918 mil eleitores: diáspora brasileira pelo mundo pode ter seu maior peso eleitoral esse ano
Nas eleições de 2026, 918.876 brasileiras e brasileiros que vivem no exterior estão aptos a votar, o equivalente a pouco mais de 0,5% do eleitorado brasileiro, estimado em 158,7 milhões de pessoas, segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). O número reforça a dimensão eleitoral de uma comunidade que cresceu aceleradamente na última década.
Em 2022, cerca de 697 mil brasileiros estavam habilitados a votar fora do país, enquanto em 2014 eram pouco mais de 354 mil. Em 12 anos, portanto, o eleitorado registrado no exterior praticamente triplicou, ampliando a presença da diáspora no cadastro eleitoral brasileiro.
Ao todo, os eleitores estarão distribuídos em 186 cidades no exterior, onde serão instaladas as seções eleitorais. A organização da votação é conduzida pela Justiça Eleitoral, em articulação com a rede diplomática brasileira, o que permite que cidadãos residentes no exterior participem diretamente da escolha do comando do Executivo federal.
Segundo dados do Itamaraty, do Relatório Consular Anual de 2025, a maior diáspora brasileira encontra-se nos EUA, com 2,067 milhões de expatriados, dos quais cerca de 500 mil respondem ao consulado-geral em Nova York. Seguem Portugal, com mais de 620 mil; Japão, com 210 mil; e Espanha e Reino Unido, ambos beirando os 200 mil.
Como funciona o voto no exterior?

Para votar no exterior, brasileiros devem ester registrados em brasília, e o voto conta apenas para a presidência e vice-presidência da república (Fabio Pozzebom/Agência Brasil)
A votação no exterior, no entanto, tem uma característica específica: o eleitorado do exterior elege apenas o presidente e o vice-presidente da República. Neste ano, a votação será realizada em 4 de outubro, no primeiro turno, e, se necessário, em 25 de outubro, no segundo turno.
Para votar, o brasileiro residente no exterior precisa estar inscrito na Zona Eleitoral do Exterior, conhecida como ZZ, sediada em Brasília. O alistamento pode ser solicitado por meio do Título Net Exterior ou presencialmente nas embaixadas e repartições consulares brasileiras responsáveis pela região de residência do eleitor.
Podem se inscrever brasileiros natos ou naturalizados, maiores de 18 anos e no pleno exercício dos direitos políticos, que residam fora do país. O alistamento é facultativo para analfabetos, jovens de 16 e 17 anos e pessoas com mais de 70 anos, enquanto estrangeiros e conscritos durante o serviço militar obrigatório não podem se alistar.
O pedido de inscrição exige documento oficial brasileiro de identificação e comprovante, ou declaração, de residência no exterior. Para homens entre 18 e 45 anos, é necessário apresentar também o certificado de quitação do serviço militar, e os documentos devem ser encaminhados à Zona Eleitoral do Exterior para análise.
Nos anos eleitorais, há um prazo específico para o alistamento, pois o cadastro eleitoral é encerrado antes da votação. A inscrição só pode ser requerida até 151 dias antes da eleição, e eventuais pedidos de regularização devem ser tratados diretamente com a Zona Eleitoral do Exterior.
Após a análise e o deferimento do pedido, o eleitor pode obter a versão digital do título no aplicativo e-Título. Para acompanhar situações específicas relacionadas ao processo de alistamento, brasileiros no exterior também podem procurar a Zona Eleitoral do Exterior pelo endereço eletrônico disponibilizado pelo Tribunal Regional Eleitoral do Distrito Federal.
O crescimento do eleitorado externo também revela uma mudança importante no perfil da diáspora registrada pela Justiça Eleitoral. Entre os 918.876 eleitores, aproximadamente 528 mil são mulheres, o equivalente a 57%, enquanto os homens somam cerca de 391 mil, ou 43%.
Na distribuição por faixa etária, o maior grupo é composto por eleitores de 40 a 44 anos, seguido pelas faixas de 35 a 39 anos e de 45 a 49 anos. Em relação à escolaridade, 38% possuem ensino superior completo, 29% têm ensino médio completo e 13% cursaram o ensino superior, mas não o concluíram.
O cadastro ainda indica que 52% dos eleitores no exterior são solteiros e 42% são casados. Há também 6.614 pessoas com deficiência registradas, o que corresponde a 0,72% do eleitorado residente fora do Brasil.
Embora ainda represente uma fração do eleitorado nacional, o contingente de brasileiros habilitados a votar no exterior cresceu de forma consistente e hoje está distribuído por dezenas de países e 186 cidades. A expansão do cadastro amplia a presença institucional da diáspora no processo eleitoral brasileiro e consolida o voto no exterior como dimensão permanente das eleições presidenciais.
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