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Monday, September 14, 2026

Reunião sobre Ormuz trava e ameaça agravar crise global do petróleo

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Reunião sobre Ormuz trava e ameaça agravar crise global do petróleoA diplomacia no Oriente Médio parecia perder força nesta segunda-feira (14), após o adiamento de uma reunião entre o Irã e outras potências do Golfo. Ao mesmo tempo, ataques nas duas principais rotas de transporte de petróleo da região aumentaram as preocupações sobre o abastecimento global de energia.

Os preços do petróleo subiram mais de 3% nesta segunda-feira, após ataques dos houthis contra a Arábia Saudita, o maior exportador mundial, um ataque separado que provocou o fechamento de seu principal oleoduto Leste-Oeste durante o fim de semana e ataques contra embarcações no Golfo, ampliando as preocupações com a oferta.

As esperanças de um avanço diplomático no curto prazo diminuíram quando o ministro das Relações Exteriores de Omã, Sayyid Badr Albusaidi, informou no fim de domingo que uma reunião regional marcada para esta segunda-feira havia sido adiada “no interesse do consenso”.

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Autoridades iranianas haviam informado que participariam do encontro com os países árabes do Golfo para apresentar um acordo com Omã sobre a gestão das rotas marítimas pelo Estreito de Ormuz, por onde passava cerca de um quinto do petróleo mundial antes da guerra.

A agência iraniana Fars citou um funcionário do Ministério das Relações Exteriores do Irã afirmando que a reunião foi adiada a pedido de alguns países da região, em uma decisão tomada conjuntamente por Teerã e Mascate. Segundo o funcionário, o Irã coordenará com Omã a definição de uma nova data para o encontro.

O adiamento ocorreu após a decisão da Arábia Saudita de interromper, pelo menos por enquanto, seu oleoduto que funciona como principal rota para transportar petróleo do Oriente Médio evitando o Estreito de Ormuz.

Enquanto isso, o estreito continuou representando riscos para o transporte de petróleo. A agência britânica de segurança marítima UKMTO informou no domingo que uma embarcação foi atingida por um projétil enquanto atravessava o Estreito de Ormuz, provocando um incêndio e obrigando a tripulação a ser evacuada.

O Irã, por sua vez, afirmou que uma pessoa morreu e quatro tripulantes ficaram feridos quando uma embarcação comercial iraniana foi atingida na costa do país.

Dados preliminares de rastreamento de navios mostraram nesta segunda-feira que o número de embarcações comerciais que atravessaram o Estreito de Ormuz caiu para apenas um dígito por dia durante o fim de semana, bem abaixo da média de 14 travessias registrada nos dez dias anteriores.

Os números não incluem possíveis embarcações que tenham atravessado o estreito com os transponders de seus Sistemas de Identificação Automática (AIS) desligados para evitar serem detectadas.

Diesel nos EUA bate novo recorde

Os preços do petróleo subiram acima de US$ 100 por barril na semana passada pela primeira vez desde julho. O preço do diesel no varejo dos Estados Unidos, um indicador politicamente sensível, também atingiu um novo recorde no domingo, superando US$ 6,20 por galão.

Operadores do mercado e compradores de petróleo sauditas disseram à Reuters no domingo que Riad tem petróleo armazenado em quantidade suficiente no porto de Yanbu, no Mar Vermelho, para manter as exportações por apenas cinco a sete dias caso o oleoduto atingido na sexta-feira continue fechado.

Depois desse período, até 4% da oferta global de petróleo poderá ficar ameaçada, além dos milhões de barris por dia que já deixaram de ser transportados devido à redução do tráfego pelo Estreito de Ormuz.

A Arábia Saudita não divulgou detalhes completos sobre a extensão dos danos ao oleoduto nem informou por quanto tempo ele permanecerá inoperante. Fontes ouvidas pela Reuters deram estimativas divergentes sobre o tempo necessário para os reparos, variando de dias a semanas. Imagens de satélite mostraram enormes colunas de fumaça em pontos ao longo do oleoduto.

O recente aumento da violência relacionada à guerra iniciada pelos Estados Unidos e por Israel há seis meses ocorre após um agosto relativamente tranquilo, no qual o fluxo de petróleo do Oriente Médio havia começado a se recuperar.

Em entrevista ao veículo pan-árabe Al-Arabi Al-Jadeed, sediado em Londres, o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araqchi, afirmou que, independentemente de qualquer acordo com Omã, o Irã não reabrirá o estreito até que os Estados Unidos atendam às exigências de Teerã.

Até o momento, os EUA não conseguiram alcançar os objetivos estabelecidos pelo presidente Donald Trump quando lançou a “Operação Epic Fury”, em fevereiro: encerrar o programa nuclear iraniano, impedir que o país tenha capacidade de atacar seus vizinhos e criar condições para que a população derrube seus governantes.

Durante uma viagem à Irlanda no fim de semana, que incluiu a participação no torneio de golfe Irish Open, Trump reiterou que ainda espera que a guerra com o Irã termine neste ano, possivelmente logo após as eleições de meio de mandato de novembro. Segundo ele, depois disso, o preço da gasolina “cairia como uma pedra”.

Ataques houthis continuam

Na Arábia Saudita, a mídia estatal divulgou imagens de danos causados a casas e a uma mesquita em um suposto ataque transfronteiriço realizado pelos rebeldes houthis, alinhados ao Irã, na província de Jazan, no sul do país.

Os houthis também afirmaram ter atingido uma base militar saudita em uma província vizinha, após a captura da ilha de Perim, no estreito de Bab el-Mandeb, conhecido como “Porta das Lágrimas”, que controla a entrada do Mar Vermelho.

O avanço dos houthis ao longo da costa do Mar Vermelho faz parte da maior escalada dos combates no Iêmen em anos.

O avanço do grupo e os ataques contra a Arábia Saudita representam um novo dilema para Washington, que quer apoiar seus aliados sauditas e proteger o transporte marítimo, mas teme entrar em uma guerra em outra frente.

Os ataques dos houthis também colocaram os países do Golfo diante de uma escolha difícil: aceitar o crescente impacto econômico ou se envolver com o Irã.

Os Estados Unidos bombardearam os houthis durante dois meses em 2025, mas Trump interrompeu a campanha após anunciar que o grupo havia suspendido a ameaça de atacar navios no Mar Vermelho.

Três fontes disseram à Reuters que o príncipe herdeiro saudita e governante de fato do país, Mohammed bin Salman, ligou para Trump na quinta-feira (10) para pedir ajuda militar no combate aos houthis, mas recebeu, por enquanto, apenas uma oferta de apoio de inteligência.

Trump confirmou no sábado (12) que havia conversado com o príncipe herdeiro e disse que os houthis também haviam procurado o governo americano, pedindo que Washington não se envolvesse na guerra do Iêmen.

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