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Wednesday, October 14, 2026

Mil currículos por vaga: com IA na triagem, essa empresa mudou as perguntas da entrevista de emprego

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Saber montar uma tabela dinâmica no Excel conta menos do que explicar como você resolveu um problema na faculdade. É assim que Jason Desentz, diretor de recursos humanos da Toshiba para as Américas, conduz entrevistas de emprego desde que a inteligência artificial entrou no recrutamento da empresa. Em relato ao Business Insider, ele diz que hoje avalia mais a forma de pensar do candidato do que as habilidades que ele já domina.

A mudança tem a ver com o que a IA tirou da mesa. Para um cargo de entrada numa empresa do porte da Toshiba, um recrutador júnior pode receber mil currículos. Na prática, segundo Desentz, quem faz a triagem costuma ler os primeiros 50 e parar quando encontra uns 10 bons. No resto da pilha pode estar a melhor pessoa para a vaga.

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O robô lê os currículos. E o recrutador?

A Toshiba criou bots de IA para diferentes tarefas, um deles voltado ao recrutamento, com a função de apontar os candidatos mais qualificados. A empresa também usa IA para montar roteiros de entrevista a partir de três documentos: o currículo, a descrição da vaga e o formulário preenchido pelo gestor que pediu a contratação.

Os roteiros são personalizados para cada candidato. Indicam em que pontos o entrevistador deve aprofundar as perguntas, sem descartar de cara alguém que ainda pode aprender o que falta.

Desentz, que trabalha com RH há quase 30 anos, diz que isso não acaba com as vagas júnior. Muda o trabalho delas. Mesmo no início de carreira, o recrutador passa a atuar como consultor dos gestores, em vez de apenas repassar currículos.

“Não vejo isso como uma história sobre IA. É uma história sobre adaptabilidade”, diz Desentz.

Sem experiência? A faculdade vale como prova

Desentz sabe que muitos candidatos a vagas de entrada ainda não têm histórico profissional. Por isso, pede situações da vida acadêmica: um problema que apareceu durante a faculdade, como ele foi resolvido e qual foi o raciocínio, passo a passo.

O que ele quer observar é o pensamento crítico. Se a pessoa desmonta o problema em partes, se tenta entender o que o causou. Também procura letramento em dados: se o candidato já usou informações para defender uma posição em outras áreas da vida.

Outra pergunta frequente é sobre trabalho em grupo. Desentz parte do princípio de que sempre há alguém no time que não faz a sua parte e quer saber como o candidato motivou essa pessoa a contribuir, sabendo que ela levaria a mesma nota que todo mundo.

O plano mudou no meio do caminho. E agora?

A terceira frente é o conforto com a ambiguidade. Desentz costuma propor cenários em que a situação vira de repente:

  • Você chega com uma apresentação pronta e recebe uma informação que derruba tudo. Como reage?
  • Você desenha um processo de recrutamento com orçamento definido e, na metade, o CEO avisa que é preciso cortar 20%. Como reorganiza o plano?
  • Você tinha prazo para entregar um projeto, ficou doente e agora só resta um dia. O que fez diferente para entregar?

A ideia, segundo ele, é deslocar a entrevista das habilidades específicas para as capacidades. “Nada é estático na vida. Tudo é dinâmico”, diz.

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O medo de ficar obsoleto é real

Dentro da empresa, Desentz reconhece que o receio de ficar para trás existe e recomenda que líderes não o ignorem. Em vez de prometer que a IA não vai tirar o emprego de ninguém, ele prefere dizer à equipe que o trabalho está mudando e que todos vão passar por isso juntos.

Na Toshiba, os bots começaram pelo que mais incomodava os funcionários: perguntas simples que tomavam tempo. A empresa oferece cerca de seis cursos sobre fundamentos de IA, que somaram em torno de 500 inscrições e 300 conclusões. A equipe testou cerca de 12 casos de uso e organizou uma competição inspirada no programa Shark Tank, em que funcionários apresentaram os bots que criaram. O vencedor levou um prêmio simbólico.

Para Desentz, errar faz parte do aprendizado. Ninguém aprende a andar de bicicleta na primeira tentativa.

Contar como você pensa também se treina

Explicar o próprio raciocínio diante de um recrutador, com começo, meio e fim, é uma habilidade que pode ser preparada, assim como o currículo e o perfil no LinkedIn.

O Processo Seletivo Na Prática é um curso online e gratuito, dividido em oito módulos, que acompanha o candidato da leitura da vaga até a entrevista final. As aulas tratam de currículo, otimização do perfil no LinkedIn, método STAR e treino de entrevista, inclusive com inteligência artificial.

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