Mais dois jogadores processam o Guarani; somadas, cobranças passam de R$ 2 milhões


Executivo de futebol cita erros que marcaram a temporada do Guarani
Os dois atletas alegam que o clube deixou de cumprir obrigações previstas em contrato e pedem à Justiça o reconhecimento da chamada rescisão indireta, que permite ao trabalhador romper o vínculo por falta grave do empregador.
Além dos valores que afirmam ter a receber, os jogadores pedem que a Justiça determine a liberação de seus registros na CBF, para que possam assinar com outras equipes antes do fim dos processos.
Isaque; Guarani x Caxias; Série C — Foto: Raphael Silvestre/Guarani FC
A maior cobrança é a de Isaque, que atribui à ação o valor de R$ 1.634.801,65.
O meia afirma que assinou um compromisso de renovação automática até dezembro de 2027 caso fosse titular em pelo menos 50% dos jogos do Campeonato Paulista ou da Série C de 2026. Segundo a ação, ele atingiu a meta ao começar 22 das 28 partidas disputadas pelo Guarani na temporada, o equivalente a 78,6%.
Com base nesses números, o jogador pede que a Justiça reconheça a renovação do contrato.
Isaque também cobra valores que afirma estarem atrasados, incluindo salários, direitos de imagem, auxílio-moradia, FGTS, férias e 13º salário.

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Entre os pedidos estão R$ 135 mil em salários, outros R$ 135 mil em direitos de imagem, R$ 45 mil de auxílio-moradia e R$ 22,4 mil de FGTS. O meia também cobra R$ 64,1 mil referentes a férias e 13º salário, além de R$ 30 mil de multa prevista na legislação trabalhista.
Os maiores valores da ação são duas indenizações de R$ 495 mil cada. Uma corresponde à cláusula compensatória desportiva, prevista para situações em que o contrato é encerrado por responsabilidade do clube.
A outra se refere a parcelas futuras do contrato de exploração de imagem que, segundo o jogador, deixariam de ser pagas com o rompimento do vínculo.
Goleiro da Inter também entra com ação
Emprestado para a Inter de Limeira durante a Série C, Emerson Júnior cobra R$ 857.171,65 do Guarani.
O goleiro afirma que tinha contrato com o clube até dezembro de 2027 e que o Bugre continuava responsável por parte dos pagamentos mesmo durante seu empréstimo à Internacional.
Emerson Júnior, goleiro do Guarani — Foto: Raphael Silvestre
Segundo a ação, o clube deixou de pagar salários entre maio e setembro de 2026, além de valores referentes a direitos de imagem e depósitos do FGTS.
Emerson cobra R$ 82,5 mil em salários atrasados, R$ 61,25 mil em direitos de imagem e R$ 11,2 mil de FGTS. A lista inclui ainda R$ 74,1 mil referentes a férias e 13º salário e R$ 15 mil de multa por atraso nas verbas rescisórias.
O goleiro também pede R$ 217,5 mil de cláusula compensatória desportiva e R$ 283,75 mil referentes a parcelas futuras do contrato de imagem até o fim da vigência originalmente prevista.
Nas duas ações, os atletas pedem uma decisão provisória para que a Justiça reconheça a rescisão indireta e determine a baixa dos registros vinculados ao Guarani na CBF. O objetivo é ficar livres para serem inscritos por outras equipes antes do encerramento dos processos.
Os jogadores também pedem que os valores cobrados sejam considerados créditos extraconcursais. A alegação é de que as dívidas surgiram depois do início da recuperação judicial do Guarani, em 2023.
Na prática, se esse entendimento for aceito pela Justiça, os valores poderão ficar fora do plano de recuperação judicial e ter um tratamento diferente dos créditos incluídos nele.
Brinco de Ouro, estádio do Guarani — Foto: Raphael Silvestre/ Guarani FC
O Guarani foi procurado pelo ge para comentar as novas ações. A reportagem será atualizada caso ocorra manifestação.
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