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Saturday, September 12, 2026

Que fábrica é esta que produz o VW T-Roc e vai fechar?

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Tudo indica que o futuro da Autoeuropa está assegurado, pelo menos durante um bom par de anos, primeiro com a produção do novo T-Roc com os seus motores híbridos e, depois, com a garantia que irá ser Portugal a fabricar o mais pequeno (e barato) dos veículos eléctricos da Volkswagen, antecipado pelo protótipo ID.EVERY1. Mas esta semana foi anunciado o encerramento de uma fábrica na Alemanha, em Osnabrück, de onde sai um T-Roc similar ao montado em Palmela, mas na versão cabriolet, o que pode suscitar mais uma vez dúvidas quanto ao futuro da fábrica da marca em Portugal.

A fábrica do Grupo Volkswagen em Osnabrück é, na realidade, a antiga unidade fabril fundada em 1901 pela Karmann, um carroçador alemão que trabalhou com o designer italiano Ghia, para conceber e fabricar coupés, de início, e mais tarde modelos descapotáveis. A fábrica da Karmann acabaria por falir em 2009, altura em que foi salva (adquirida) pela VW. Uma vez inserida no consórcio germânico, a fábrica de Osnabrück passou a ser responsável pela produção de modelos descapotáveis produzidos em pequenas séries, como os Golf Cabriolet, Porsche 718 Boxster e Cayman, e T-Roc Cabriolet. Como a Porsche já não está a produzir o 718 Boxster desde 2025 e a VW acabou com o Golf Cabriolet já em 2016, o único modelo que mantinha a fábrica em funcionamento era o T-Roc Cabriolet, que será descontinuado em 2027.

Enquanto o novo T-Roc fabricado em Palmela, na Autoeuropa, evoluiu para uma nova geração mais moderna, construída sobre a nova plataforma MQB Evo, que passou a permitir a adoção de motores híbridos, mais eficientes e melhores para o consumo, em Osnabrück a VW continuou a produzir o T-Roc Cabriolet da geração anterior. Com baixo volume de vendas, em parte por não oferecer as mecânicas que o mercado passou a exigir, o T-Roc descapotável fabricado na Alemanha ainda utilizava a mais antiga plataforma MQB, para mais, com a carroçaria antiga e sem recorrer a mecânicas híbridas, melhores para a carteira e para o ambiente.

Num momento em que o Grupo VW tem como objectivo reduzir custos, o que passa por despedir 100.000 empregados, encerrar quatro fábricas na Alemanha e reduzir o número de modelos e versões para simplificar a produção, livrar-se da antiga fábrica da Karmann era uma opção demasiado tentadora. Curiosamente, Osnabrück, que continuará a produzir até ao Verão de 2027 com os seus 3.200 empregados, nem sequer figurava entre as quatro fábricas – nomeadamente Emden (8.000 empregados), Zwickau (8.000), Hanover (15.000) e Neckarsulm (16.000) – que o Grupo VW anunciou pretender encerrar.

Osnabrück foi vendida a uma joint venture em que o grupo de investimento alemão Aurelius detém a maioria do capital e o Estado da Baixa Saxónia o restante, que chegou a acordo com o Rafael Advanced Defense Systems, o especialista israelita em armamento high-tech. Das antigas instalações que fabricaram descapotáveis da Audi, Volkswagen e Porsche, vão passar a sair componentes para sistemas de defesa como o Iron Dome. De acordo com a Bloomberg, o Grupo VW pretendia aproveitar Osnabrück para entrar no negócio da produção de armamento, mas o Fundo de Investimento do Qatar (que detém 10,4% do grupo e 17% do poder de voto) impediu o construtor alemão de entrar no negócio.

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