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Tuesday, September 29, 2026

Estudo mostra que organizações sociais elevam produtividade e aumentam internações em hospitais

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Um estudo que analisou o modelo das OSS (Organizações Sociais de Saúde) em 127 hospitais públicos de São Paulo, de 2005 a 2022, concluiu que a transição da gestão direta para as OSS aumentou em 40% as internações hospitalares.

O efeito foi observado tanto em cuidados clínicos e cirúrgicos como em atendimentos de urgência e tratamentos eletivos. Para os autores, os números não indicam piora da saúde da população, mas a ampliação do acesso aos serviços.

Conduzido por pesquisadores do Insper (Instituto de Ensino e Pesquisa) e da FGV/Eaesp (Escola de Administração de Empresas de São Paulo da Fundação Getulio Vargas), o Public Services Under Private Management também apontou alta de 23% na taxa de rotatividade dos leitos, crescimento de 14% na taxa de ocupação e redução de 9% no tempo médio de internação.

Também foi observada queda de 3% na mortalidade geral da população nos municípios que adotaram o modelo. O estudo foi publicado no The Quarterly Journal of Economics.

"Os hospitais geridos por OSS têm um aumento grande no volume de atendimentos. Esse maior volume de produção reflete um ganho de produtividade. Eles parecem conseguir usar melhor a capacidade instalada e são mais produtivos com os recursos existentes", afirma o pesquisador e professor de economia do Insper, Luiz Felipe Fontes.

O mapeamento dos dados combinou registros oficiais do SIH (Sistema de Informação Hospitalar) e do Cnes (Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde) com informações emitidas por conselhos médicos.

Para mensurar a qualidade do atendimento, os pesquisadores utilizaram dois indicadores principais: as taxas de mortalidade intra-hospitalar (restrita ao ambiente do hospital) e de readmissão.

A análise da mortalidade, focada em casos de alta complexidade, parte do princípio de que diferenças significativas de óbitos entre instituições sinalizam falhas na qualidade do cuidado ofertado.

A taxa de readmissão foi usada para medir a eficácia do tratamento inicial, visto que um volume alto de novas internações costuma refletir alta médica precoce ou abordagem clínica insuficiente.

Os resultados mostram que a transição para o modelo de OSS não prejudicou as métricas e evidenciou que a maior rotatividade dos leitos não comprometeu a segurança e o desfecho clínico dos pacientes.

O estudo também apontou que a flexibilidade em compras e contratação de pessoal resultou em melhor custo-benefício para o orçamento público.

"Sabemos que a gestão de pessoas dentro do setor público tende a ser um pouco mais lenta e burocrática, como na contratação e na demissão de funcionários. O estudo mostra que, quando a OSS assume, faz mudanças muito rápidas na composição das equipes. O mesmo ocorre com equipamentos e insumos básicos, necessários para um leito operar, que passam a ser comprados rapidamente ", diz Fontes.

O pesquisador afirma, contudo, que as OSS não devem ser vistas como única solução para a saúde pública e que o sucesso depende da entidade contratada.

Ao estratificar os dados, o estudo revelou que os impactos positivos estão concentrados nos hospitais assumidos por OSS experientes. Nas instituições repassadas a gestoras com pouca bagagem no setor, os efeitos práticos foram quase nulos.

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Os hospitais gerenciados por OSS experientes apresentaram aumentos muito maiores nas admissões (54%, contra 21% das menos experientes) e na rotatividade de leitos (40%, contra 3%), além de quedas mais expressivas na mortalidade populacional.

Segundo o professor, o diagnóstico acende um alerta para a formulação de políticas públicas. Os critérios de modelagem dos editais e a escolha de parceiros com histórico comprovado de qualidade são os pilares para o êxito do modelo.

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