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Friday, November 6, 2026

Mormaii e startup de SC criam anel de R$ 1.179 e entram na disputa pelo melhor sono

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RESUMO +

A marca de roupas de surfe e acessórios esportivos Mormaii e a empresa de tecnologia LifesHub investiram R$ 3,5 milhões em uma plataforma de dispositivos conectados, cuja novidade é um anel inteligente. O anel inteligente Mormaii custa R$ 1.179 e monitora sono, atividade física e recuperação sem mensalidade pelo aplicativo.

O sono entrou na lista de indicadores de desempenho dos executivos. Anéis e pulseiras que acompanham o descanso passaram a dividir espaço com relógios e alianças — e a alimentar conversas sobre quem conseguiu dormir melhor. Para quem já acompanha metas, resultados e o ritmo da corrida, a noite também pode terminar com uma pontuação no aplicativo.

É nesse encontro entre autocuidado, desempenho e consumo que a Mormaii quer ampliar seus negócios. Conhecida pelas roupas de surfe e pelos acessórios esportivos, a marca se uniu à LifesHub, empresa de tecnologia de Florianópolis, para desenvolver uma plataforma de dispositivos conectados. O investimento foi de R$ 3,5 milhões, e a novidade é um anel inteligente que chega depois da pulseira da linha Mormaii + Saúde.

O projeto levou aproximadamente dois anos e envolveu cerca de 35 profissionais. A divisão de tarefas combina a experiência da Mormaii em marca e comercialização de produtos com a arquitetura de dados da LifesHub. Os dois dispositivos funcionam sem tela e apresentam as informações em um aplicativo.

“A Mormaii não criou apenas uma linha de produtos para você vender no balcão. A gente tem o desenvolvimento de todo o software que está por trás desses produtos”, afirma Ademar Paes Junior, fundador e CEO da LifesHub. “O sensor é importado, mas toda a cultura Mormaii é brasileira, o software é brasileiro.”

A proposta é disputar espaço em uma categoria já ocupada por empresas como Oura, Samsung e Whoop. A aposta brasileira combina preços de R$ 1.179 para o anel e R$ 895 para a pulseira com acesso ao aplicativo sem mensalidade para o consumidor.

Por que uma marca de surfe quer acompanhar o sono

A aproximação com a saúde tem uma conexão com a própria origem da Mormaii. Seu fundador, o médico Marco Aurélio Raymundo, conhecido como Morongo, começou a produzir roupas de neoprene (uma borracha sintética) para enfrentar a água fria de Garopaba, em Santa Catarina. A marca ampliou sua atuação para outras modalidades, acessórios e serviços, incluindo uma rede de estúdios de exercícios.

Valter Tomazzoni, head do Mormaii + Saúde, participou dessa expansão. Na empresa desde 1997, ele fundou a divisão de óculos e acompanhou a transição de uma marca associada ao surfe para um portfólio esportivo mais amplo.

Agora, a intenção é usar essa identificação com movimento e vida ao ar livre para apresentar uma ferramenta de acompanhamento da rotina. Na avaliação do executivo, uma marca esportiva pode aproximar o consumidor do autocuidado por um caminho diferente daquele de hospitais, clínicas e planos de saúde.

Valter Tomazzoni, head do Mormaii + Saúde: marca aposta na relação com o esporte para ampliar sua atuação em tecnologia e autocuidado. (Mormaii/Divulgação)

Do outro lado da parceria está uma empresa habituada a trabalhar com informações. Médico radiologista, com mestrado e doutorado, Paes Junior levou sua carreira para a tecnologia e fundou a LifesHub. A companhia desenvolve soluções que integram bases de dados e usam inteligência artificial para apoiar decisões empresariais. Antes da parceria, já atendia diferentes elos do setor de saúde, como hospitais, clínicas e fornecedores.

Segundo o executivo, a conversa com Morongo começou com outro projeto: uma estrutura de dados para um hospital em Garopaba. O encontro abriu espaço para discutir uma iniciativa que pudesse chegar a consumidores de outras regiões.

A parceria também acompanha uma mudança de comportamento. Além da utilidade para acompanhar hábitos, os dispositivos ganharam uma dimensão de pertencimento em círculos corporativos. Executivos que incorporaram os acessórios da Oura ou da Whoop à rotina dizem que os indicadores de descanso passaram a circular nas conversas de negócios.

Tomazzoni brinca que há uma disputa sobre quem é o "melhor de cama da Faria Lima": nesse caso, quem dorme melhor. A piada ajuda a explicar o mercado em que a parceria desembarca. O descanso também pode virar uma meta a cumprir e um resultado a mostrar.

O que o anel e a pulseira oferecem de diferente

A novidade da parceria está menos no formato dos dispositivos do que na estrutura desenvolvida para reunir e utilizar suas informações. Anéis que acompanham sono e atividade já existem, assim como pulseiras sem tela.

No projeto Mormaii + Saúde, os sensores são importados, enquanto o desenvolvimento do software e a integração dos dados ficam com a estrutura brasileira. Segundo Paes Junior, o investimento foi direcionado à plataforma, à interoperabilidade entre sistemas, ao processamento das informações e à segurança e governança dos dados.

O aplicativo reúne informações de sono, atividade física e recuperação. No anel, também apresenta variações de temperatura em relação ao padrão habitual do usuário e um calendário menstrual para registro de informações e estimativas do ciclo. A proposta é permitir que a pessoa acompanhe tendências ao longo do tempo, em vez de observar apenas uma medição isolada.

Os recursos são voltados ao bem-estar e não substituem avaliação médica. As estimativas do calendário menstrual também não devem ser usadas como método contraceptivo.

