Bloco da oposição reúne-se e Netanyahu reivindica liderança

O bloco da oposição israelita reúne-se esta terça-feira para tentar formar uma maioria após as eleições legislativas, sob a liderança do centrista Gadi Eisenkot, enquanto o primeiro-ministro cessante, Benjamin Netanyahu, apela à formação de uma ampla coligação.
“Os líderes do bloco pela mudança (…) reunir-se-ão em Herzliya (noroeste) para debater e coordenar os próximos passos”, indicou o partido Yashar, de Gadi Eisenkot, na segunda-feira, num comunicado.
Trata-se da primeira reunião desde as eleições de 27 de outubro, que não revelaram qualquer maioria, nem para a coligação de Benjamin Netanyahu (53 lugares), nem para o bloco liderado por Gadi Eisenkot (48 lugares).
A principal questão prende-se com o papel que o bloco da oposição poderá atribuir às listas árabes, o Raam e a Lista Unificada, que obtiveram um número recorde de 19 assentos dos 120 que compõem o parlamento.
Todos os membros do bloco afirmaram que vão propor Gadi Eisenkot como futuro primeiro-ministro ao Presidente israelita, Isaac Herzog, que dará início, na quarta-feira, às consultas com vista à formação de um Governo. Os partidos árabes também deram a entender o mesmo.
Benjamin Netanyahu, por seu lado, apelou à formação de uma ampla coligação governamental, sob sua liderança, que exclua os partidos árabes, que não deixou de atacar durante a campanha eleitoral e após as eleições, apresentando-os como uma ameaça à sobrevivência de Israel. Os líderes destes partidos qualificam o Governo de Netanyahu como racista.
“Procuramos formar um Governo alargado com os nossos parceiros e com qualquer partido que deseje juntar-se a nós e que não apoie o terrorismo. Estou aberto a um diálogo sobre este assunto”, declarou Netanyahu no canal da plataforma Telegram do partido Likud.
[Duarte Lima chega ao Brasil 45 horas antes de Rosalina Ribeiro ser assassinada. Tinha encontro marcado com a milionária no Rio de Janeiro mas aterra em Belo Horizonte. Na reconstituição dos movimentos dele, a polícia percebe que o advogado nunca usou o telemóvel pessoal no Brasil. Mas foram detetados contactos a partir de dois telefones portugueses e um suiço. Um deles liga várias vezes para a casa da milionária. Já pode ouvir o terceiro episódio de “As Sombras de Duarte Lima”, o novo Podcast Plus do Observador. Está disponível no site do Observador, na Apple Podcasts, no Spotify e no Youtube.]
“A opinião pública em Israel não quer um Governo que dependa do Raam e da Lista Unificada”, acrescentou, acusando estas formações de “apoiarem o terrorismo e negarem a existência do Estado judeu”.
Os líderes destas formações políticas condenaram os ataques do movimento Hamas em Israel, em 07 de outubro.
Quanto à definição de Israel como Estado judeu, esta foi reconhecida pelo líder do Raam, mas é rejeitada por outros líderes de partidos árabes.
No seio do bloco da oposição, o líder de esquerda, Yair Golan, é a favor de uma aliança com estes partidos, mas o líder de direita, Avigdor Liberman, opôs-se radicalmente a essa ideia.
O Yashar pareceu descartar essa possibilidade, mas sem a excluir claramente, e a posição do partido Ensemble (centro-direita) é ambígua.
O Presidente Isaac Herzog anunciou que receberia os partidos entre a tarde de quarta-feira e a noite de quinta-feira, começando pelos que obtiveram menos assentos.
De acordo com a prática em Israel, o Presidente deve confiar a tarefa de formar um Governo à personalidade mais recomendada, tendo em conta o peso dos diferentes partidos, o que coloca Eisenkot na posição de favorito.
No campo de Netanyahu, os aliados de extrema-direita, Bezalel Smotrich e Itamar Ben Gvir, deverão propor o nome do primeiro-ministro cessante, tal como o Shass (ultraortodoxo), de acordo com informações da imprensa. A posição do outro partido ultraortodoxo não é clara.
O Presidente tem, em princípio, até 11 de novembro para fazer a escolha. O candidato designado dispõe, em seguida, de 28 dias (prorrogáveis por 14 dias) para formar uma coligação capaz de obter a confiança do Parlamento.
Em caso de fracasso, o Presidente pode confiar esse mandato a outro candidato, também por 28 dias; se houver impasse, deve então remeter o mandato ao Parlamento para que este tente reunir 61 deputados.
Se esta solução de última hora falhar, a Knesset é dissolvida e são organizadas novas eleições no prazo de 90 dias.
KioskNews shows a cleaned-up reading view extracted from the publisher’s page — the original always lives on their site, not ours.