ESPNColts' Steichen: WR Downs 'ready to go' despite trade requestInquirerMayon blast forces evacuation in AlbayESPN DeportesWarriors borran déficit y juegan de tú a túZDF heuteEntdecken Sie das ZDF-NachrichtenstudioUOLCliente diz ter contraído herpes em salão que já enfrentou processo nos EUAThe Sydney Morning Herald‘A role that gives me genuine purpose’: Why Chris Fagan chose Carlton as his new AFL homeSportstarIND A vs NZ A LIVE Score, 2nd unofficial Test Day 1: Jurel scores fifty to take India A past 220; Padikkal out for 80; Sheat picks fourMalay MailDon’t stay at the helm too long, plan succession Singapore PM Wong tells business leadersClarínMamdani desafía a Trump por la Green Card: Nueva York presenta una demanda contra las nuevas reglas de carga públicaLenta.ruНазван главный фактор снижения весаSözcüAHBAP soruşturmasında yeni detaylar! Milyonlarca liralık borç iddiasıTechCrunchPile-ins, payouts, and pacing pressure: the investors behind the VCs open up
The Daily Newsstand · Free, Always
Saturday, October 31, 2026

'Era um cenário de guerra'; as lembranças da queda do Fokker 100 da TAM, 30 anos depois

Translate

O jornalista e roteirista Jorge Tadeu da Silva, 62, mora com a família em um sobrado limpo e organizado no Jabaquara, zona sul de São Paulo. O cheiro de combustível e de queimado, perceptível só no seu imaginário, porém, permanece lá há três décadas para ele. É a memória olfativa de uma das maiores tragédias aéreas do país. "O cheiro é o mais difícil de apagar das lembranças."

Em 31 de outubro de 1996, 99 pessoas morreram na queda de um Fokker 100 da TAM, segundos após decolar do aeroporto de Congonhas. O voo 402 seguiria para o Rio de Janeiro.

Um dos trens de pouso arrebentou a parede e entrou no quarto dos pais de Silva, Arnaldo e Conceição. Foi parar na cama do casal, que havia acordado minutos antes e se preparava para o café da manhã.

"Eles ainda não haviam chegado à escada [que leva à cozinha] quando ouviram o barulho. Meu pai pensou que era um transformador estourado e demorou para saber o que havia acontecido", conta.

Silva morava no número 65 da rua Luís Orsini de Castro. Sua casa era geminada com a dos pais, onde ele vive hoje. Professor na época, estava em sala de aula quando o irmão telefonou ao colégio para avisar que um avião havia caído lá.

Com a frente do sobrado em chamas, o casal escapou por uma passagem entre os imóveis. Arnaldo sofreu queimadura em um braço, e ambos foram levados ao hospital. O filho passou o dia do outro lado da rua e só reencontrou os pais no fim da tarde. "Minha mãe nunca mais conseguiu ficar no escuro."

As edificações atingidas pelo avião e pelas chamas foram recuperadas. As casas da família Silva acabaram reformadas após cerca de 15 anos de disputa judicial por indenização.

Não mais do que meia dúzia dos moradores daquela época ainda moram na rua. Muitos mudaram pelo trauma ou pela desvalorização dos imóveis, diz o jornalista.

As árvores arrancadas pelo impacto foram substituídas por outras no décimo aniversário do acidente. Elas fazem sombra na rua onde, no dia da tragédia, quase uma centena de corpos ficou enfileirada.

"Foi feito um improviso com sacos plásticos para preservar os corpos e para que as pessoas não ficassem chocadas com aquelas imagens", diz Jefferson Mello, 63, coronel da reserva do Corpo de Bombeiros.

Tenente na época, ele passou 24 horas no local à procura de sobreviventes e no resgate de corpos nos escombros. Voltou pela primeira vez em 30 anos no último dia 23, com a Folha. "Era um cenário de guerra", define.

"Ele sobrevoou a escola e foi destruindo as residências. Havia pedaços do avião por todos os lados e, infelizmente, os corpos foram se espalhando ao longo da rua", afirma, durante caminhada com a reportagem para apontar o que lembrava.

A Escola Estadual Dr. Ângelo Mendes de Almeida fica a menos de 100 metros da queda. "Vira e mexe a gente ia até lá naquele dia para saber se estava tudo bem, porque ficávamos imaginando aquelas crianças pequenas. Não sei qual foi a dinâmica [dos pilotos] para que ele [o avião] não tivesse caído na escola."

