8h. 7 de Outubro. António Costa assinala "data inesquecível"
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Bom dia, 8:01. Começamos o jornal das 8 da Rádio Observador. Em França, o primeiro-ministro vai falar hoje ao país depois de um dia de protestos violentos nas ruas.
Os alunos voltaram a sair à rua. As autoridades estimam que entre 250 a 450 mil pessoas participaram nas manifestações. Pelo menos 6 mil foram detidas. Há também mil feridos a registar, o que levou Emmanuel Macron a convocar uma reunião de emergência para ontem à noite. Em Estrasburgo, uma das cidades palco de protestos, está o Miguel Viterbo Dias. Miguel, como é que o dia está a começar aí, depois de mais uma tarde de confrontos ontem entre a polícia e os manifestantes?
Está a começar com alguma expectativa, isto porque o ministro da Educação anunciou também uma abertura de um maior número de estabelecimentos escolares para o dia de hoje. Cerca de 86% das escolas em França estão abertas e, portanto, há alguma expectativa sobre se o dia vai decorrer de forma tranquila. Isto porque, para já, não estão convocados quaisquer protestos. As organizações estudantis estão a mobilizar-se novamente para ir à rua amanhã, mas como estes apelos à mobilização são insistentes, há também a expectativa para ver se algum tipo de protesto inorgânico pode espoletar hoje nesta cidade e noutras em França. Como estavas a referir, Sébastien Lecornu, o primeiro-ministro, vai falar hoje ao país ao final do dia, não só sobre a situação com a educação, mas também sobre todos os problemas que vão afetando os franceses e que não são muito diferentes dos que se passam em Portugal, o preço dos combustíveis, o aumento generalizado do custo de vida e também uma crise no setor agrícola. E, portanto, há essa expectativa também da comunicação do primeiro-ministro, depois da reunião de emergência de ontem à noite convocada por Emmanuel Macron, que para já resultou numa medida relacionada com as forças de segurança. O presidente francês ontem pediu empatia às forças de segurança para lidar com estes protestos estudantis e já esta manhã o ministro do Interior anunciou a proibição da utilização de granadas nestas manifestações. Recordo que foi precisamente uma granada que provocou um ferido grave entre os estudantes, que acabou por perder uma mão depois dessa atuação das forças de segurança. Portanto, para já, ainda sem nenhum incidente, nenhuma ocorrência semelhante à do dia de ontem, mas com a expectativa da parte das autoridades e, sobretudo, do poder político francês, sobre se os protestos vão continuar já no dia de hoje ou se vão decorrer apenas quando forem convocados pelas associações estudantis, sendo certo que até ao dia 17 de outubro, a expectativa é que as manifestações vão subindo de tom até ao grande protesto que está marcado para esse dia 17.
Miguel Viterbo Dias em direto de Estrasburgo, com a expectativa às primeiras horas do dia, depois da reunião de ontem à noite com Emmanuel Macron. Está previsto que a grande maioria das escolas reabra hoje. Foi uma decisão do Ministério da Educação de França.
Mário Centeno acusa o governo AD de ter acabado com a almofada orçamental. O antigo ministro das Finanças afirma que o Executivo bate recordes de iliteracia financeira.
Centeno vai mais longe e compara a atual situação das contas públicas portuguesas com o cenário que se verificava em 2009, período pré-crise financeira. O antigo governador do Banco de Portugal assina um artigo de opinião no Público, no qual escreve que Montenegro destronou Sócrates e recorre a números para sustentar a comparação. Carlos Pedro.
Centeno começa por dizer que a despesa pública cresceu 25% nos últimos dois anos, ao passo que a economia nominal teve um crescimento de 19%. Depois traça diferenças entre o crescimento da despesa e da receita. Diz que atualmente essa diferença é a maior de sempre, 2,3 pontos percentuais por cada ano do que chama de desgoverno da AD. Centeno apelida de desastre orçamental a gestão de Montenegro, que nota levou a administração central a um déficit crescente e que deitou por água o esforço que o país fez no passado.
O antigo ministro recua ligeiramente no tempo, Carlos, para recordar o início de Montenegro no governo. Na altura, o excedente do PIB era de 1,2%, mas o cenário, entretanto, mudou.
E lá se foram as almofadas que custaram quase 50 anos a construir. É o que diz Mário Centeno. O excedente foi eliminado por três anos de uma política expansionista e com a economia em pleno emprego, escreve o antigo ministro, que compara o país de hoje com o de 2009, com Sócrates a liderar. Centeno é perentório a dizer que o país está melhor agora, mas consegue encontrar, ainda assim, semelhanças preocupantes entre os dois períodos.
A começar, Carlos, pelas altas taxas de juro nos principais mercados mundiais.
E também o facto de o governo de Portugal ser minoritário, mas há mais. Centeno lembra que Sócrates subiu salários e baixou o IVA. Agora, o governo já reviu 19 carreiras da administração pública, numa altura em que o país possui o maior número de funcionários públicos de sempre. Na sexta-feira, o governo entrega a proposta do Orçamento do Estado para o próximo ano. Centeno diz que há duas alternativas: ou se corrige a mão ou o futuro há de reservar penas mais duras.
Carlos Pedro, com os avisos de Mário Centeno num artigo de opinião que ele assina hoje no jornal Público. Chama-se "Montenegro Destrona Sócrates" e chama a atenção para o aumento da despesa pública sem criação de riqueza.
Jorge Jesus evita reagir publicamente ao comunicado de Cristiano Ronaldo. Confrontado com as críticas do jogador, o técnico afirma apenas que ainda não leu o texto.
Jorge Jesus e Pedro Proença estiveram reunidos na Cidade do Futebol ontem à noite, depois do comunicado de Cristiano Ronaldo. Não houve declarações no final, mas Jesus falou à CMTV, dentro do carro, à porta de casa. Disse apenas que ainda não tinha lido esse comunicado.
Vim de Leiria, estive a ver o jogo do União de Leiria.
Falhou ou não falhou com a sua palavra?
Estive em Leiria a ver o jogo da ascensão, agora vou ler o comunicado, não tenho nada a dizer.
Nada a dizer. A curta reação de Jorge Jesus ao comunicado de Cristiano Ronaldo, onde o jogador acusa o selecionador nacional de faltar à verdade e de ter uma atitude de quero, posso e mando. Ronaldo pede também desculpa aos portugueses por ter abandonado o estágio da Seleção Nacional e diz estar disponível para ser castigado pela Federação Portuguesa de Futebol.
E vamos voltar a este tema numa edição especial de "E o Campeão É" para ouvir logo a seguir ao jornal das 9. 8:08, Carlos, que outras notícias estão em destaque antes dos Momentos de Glória?
O Partido Socialista confirma que vai viabilizar o Orçamento do Estado através da abstenção. Os socialistas querem evitar empurrar o país para um precipício político, é a expressão utilizada no final da reunião do Secretariado Nacional. O PS quer também que o governo esclareça se tem mais algum entendimento com o Chega, além do acordo escrito para a lei do arrendamento. O presidente do Conselho Europeu assinala os três anos do ataque do Hamas a Israel como uma data inesquecível. É a expressão de António Costa, que diz que nada justifica o terror vivido naquele dia. Na rede social X, o presidente do Conselho Europeu defende que a única solução viável para uma paz duradoura é a criação dos dois Estados.
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