Caos nos Estreitos provoca mudanças no equilíbrio de poder

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"Guerra Traduzida: Especial Irão" hoje com o jornalista Carlos Pedro. Carlos, vamos começar hoje a falar dos houthis do Iémen, que continuam a avançar no mar Vermelho. Entretanto, o Conselho de Segurança das Nações Unidas vai reunir-se para discutir a situação no estreito Bab El-Mandeb.
É uma reunião de emergência marcada pra hoje. É uma notícia da agência Reuters que revela que o encontro foi marcado pela França. Também os diplomatas que fazem parte da Autoridade Intergovernamental para o Desenvolvimento na África Oriental estão reunidos precisamente para discutir uma série de questões regionais, incluindo os acontecimentos no mar Vermelho e no estreito de Bab El-Mandeb, que é uma das rotas marítimas mais importantes do mundo. Fica entre o Iémen e o Djibouti e liga o continente europeu ao continente asiático. Antes da retomada dos combates neste mês, cerca de 12% do comércio global passava por este importante canal. Nos últimos dias, os houthis tomaram a maior parte da costa do Iémen ao largo do mar Vermelho, incluindo a ilha de Mayun.
E Carlos, a Arábia Saudita promete agora uma resposta firme a estes ataques dos houthis.
Isto enquanto o Irão nega qualquer envolvimento neste conflito, nesta nova frente da guerra no Médio Oriente. Os rebeldes houthis atacaram infraestruturas petrolíferas da Arábia Saudita, o maior exportador mundial de crude. Ataques que já fizeram subir o preço do petróleo para cima da barreira simbólica dos 100 dólares. Esta manhã, o preço estava a atingir os 107 dólares por barril de Brent, a referência europeia. Na segunda-feira, ontem, uma ofensiva dos houthis na costa do Iémen matou oito soldados das forças governamentais do país. Os houthis reivindicaram também um ataque de grande envergadura com dezenas de mísseis balísticos e drones contra a base aérea King Khalid, no sul da Arábia Saudita.
Também o Conselho de Cooperação do Golfo veio condenar os ataques contra civis na Arábia Saudita.
Jassem Mohammed Al-Buainain descreve os ataques como uma perigosa escalada criminosa. Diz que a continuar estes ataques, vão colocar em causa o direito internacional e constituir uma ameaça direta à segurança e estabilidade na região. Al-Buainain afirma que os países do Conselho de Cooperação do Golfo estão unidos ao lado do reino da Arábia Saudita e apoiam integralmente as medidas tomadas por Riade.
Falamos há pouco do Bab El-Mandeb, falamos agora do estreito de Ormuz. Continua sob ataque, Carlos, e nas últimas horas o Irão confirmou um ataque contra um drone norte-americano.
Um drone MQ1 foi abatido pela Guarda Revolucionária Iraniana, diz a agência semioficial de notícias Mehr, citada pela Al Jazeera. De acordo com a Guarda Revolucionária do Irão, este foi o segundo incidente do gênero registrado desde o início da manhã de hoje. Com isto, aumenta pra quatro o número de drones MQ1 que as forças iranianas afirmam ter abatido nos últimos dias, durante operações no estreito de Ormuz e nas zonas envolventes. Também em Ormuz, um navio foi atingido por um projétil de origem desconhecida, diz a Organização de Operações de Comércio Marítimo do Reino Unido. Não foram registrados danos no navio, nem qualquer impacto ambiental, de acordo com a mesma fonte.
Olhamos agora pra agenda para amanhã, quarta-feira. O ministro dos Negócios Estrangeiros do Irão vai visitar a China.
Abbas Araqchi vai a Pequim reunir-se com o homólogo chinês Wang Yi, numa altura em que a guerra entre o Irão e os Estados Unidos, e também Israel, continua a provocar impactos econômicos internacionais. A Al Jazeera diz que os dois chefes da diplomacia vão manter negociações depois de terem estado reunidos no mês de julho e também depois de terem estado presentes na Cimeira dos BRICS, realizada este fim de semana em Nova Déli, na Índia. Nota ainda pro Irão, que diz que só vai voltar a negociar com os Estados Unidos quando as condições de Teerão forem cumpridas. É uma reação às declarações do presidente norte-americano Donald Trump, que ontem disse estar disposto a dialogar com os iranianos numa mensagem publicada nas redes sociais. O secretário do Conselho de Segurança do Irão pede às pessoas que não se deixem distrair pelos sinais contraditórios do líder da Casa Branca.
Viramos atenções agora para uma análise da Al Jazeera, que destaca mudanças no equilíbrio de poder no Médio Oriente, isto após as ameaças energéticas do Irão e dos houthis.
A análise é de Luciano Zachara, repórter da Al Jazeera, atenta na incapacidade, por esta altura, de prever se as forças governamentais do Iémen, apoiadas pela Arábia Saudita, vão ou não conseguir afastar os rebeldes houthis após as capturas de pontos estratégicos ao longo da costa oeste da região. Fala numa mudança na última semana do equilíbrio de poder no Médio Oriente, graças à situação que se vive nos dois estreitos. Os houthis em Bab El-Mandeb e o Irão a bloquear Ormuz. Apesar de os houthis terem dito que não pretendem fechar o canal à navegação, essa possibilidade não deve estar totalmente afastada, diz Luciano Zachara. E certo, pra já, é que a Arábia Saudita foi fortemente impactada pelo avanço territorial dos houthis na costa oeste do Iémen.
Foi já assim mais uma "Guerra Traduzida: Especial Irão" sobre os conflitos no Médio Oriente. Eu sou o Miguel Andrade. A edição de hoje esteve a cargo do jornalista Carlos Pedro.
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