Os 11 melhores versos de Tyler, the Creator, segundo o próprio rapper

Após classificar seu verso em “Baby Breath”, de Quavo, como “provavelmente entre os 25 melhores na história do rap”, o artista listou os trechos de seu catálogo que mais o orgulham
Kadu Soares (@kadusoares__)
Na última sexta, quando QRÖMELIFE, álbum de Quavo, chegou às plataformas, Tyler, the Creator fez questão de destacar sua participação em “Baby Breath”, faixa que também conta com Pharrell Williams e A$AP Rocky. Nas redes sociais, foi direto: “Meu melhor verso de todos os tempos está nessa música. Provavelmente entre os 25 melhores na história do rap. O que fiz com a língua inglesa é insano e deve ser estudado”.
A declaração gerou debate até que, seis dias depois, o canal Pigeons & Planes publicou no Instagram uma lista com os melhores versos de Tyler. Foi então que o rapper entrou nos comentários para apresentar suas próprias escolhas. Mais do que uma classificação, a seleção oferece um retrato dos trechos que ele mais valoriza tecnicamente em sua obra. “Aliás, essas não são minhas músicas favoritas, só versos que amo”, esclareceu.
Confira os 11 melhores versos de Tyler, the Creator, segundo o próprio rapper:
“Thought I Was Dead”, Chromakopia
Tyler destacou o verso final da faixa, que conta com ScHoolboy Q e Santigold, por uma razão específica: nele, responde com ironia direta a anos de críticas relacionadas a acusações de racismo. Na passagem, provoca quem o considera problemático — “brancos zoam essa merda e vocês ficam bravos comigo?” — e recorre à imagem do slide para sugerir que passará por cima de tuítes antigos e acusações sem sequer parar. A música inteira funciona como uma resposta aos críticos, e esse verso concentra sua ironia mais afiada.
“I Hope You Find Your Way Home”, Chromakopia
A faixa encerra Chromakopia, o oitavo álbum de Tyler, lançado em outubro de 2024. No verso, o rapper oscila entre vulnerabilidade e autoconfiança, reconhecendo o próprio egoísmo, suas contradições e o medo de envelhecer sem resolver certas questões. O refrão soa como uma pergunta dirigida tanto a si mesmo quanto a quem ouve. A participação de sua mãe, Bonita Smith, que diz “de verdade, tenho orgulho de você”, encerra a música com um peso emocional gigantesco.
“Potato Salad”, Testing
A colaboração foi lançada no álbum mais experimental de A$AP Rocky. Os fãs frequentemente apontam o verso de Tyler como um dos mais soltos e confiantes que ele já gravou: batida minimalista, cadência precisa e nenhum exibicionismo desnecessário. A parceria entre os dois vinha de anos antes, e muitos consideram “Potato Salad” o ponto alto dessa colaboração.
“What a Day”, Call Me If You Get Lost: The Estate Sale
Tyler incluiu a faixa na lista sem se alongar na explicação. Ao lado de “Sag Harbor” e “That Guy”, classificou seu verso como “impecável do início ao fim”. A música explora a sonoridade mais melódica que marcou uma fase intermediária da carreira do rapper.
“Sag Harbor”, freestyle
Lançado de surpresa no Natal de 2025, esse freestyle celebrou um dos anos mais movimentados da carreira de Tyler, marcado pelo quarto número um consecutivo na Billboard 200, por sua estreia no cinema em Marty Supreme (2025), ao lado de Timothée Chalamet, e por seis indicações ao Grammy.
“That Guy”, freestyle
Tyler também descreveu esse verso como “impecável do início ao fim”, sem estabelecer uma hierarquia em relação aos de “What a Day” e “Sag Harbor”. Embora tenha oferecido pouco contexto sobre a escolha, demonstrou o mesmo orgulho ao mencioná-lo.
“Stuntman”, Don’t Tap the Glass
Ao destacar o primeiro verso de “Stuntman”, Tyler explicou a referência por trás da escolha: “Fui totalmente Drought 2 nele”. A expressão faz referência a Drought 2 (2007), álbum de Lil Wayne, e ao período em que o rapper de Nova Orleans lançava mixtapes numa velocidade nunca antes vista. Para Tyler, esse verso representa sua aproximação mais consciente e bem-sucedida daquele padrão técnico.
“Safari”, Call Me If You Get Lost
“Safari” encerra o sétimo álbum de Tyler, vencedor do Grammy de Melhor Álbum de Rap em 2022. A faixa funciona como uma despedida do personagem Tyler Baudelaire e da jornada construída ao longo do projeto. O verso final se destaca pela introspecção em um disco dominado pela ostentação. É nesse contraste que a escolha ganha força: o encerramento soa como o momento em que a armadura cai.
“Cash in Cash Out”, single
A faixa ocupa um lugar menos lembrado no catálogo de Tyler, não por sua qualidade, mas por ser um lançamento assinado por outro artista. Pharrell produziu a música, na qual Tyler participa como convidado ao lado de 21 Savage. Ao explicar seu apreço pelo verso, Tyler destacou o verso do rapper, construída sobre a batida árida de Williams. Para ele, o resultado “merecia mais reconhecimento”.
“Baby Breath”, QRÖMELIFE
Foi esse verso que deu início à discussão. Tyler o incluiu na lista com um simples “lmfaooo blingblingbling”, rindo da própria afirmação de que estaria entre os “25 melhores da história do rap”. Lançada em 2 de outubro como parte do segundo álbum solo de Quavo, integrante do Migos, a faixa também reúne Pharrell Williams e A$AP Rocky.
“Rusty”, Wolf
Uma das colaborações mais antigas de Tyler dentro do próprio universo do Odd Future, ao lado de Earl Sweatshirt e Domo Genesis. A faixa integra o álbum que marcou a transição do rap de temática de terror associado ao coletivo para uma sonoridade mais sofisticada. O verso de Tyler é frequentemente lembrado como um indício de que o rapper desenvolvia uma voz própria, para além do choque e da provocação que caracterizavam seus primeiros trabalhos.
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Kadu Soares é formado em Jornalismo pela Faculdade Cásper Líbero, possui um perfil no TikTok e um blog no Substack, onde faz reviews de projetos musicais.
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