“Queremos que a tecnologia ajude as pessoas a compreender melhor a própria rotina sem criar mais uma tela disputando sua atenção. O dispositivo coleta as informações, mas é a integração desses dados que permite construir uma experiência contínua”, afirma Paes Junior.

O anel e a pulseira usam o mesmo aplicativo. Segundo a empresa, o sistema foi preparado para permitir o compartilhamento das informações com profissionais escolhidos pelo usuário e a integração com softwares de consultórios, mediante autorização. A LifesHub desenvolveu o software com exclusividade para a Mormaii, afirma o CEO.

Ademar Paes Junior, fundador e CEO da LifesHub: software desenvolvido no Brasil reúne os dados dos dispositivos e permite compartilhamento autorizado. (Lifes Hub/Divulgação)

Outra frente é ampliar os equipamentos conectados. Paes Junior cita a intenção de incorporar uma balança à plataforma. Isso permitiria acompanhar novas informações no mesmo ambiente, sem depender apenas do lançamento de outro anel ou pulseira.

Na cobrança ao consumidor, a escolha foi vender o equipamento e oferecer o aplicativo sem assinatura. “Você compra pulseira ou anel, você não paga mais nada”, diz Tomazzoni.

O modelo difere do adotado pela Oura, que cobra pela assinatura que libera a experiência completa de seu aplicativo. Nos Estados Unidos, o serviço custa US$ 5,99 por mês, além da compra do anel. A Whoop também trabalha com assinatura e inclui o dispositivo em seus planos. Já a Samsung oferece acesso aos dados do Galaxy Ring pelo Samsung Health sem assinatura — portanto, a ausência de mensalidade não é uma exclusividade da parceria brasileira.

Como as empresas pretendem ganhar escala

A parceria tem duas frentes comerciais. Na venda ao consumidor, a receita vem dos dispositivos. Na oferta para organizações, como empresas, clínicas e equipes esportivas, a proposta é contratar o acesso à plataforma como serviço, com os equipamentos incluídos no pacote, segundo Tomazzoni. Os valores dessa modalidade não foram divulgados.

Essa segunda frente permite à LifesHub aplicar sua experiência em integração de dados a grupos de usuários. Uma clínica ou uma equipe esportiva, por exemplo, pode acompanhar informações de diferentes pessoas em uma plataforma, respeitadas as autorizações de acesso.

A estratégia amplia as possibilidades de receita para além da venda de um acessório. Também exige que o usuário continue usando o produto: o valor da plataforma depende da continuidade dos registros e da utilidade das informações para quem os consulta.

Para a Mormaii, o desafio comercial é aproveitar uma rede extensa sem pressupor que todos os seus canais sejam adequados à nova categoria.

“A Mormaii, especificamente, hoje tem mais de 50 mil pontos ativos no Brasil, só que envolve relojoarias, sapatarias, lojas de surfe, Renner, Centauro. Então esse produto não é colocado dessa maneira, até porque é um tíquete médio diferenciado”, afirma Tomazzoni.

A expansão será gradual, inicialmente concentrada nos canais digitais do Mormaii + Saúde e em públicos que já se relacionam com a marca. A distribuição poderá avançar para lojas, quiosques e parceiros, mas ainda não há uma meta divulgada de pontos de venda para os dispositivos.

A ambição de longo prazo é alcançar 10 milhões de brasileiros. As empresas apresentam o número como um objetivo de alcance do projeto, sem prazo definido, e não como uma previsão de aparelhos vendidos no primeiro ano.

Para os primeiros 12 meses, não foram divulgadas metas de unidades vendidas, faturamento ou participação da linha nos negócios da Mormaii. O foco informado é consolidar a categoria, ampliar a distribuição e acompanhar o uso do anel, da pulseira e do aplicativo.

'Perguntas frequentes'

Quanto custam o anel e a pulseira inteligente da Mormaii? +

O anel inteligente Mormaii custa R$ 1.179, enquanto a pulseira da linha Mormaii + Saúde custa R$ 895. Segundo Valter Tomazzoni, head do Mormaii + Saúde, o consumidor não paga mensalidade para acessar o aplicativo.

Quais informações o anel inteligente Mormaii monitora? +

O anel monitora sono, atividade física, recuperação e variações de temperatura em relação ao padrão habitual do usuário. O aplicativo também oferece um calendário menstrual, mas os recursos são voltados ao bem-estar, não substituem avaliação médica e não devem ser usados como método contraceptivo.

O que foi desenvolvido no Brasil para os dispositivos da Mormaii? +

Os sensores são importados, mas o software, a integração dos dados e a plataforma foram desenvolvidos no Brasil. Segundo Ademar Paes Junior, fundador e CEO da LifesHub, o investimento abrangeu interoperabilidade entre sistemas, processamento de informações, segurança e governança de dados.

Quanto tempo levou o desenvolvimento da plataforma Mormaii + Saúde? +

O projeto levou aproximadamente dois anos, envolveu cerca de 35 profissionais e recebeu investimento de R$ 3,5 milhões. A Mormaii ficou responsável pela experiência de marca e comercialização, enquanto a LifesHub desenvolveu a arquitetura de dados e o software exclusivo.

Os dados do anel podem ser compartilhados com médicos e clínicas? +

Sim. Segundo a empresa, o sistema permite compartilhar informações com profissionais escolhidos pelo usuário e integrar os dados a softwares de consultórios, desde que haja autorização.

Como a Mormaii e a LifesHub pretendem ganhar dinheiro com a plataforma? +

Nas vendas ao consumidor, a receita virá dos dispositivos; para empresas, clínicas e equipes esportivas, a plataforma será oferecida como serviço com os equipamentos incluídos, segundo Valter Tomazzoni. As empresas também têm o objetivo de alcançar 10 milhões de brasileiros, sem prazo definido, mas o número não representa uma previsão de aparelhos vendidos.

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