Os ativistas das tendas estão cada vez mais arrogantes

Esta transcrição foi gerada automaticamente por Inteligência Artificial e pode conter erros ou imprecisões.
Está no ar mais um episódio do Bom, Mau e o Vilão da Rádio Observador, que também pode ouvir em podcast. Olá, Miguel Pinheiro, bom dia.
Bom dia.
Miguel, o teu bom é a polícia.
Sim, hoje por volta das 6h, finalmente a polícia desmantelou os acampamentos em Lisboa e no Porto. E desta vez, parece-me que não há dúvida nenhuma, a polícia agiu de forma totalmente proporcional. Vamos esperar para ver o inquérito em relação ao que se passou no Porto há uns dias, mas hoje estavam lá jornalistas, há imagens de tudo e parece-me que não há nenhuma dúvida. Em Lisboa, a polícia deteve alguns ativistas que estavam a formar um cordão humano, sendo que aparentemente chegou a haver arremesso de objetos por parte dos manifestantes. No Porto, nem isso foi preciso, porque os ativistas deixaram a Praça Dom João I. E em poucos minutos, as duas zonas ficaram desocupadas e agora o poder político tem que tomar medidas pra impedir que se repita a ocupação do espaço público. Claro, manifestações, todas, como é evidente. Agora, há aqui só um ponto que a PSP ainda não percebeu. É que hoje em dia os ciclos de informação são de 24 horas por dia, sete dias por semana. E a polícia tem que comunicar imediatamente aquilo que faz e uma e outra vez a PSP demora a explicar-se, e ao demorar, deixa no ar um vazio informativo que não pode acontecer. Acho que a polícia tem que pôr mais gente no departamento de comunicação, qualquer coisa assim, não sei lá bem como é que eles estão organizados.
Até porque o silêncio, na maior parte dos casos, joga contra as instituições e contra a Polícia de Segurança Pública.
Claro. Obviamente que num vazio, isso é preenchido por várias pessoas, neste caso, por ativistas, por especulações, e por isso a polícia tem de, de forma oficial, dar a informação logo, imediato. Não é ao fim de uma hora, nem duas. É logo. Tratem disso.
Miguel, quem é o teu mau?
O mau são os políticos que foram dando gás aos ativistas das tendas. À esquerda, nós fomos vendo um entusiasmo crescente por aquilo que queriam, que fosse um movimento popular contra o governo e contra a direita. Os líderes do Bloco de Esquerda e do Livre até foram aos acampamentos discursar. Esta manhã, a líder de um novo partido da esquerda radical, Renata Câmara, do Trabalhadores Unidos, estava no Rossio com um megafone a organizar os ativistas. Isto à esquerda. À direita, fomos vendo um receio crescente, depois de numa fase inicial terem sido firmes na defesa da ordem pública, começamos a ver dirigentes políticos a recuar, julgando, imagino eu, que os ativistas são o mesmo que os eleitores. E depois, claro, sentindo força de um lado e fraqueza do outro, os ativistas sentiram que estavam a ser amparados e incentivados. Isso depois dá sempre mau resultado nestas situações.
E são muito difíceis de controlar estes grupos por parte dos partidos tradicionais. Aliás, estes grupos muitas vezes funcionam e nascem por insatisfação com a atuação dos partidos políticos tradicionais. E depois quando vemos esses partidos a tentar capitalizar, a tentar aproveitar as ações destes movimentos, sabemos que não vai correr bem.
Sim, mas eles estão lá. Nós aliás tivemos um artigo no Observador em que explicávamos que muitos dos porta-vozes destes movimentos andam ali na órbita do Bloco de Esquerda, do PCP. Portanto, é complexo. Por um lado, sim, isto escapa aos partidos tradicionais, por outro lado, eles estão lá desde o início. Mas temos que ir percebendo o que se está a passar.
Miguel, o teu vilão também está ligado a este tema.
Sim, são estes ativistas das tendas. Nas últimas horas, eles foram se tornando cada vez mais arrogantes. Em Lisboa, começaram a limitar a liberdade de circulação dos jornalistas pelo acampamento, como se já fossem donos do espaço público. Além disso, começaram a alargar as reivindicações, como se já mandassem no país. Claro, eu vou citar um deles que disse: "O problema não é só a habitação, o problema é o racismo, a xenofobia, LGBTQfobia, é um monte de problemas", disse ele. Outro juntou a isto o combate contra as propinas, claro. E além disso, basta ouvi-los. Todos falam do Estado português como se fosse um regime opressor. E por isso convém repetir as vezes que forem necessárias. Portugal é uma democracia, o governo é eleito por todos. Aliás, este governo em concreto foi eleito há muito pouco tempo. Há direito à manifestação, mas não há o direito a ocupar o espaço público, menos ainda de forma indeterminada ou durante semanas e meses, como pretendiam. E além disso, convém também repetir, a polícia usa a força em nome do regime democrático e quando o faz de forma proporcional, é punida. E já agora, não, Portugal não é governado por assembleias populares de meia dúzia de pessoas que votam de braço no ar. Não somos governados assim.
Eu acho que a melhor maneira de enfraquecer estes movimentos e estes protestos é deixar precisamente ouvir, deixar que eles falem, os representantes destes movimentos.
Sim, um streaming em direto. Um vídeo em direto, eu acho que ajuda.
A maior parte dos eleitores se calhar até têm alguma simpatia se vê as imagens de uma carga policial por estes movimentos, a partir do momento em que os ouve falar, acho que perde toda essa simpatia.
Certo. Claro, com certeza, debater a habitação, haver propostas sobre habitação, tudo isso. Mas depois isso já é diferente.
Vamos ao resumo. O bom desta terça-feira é a polícia, o mau são os políticos que foram dando gás aos ativistas das tendas e o vilão são precisamente os ativistas das tendas. Foram estas as escolhas do Miguel Pinheiro nas manhãs 360 sempre em podcast.
KioskNews shows a cleaned-up reading view extracted from the publisher’s page — the original always lives on their site, not ours.