, como fez para o nono ano. Portanto, num processo que, na nossa opinião, está morto“, insistiu.

Para o PCP, exige-se que o Governo “tome todas as medidas para que seja atribuída a cada um dos alunos a nota que corresponda exatamente à prova que realizou” e permitir que possam concluir os estudos ou candidatar-se ao ensino superior “com a nota que efetivamente corresponda à prova que fez num quadro em que o princípio da equidade está em causa”.

“Não é possível garantir, ao contrário do que diz o ministro, que nenhum estudante será prejudicado. Na verdade, porque qualquer que seja o resultado final das provas que realizaram, tendo em conta tudo por que passaram desde o início da fase dos exames, bem se pode dizer que já foram fortemente prejudicados”, criticou.

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