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Thursday, October 15, 2026

Shoppings preveem aumento de custos e disputa por comissões com fim da escala 6x1

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No setor de shopping centers, cujo faturamento anual é estimado em R$ 200,9 bilhões, há um consenso: o fim da escala 6x1 trará mais custo para lojistas e maior disputa por comissões pelos vendedores.

Segundo empresários ligados ao setor, o impacto será sentido sobretudo pelos lojistas menores, que têm entre dois e cinco funcionários.

"Uma loja ou uma indústria com centenas de funcionários tem uma dinâmica de escala que permite gerenciar [o impacto da mudança] e sofrer pouco no seu custo final com o trabalhador. Mas no caso dos shoppings, quase 60% dos lojistas são pequenos, com três a cinco funcionários", afirmou à Folha Glauco Humai, presidente da Abrasce (Associação Brasileira de Shopping Centers).

"Para mudar a escala, ele terá que contratar um ou dois funcionários a mais. Com o encargo trabalhista que a gente tem hoje, isso vai impactar o resultado dele em 30% a 40%, o que praticamente inviabiliza o negócio".

Um estudo da Tendências Consultoria encomendado pelo setor aponta que o faturamento anual dos shoppings poderá ser reduzido para R$ 186,2 bilhões no primeiro ano após a implementação da emenda.

A jornada, hoje limitada a 44 horas semanais, cairá para 42 horas e, depois, para 40 horas. A mudança não será imediata. A nova escala passa a valer 60 dias após a promulgação e a publicação da emenda, quando haverá redução para 42 horas semanais. Após 12 meses, a jornada cairá para 40 horas.

Humai diz não ser contrário à medida, mas pede que haja um período de adaptação às novas regras por parte de setores que precisam funcionar os sete dias da semana.

"A gente não é contra, a gente só quer um estudo maior, que ainda não foi apresentado pelo governo ou pelo Congresso. Nós queremos que isso seja implementado de uma forma escalonada por setores, por tamanhos, para entender como a gente pode absorver isso", complementa.

O setor encerrou 2025 com 124.791 lojas e a geração de quase 1,1 milhão de postos de trabalho diretos. Segundo o estudo da Tendências, esse número de empregos gerados poderá cair para cerca de 950 mil funcionários com a implementação da nova lei. Além disso, a pesquisa aponta o risco de aumento da informalidade no setor.

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Para Nabil Sahyoun, presidente da Alshop, entidade que representa os lojistas de shopping centers, a medida defendida pelo governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT) é "eleitoreira".

Ele pede, como compensação, que seja uma proposta nos moldes da defendida pelo senador Rogério Marinho (PL-RN), que prevê a contratação por horas trabalhadas.

"A sociedade já entendeu que esse projeto [do fim] da 6x1 é lindo na teoria, mas na hora que você coloca ele na prática, infelizmente não vai funcionar", diz ele.

"Já o projeto do Marinho estabelece uma flexibilidade, que ajuda muito o trabalhador a decidir o que é melhor para ele. Nenhum governo pode estabelecer regras rígidas para o trabalhador, isso é uma loucura. Mas todo mundo já entendeu que são decisões tomadas por causa do período de eleição."

Ele projeta um impacto maior para funcionários que têm parte de seus ganhos atrelados a comissões. "Todo mundo vai querer trabalhar de sábado e domingo, que é o dia teoricamente de descanso para ficar com a família, porque são os dias onde se ganha uma comissão maior. Apenas com o salário mínimo não se sustenta família, paga a escola dos filhos, prestação do carro etc. O custo de vida está muito alto hoje em dia."

Sahyoun diz não ser contrário à mudança na Constituição, mas afirma que a imposição de um dia a mais de descanso poderá ser prejudicial à saúde mental dos trabalhadores.

"O cara [trabalhador] vai pirar descansando dois dias na semana. Pode ser que comece a beber ou fique frustrado e tenha situações de depressão", afirma Sahyoun.

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