O então promotor Mário Luiz Sarrubbo, 63, que anos depois comandaria o Ministério Público de São Paulo, soube do acidente pelo rádio do carro, após levar os pais ao aeroporto de Guarulhos, de onde embarcariam para a Argentina. Viu a fumaça ao chegar ao fórum do Jabaquara, onde trabalhava.

No mesmo dia, o então procurador-geral de Justiça Luiz Antônio Marrey avisou que Sarrubbo acompanharia o inquérito da Polícia Civil. À tarde, ele estava no local.

Entre as imagens que guarda está a de um celular que tocava em meio aos destroços.

"Eu vi e falei: 'Meu Deus do céu, era o celular de uma pessoa que, diante de toda essa tragédia, ainda estava funcionando'", conta.

Naquela manhã, Sandra Assali deu um beijo no marido, o cardiologista José Rahal Abu Assali, disse até já na porta do aeroporto, e foi embora. Afinal, ele voltaria no final daquele dia, pois era apenas mais uma viagem de trabalho, como tantas outras. Mas o médico de 45 anos não voltou.

O relato está em uma sequência de textos que ela tem publicado nos últimos dias em rede social por causa dos 30 anos da queda do avião. "Esse é um assunto sem fim. A gente sempre vai precisar falar sobre essa questão", diz.

Sandra é presidente da Abrapavaa (Associação Brasileira de Parentes e Amigos de Vítimas de Acidentes Aéreos), organização criada a partir do acidente que matou seu marido. A organização tornou-se referência mundial no acolhimento de pessoas que perderam familiares em situações parecidas.

UMA TRAGÉDIA INESPERADA

Em 24 segundos, um voo de cerca de 45 minutos se transformou em uma das maiores tragédias da aviação brasileira. Na manhã de 31 de outubro de 1996, o Fokker 100 da TAM, prefixo PT-MRK, decolou de Congonhas às 8h26 rumo ao aeroporto Santos Dumont, no Rio. A bordo estavam 90 passageiros e cinco tripulantes.

Logo após a decolagem, o reversor de empuxo do motor direito abriu inadvertidamente. A aeronave perdeu potência, saiu de controle e caiu no Jabaquara.

A investigação apontou falhas no sistema do reversor e na resposta à emergência.

O especialista em segurança de voo Douglas Avedikian, 62, lembra que o avião havia apresentado, no voo anterior, uma pane no autothrottle, sistema automático que fazia uma das manetes recuar. A informação estava registrada no livro de bordo e foi repassada ao comandante antes da decolagem.

Segundo ele, isso levou os pilotos a associar o recuo da manete a um problema conhecido. Na verdade, o reversor do motor direito havia se aberto em voo. A Fokker considerava, segundo ele, essa ocorrência uma possibilidade de "1 em 1 bilhão" e não previa treinamento específico para enfrentá-la.

O Ministério Público pediu o arquivamento do inquérito por entender que o acidente decorreu de uma falha técnica imprevisível e que não havia elementos para imputar culpa criminal ou dolo aos pilotos ou aos técnicos da companhia aérea.

Avedikian estava no Cindacta 3 (órgão responsável pelo tráfego aéreo), em Recife, e acompanhou o acidente pela televisão. Controlador de voo com experiência em torre, lembra que a rapidez do acidente foi alarmante. "A imagem da queda era forte e não explicava o que havia provocado a tragédia. Foi muito triste."

AVIÃO DEIXOU FROTA EM 2008

Em nota, a Latam (que nasceu da associação entre a brasileira TAM e a chilena LAN) diz que o relatório do Cenipa recomendou mudanças em procedimentos adotados pela companhia na época, além de solicitar modificações técnicas à fabricante da aeronave, cujo modelo deixou a frota em 2008.

A empresa diz se solidarizar com todas as pessoas impactadas pelo trágico acidente. "Embora consciente de que nada poderá compensar a perda dos entes queridos, a companhia empenhou-se, desde o primeiro momento, em apoiar os familiares de todas as maneiras possíveis."

View the original on UOL →

KioskNews shows a cleaned-up reading view extracted from the publisher’s page — the original always lives on their site, not ours.