Qual é o risco real de uma guerra entre Rússia e Alemanha?
Já Roderich Kiesewetter, especialista em segurança da CDU, partido de centro-direita do chanceler federal Friedrich Merz, rejeita a tese defendida por AfD e BSW de que encerrar a ajuda à Ucrânia aumentaria a segurança e liberaria recursos para políticas sociais. "Investimentos em educação, políticas sociais e infraestrutura só são possíveis quando vivemos com liberdade, democracia e, acima de tudo, segurança. Quem acredita que haverá mais dinheiro para programas sociais se abandonarmos a Ucrânia e deixarmos a Rússia agir livremente está profundamente enganado ou serve de instrumento para a propaganda russa", disse Kiesewetter.
Décadas de mentalidade pacifista
Por causa das ameaças, a Bundeswehr vem passando por um amplo processo de modernização financiado com grandes investimentos. No entanto, as forças armadas alemãs enfrentam dificuldades para recrutar pessoal suficiente para a expansão planejada. Estudantes protestam contra o serviço militar obrigatório, assim como se mobilizavam em defesa do clima. O ministro da Defesa, Boris Pistorius, também recebeu críticas dentro de seu próprio partido ao afirmar que a Alemanha precisava estar "pronta para a guerra". Muitos consideraram a expressão excessivamente beligerante.
A Alemanha está preparada para enfrentar uma ameaça militar? Na avaliação de Stefan Meister, da Sociedade Alemã de Política Externa, não. "De forma alguma. O país não está adequadamente preparado nem do ponto de vista militar, nem no plano civil, e a população também não está psicologicamente pronta. Continuamos vendo manifestações contra o serviço militar e contra a Bundeswehr, embora a Alemanha precise do alistamento obrigatório. Fomos educados durante décadas dentro de uma cultura pacifista e de uma zona de conforto. A resiliência da sociedade é limitada e, principalmente, não estamos mentalmente preparados para uma guerra", diz
O chanceler federal Friedrich Merz e seu partido, a CDU, enfrentam crescente pressão política, principalmente da direita, para reduzir o apoio à Ucrânia. Merz, no entanto, insiste que o auxílio continuará durante seu governo. Segundo ele, a questão diz respeito também à segurança da Alemanha. Recentemente, o chanceler voltou a Kiev, onde visitou áreas destruídas pela guerra ao lado do presidente ucraniano, Volodimir Zelenski.
Mas isso também significa que a ameaça representada pela Rússia deve continuar e até se intensificar, afirma Stefan Meister. "Acredito que veremos um aumento expressivo de ataques como o de Leipzig e de provocações envolvendo drones. Também poderemos assistir a ações contra infraestrutura crítica e até contra pessoas ligadas ao complexo militar-industrial. Essa é, na minha avaliação, a ameaça concreta que a Alemanha enfrentará nos próximos meses", finaliza o especialista.
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