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Wednesday, October 7, 2026

Lula perdeu votos em cidades pequenas em relação a 2022, diz Pedro Doria

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A eleição para o primeiro turno resultou na diferença mais apertada já registrada antes de um segundo turno na história do país. Com apenas 2,3 milhões de votos separando os dois primeiros colocados em um universo de 170 milhões de votos, o pleito expôs movimentos significativos no eleitorado em relação a 2022.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) registrou uma perda de 3 milhões de votos em comparação à eleição de 2022, enquanto Flávio Bolsonaro (PL) obteve 4,6 milhões de votos a mais do que seu pai, Jair Bolsonaro, havia conquistado, avalia o diretor de jornalismo do Canal Meio, Pedro Doria, em entrevista ao CNN 360º desta terça-feira (6).

"As grandes cidades do país meio que votaram igual votaram em 2022", afirmou.

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Ele destacou que a principal variação entre os dois candidatos ocorreu nas cidades pequenas e médias, especialmente naquelas com menos de 50 mil habitantes.

O especialista também ressaltou que os votos perdidos por Lula não migraram para candidatos de terceira via nem para brancos e nulos: foram diretamente para Flávio Bolsonaro.

Pedro Doria descreveu esse movimento como característico de um eleitor que não está fixado na polarização política. "Ele cogita votar em ambos e está zanzando de uma eleição para outra, procurando quem é o seu presidente, meio que sem encontrar", disse.

Esse perfil, concentrado principalmente na classe C e com nível médio de escolaridade, já havia votado em Jair Bolsonaro em 2018, migrado para Lula em 2022 e, agora, retornou ao campo bolsonarista com Flávio.

Classe C: pragmatismo e aspiração por ascensão social

O especialista aprofundou a análise sobre o perfil desse eleitor, ressaltando que a classe C representa 49% da população brasileira, com a classe C da periferia urbana correspondendo a cerca de um terço do país.

Para Doria, o problema desse eleitor não é a desinformação, mas sim um pragmatismo voltado à ascensão social. "Esse eleitor só tem uma coisa na cabeça. Ele quer saber como ascender socialmente", explicou.

Doria apontou que esse eleitor rejeita o modelo de emprego formal com carteira assinada por entender que ele não oferece as condições necessárias para subir de classe, e busca se viabilizar como pequeno empreendedor — tarefa que considera extremamente difícil diante da burocracia e da complexidade tributária do Brasil.

Políticas percebidas como contrárias ao pequeno empreendedor

Pedro Doria citou exemplos de medidas do atual governo que teriam sido percebidas negativamente por esse público, como a taxação sobre produtos importados de baixo valor — as chamadas "blusinhas".

Segundo ele, a compra de produtos chineses representa tanto um símbolo de status quanto uma fonte de renda para pequenos revendedores. "Existem diversas políticas do governo Lula que foram percebidas por esse público como contra ele", afirmou.

Por outro lado, Doria fez uma ressalva: especialmente entre as mulheres de classe C, há grande dependência de serviços públicos como hospitais e escolas, o que cria ambivalência na hora do voto e explica o caráter pendular desse eleitorado.

Abstenção pode beneficiar Lula no segundo turno

Questionado sobre o alto índice de abstenção, Doria observou que o nível ficou próximo dos 20%, semelhante ao registrado em 2022, sem aumento percentual relevante.

Ao analisar geograficamente onde ocorreu a abstenção nova — ou seja, eleitores que votaram em 2022 e não compareceram desta vez —, o especialista identificou concentração na periferia dos grandes centros urbanos, com perfil demográfico mais alinhado ao voto em Lula do que em Flávio Bolsonaro.

"Parece ser um eleitor que não quer votar nos Bolsonaro, não gostou do governo Lula, ficou em casa", avaliou.

Para Doria, uma eventual queda na abstenção no segundo turno poderia representar uma surpresa positiva para o governo.

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